Reumatologia/Doenças Auto-Imune - Gota
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Reumatologia/Doenças Auto-Imune

Gota

27/06/2003

 

 Doença metabólica, freqüentemente com tendência hereditária, caracterizada por perturbação do metabolismo do ácido úrico, acarretando elevação permanente da uricemia ou hiperuricemia, com deposição anormal de cristais de ácido úrico junto às articulações. O ácido úrico tende a acumular-se nos tecidos sob forma de depósito de uratos muito dolorosos, ou tofos, em vez de ser normalmente destruído ou eliminado pela urina, à medida que vai se formando no organismo.
A gota pode traduzir-se através de toda uma série de perturbações da víscera, especialmente digestivas, circulatórias ou renais, e até mesmo nervosas, no entanto bastante raros: a manifestação mais conhecida da gota ainda é a podagra, ou gota articular. Seus sintomas são bastante variáveis e não correspondem sempre à imagem tradicional que deles se tem.  O quadro clássico da gota é muito conhecido: o paciente geralmente qüinquagenário do sexo masculino, pessoa de vida sedentária e grande apreciador de vinho. A afecção principia subitamente. A pessoa afetada se vê brutalmente obrigada a permanecer no leito em conseqüência de uma crise extremamente penosa: um de seus grandes artelhos, geralmente o esquerdo, torna-se avermelhado, inchado, doloroso. O menor toque provoca dores atrozes; até mesmo o peso de um lençol é insuportável. O médico deverá limitar-se a profundo exame visual, que lhe permitirá verificar sem dificuldade que as partes moles do grande artelho e das regiões vizinhas do pé encontram-se infiltradas; no entanto, a própria articulação não é atingida nem deformada. Os sintomas da afecção limitam-se a estas manifestações exclusivamente locais; o estado geral não é afetado: nem mal-estar, nem alteração de temperatura ou quaisquer outros sinais deste gênero são observados. As formas atípicas são encontradas com mais freqüência do que se pensava antigamente e caracterizam-se por alterações de várias junções dispersadas aqui e ali no organismo; paradoxalmente, o grande artelho permanece perfeitamente indene. As mulheres e crianças são atingidas da mesma forma que os homens. Dentre as mais freqüentes variedades, encontra-se uma forma que simula a poliartrite crônica evolutiva e formas que simulam a fibrosite, ou, ainda, a bursite. É rara antes dos trinta anos.
A imunidade de que gozam as mulheres é apenas relativa; diz respeito sobretudo à forma dita como clássica e às formas graves. Isto tende a provar que os fatores hormonais representam algum papel no aparecimento da doença. No decorrer dos últimos anos, a gota estendeu seu campo de ação na hierarquia social: depois de ter praticamente desaparecido, após a segunda guerra mundial, nos países que sofreram escassez alimentar, retornou com toda força. A melhoria geral das condições de vida e, sobretudo, do poder aquisitivo, permitiu um enriquecimento generalizado dos cardápios cotidianos; em vez de limitar-se, como antes, à classe de mais posses, a gota democratizou-se e atinge hoje em dia todos os que apreciam a boa comida.

         O diagnóstico da gota nem sempre é fácil: evidente na forma clássica, pode ser mais delicado nas formas atípicas. O médico verificará através da radiografia se a própria articulação está praticamente indene, o que permite orientar o diagnóstico. A dosagem de ácido úrico no sangue dissipará as últimas dúvidas; aliás, caso existam outros casos na família ou em parentes diretos do paciente, o médico facilmente pensará tratar-se de gota. As possibilidades de tratamento da gota expandiram-se muito nos últimos tempos. Em caso de crise, o paciente deverá permanecer em repouso absoluto. O especialista prescreverá colchicina e fenilbutazona; nos casos particularmente dolorosos poderá recorrer aos corticóides. Passada a crise, o tratamento especifico deve ser seguido e reforçado por tratamento de fundo. O paciente deverá seguir regime alimentar específico, visando restringir a ingestão de substâncias que possam desencadear crises ou aumentar o ácido úrico.

 


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