Pneumologia/Pulmão - Segurança da vacinação contra influenza em pacientes asmáticos
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Pneumologia/Pulmão

Segurança da vacinação contra influenza em pacientes asmáticos

28/06/2003

The safety of inactivated influenza vaccine in adults and children with asthma.
American Lung Association Asthma Clinical Research Centers.
The New England Journal of Medicine 2001, 345:1529-1536.

Introdução

Os surtos de influenza, além de serem fatores de risco para pneumonia, são importantes causas de faltas à escola e ao trabalho. Em pacientes com doença pulmonar subjacente, como asma e DPOC, a influenza pode ser responsável por suas agudizações. A cobertura vacinal contra influenza em asmático é pequena, sendo o receio por efeitos adversos sobre a asma um dos fatores responsáveis. Nesse estudo, a segurança da vacinação contra influenza em asmáticos foi avaliada.

 

Métodos

 

Estudo prospectivo, multicêntrico, duplo-cego, controlado com placebo, realizado entre setembro e novembro de 2000. Foram incluídos pacientes entre 3 e 64 anos com diagnóstico clínico de asma e que tivessem recebido algum tratamento para asma no último ano. Foram incluídos apenas pacientes com doença estável, caracterizada por ausência de internação ou consulta em emergência ou elevação da dose de corticóide sistêmico nos últimos 15 dias. Foram excluídos pacientes com alergia a um dos componentes da vacina, pacientes incapazes de medirem seu "peak-flow", com antecedente de Guillain-Barré, vacinados contra influenza nos últimos 6 meses, com febre nas últimas 24 horas.

 

Os pacientes foram randomizados a receberem, inicialmente, vacina contra influenza ou placebo e, após 4 semanas, placebo ou vacina contra influenza, respectivamente. A vacina utilizada foi a trivalente, com vírus tipos A e B, atenuados com calor (Fluzone, Aventis-Pasteur). Após 14 dias de cada injeção, os pacientes foram avaliados em relação ao desenvolvimento de exacerbação, caracterizada por um dos seguintes dados:

  • queda do "peak-flow" de pelo menos 30% em relação ao valor no momento da randomização

  • aumento do uso de beta-agonista de resgate

  • aumento da dose ou início de corticóide sistêmico

  • consulta médica não agendada ou consulta telefônica por sintomas de asma

  • visita médica em pronto socorro por asma

  • internação por asma

 

Outros dados avaliados foram: quedas menores do "peak-flow", sintomas associados à vacina (rinite, dor de garganta, tosse, cefaléia, mialgia, fadiga, febre e calafrios), número de dias sem sintomas de asma, falhas à escola ou ao trabalho, alterações nos regimes terapêuticos.

 

Resultados

 

Foram estudados 2032 pacientes, sendo que 2009 receberam as duas injeções, com intervalo médio de 22 dias entre elas. Embora com grande variabilidade entre os pacientes, a maior parte apresentava asma persistente leve ou moderada.

 

As taxas de exacerbações da asma após vacina e placebo foram, respectivamente, de 28,8% e 27,7%, sem diferenças estatisticamente significantes. As apresentações mais comuns de exacerbação foram o aumento no uso do beta-agonista de resgate e a redução do "peak-flow" em mais de 30% do basal. A tabela abaixo ilustra os principais resultados.

 

FREQÜÊNCIA DE EXACERBAÇÕES DE ASMA APÓS 3 E 14 DIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE PLACEBO OU VACINA CONTRA INFLUENZA

.

Vacina

Placebo

p

Aumento no uso de corticóide sistêmico

.

.

.

3 dias

2,0%

2,0%

NS

14 dias

5,3%

5,1%

.

Visita médica não agendada

.

.

.

3 dias

1,3%

1,8%

NS

14 dias

5,5%

5,1%

.

Aumento na medicação de resgate

.

.

.

3 dias

6,1%

6,5%

NS

14 dias

15,2%

14,5%

.

Redução de 30% no "peak-flow"

.

.

.

3 dias

7,5%

8,2%

NS

14 dias

16,7%

16,6%

.

Qualquer entre os acima

.

.

.

3 dias

12,7%

13,8%

NS

14 dias

28,8%

27,7%

.

 

Mesmo estratificando os pacientes em subgrupos em função de idade, gravidade da asma, tabagismo, função pulmonar, não houve diferenças entre as freqüências de exacerbações após a administração de vacina contra influenza ou placebo. Como era de se esperar, os efeitos adversos da vacina ocorreram em menor freqüência após a aplicação do placebo.

 

Conclusões

 

A vacina contra influenza pode ser aplicada com segurança em asmáticos estáveis, crianças e adultos, independente da gravidade da asma.

 

Comentários

 

Os resultados desse estudo, realizado em uma grande população de asmáticos, mostram que a vacina contra a influenza é segura em relação a não determinar exacerbação da asma. Vários identificadores de exacerbação de asma foram pesquisados de forma prospectiva e não se mostraram diferentes após a administração da vacina ou do placebo.

 

Esses resultados devem ser difundidos entre os médicos, pacientes e familiares, combatendo receios infundados sobre riscos de agravamento da asma com a vacina. Considerando que sabidamente a asma pode ser agudizada por infecções virais, entre elas a influenza, a adoção da vacinação como conduta em todos os asmáticos é uma medida a ser pensada, visto que comprovadamente é segura e eficaz (esse último dado comprovado em outros estudos


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