Infecto-contagiosas/Epidemias - Doenças emergentes e reemergentes
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Doenças emergentes e reemergentes

21/11/2010
O que são doenças emergentes e reemergentes

Fernanda Marques

Uma pneumonia atípica tem afetado a população do Amazonas. Já foram registrados em Manaus mais de 50 casos da doença. Ela surgiu há cerca de três anos, mas ainda não se sabe qual é sua origem nem o microrganismo causador. Tudo leva a crer, portanto, que se trata de uma doença emergente. "Doenças emergentes são aquelas que não tinham significado no passado e em determinado momento surgem como novas, pois são causadas por agentes etiológicos desconhecidos. Foi o caso da Aids: o vírus HIV era diferente de tudo o que já se tinha visto", explica o médico Luciano Medeiros de Toledo, diretor do Centro de Pesquisas Leônidas e Maria Deane (CPqLMD), unidade da Fiocruz em Manaus.

 Universidade da Califórnia
Universidade da Califórnia

Família Retroviridae, à qual pertence o HIV, vírus causador da
Aids, uma das principais doenças emergentes contemporâneas

"Definir doenças emergentes não é tarefa das mais fáceis. Trata-se de um conceito amplo e dinâmico", afirma o médico Eduardo Costa, assessor da Presidência da Fiocruz e ex-secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Em linhas gerais, pode-se dizer que são moléstias transmissíveis causadas por bactérias ou vírus nunca antes descritos ou por novas formas infectantes geradas a partir de mutações em um microrganismo já conhecido. É possível ainda que sejam causadas por um agente que já parasitava animais e depois começou a infectar também o homem.

Além disso, uma enfermidade pode ser considerada emergente quando passa a ter novas distribuições, como uma moléstia que só atingia as crianças e começa a acometer também os idosos ou uma doença, antes restrita a um único país, que se espalha por todo o mundo. "Uma doença emergente clássica é a gripe espanhola. Até hoje não se chegou a um consenso sobre sua origem. Tudo o que se sabe é que, em um intervalo de mais ou menos três anos, ela fez um número enorme de vítimas em várias partes do mundo. E depois desapareceu", exemplifica Costa.

A gripe espanhola sumiu. Mas existem moléstias que aparecem, são controladas e, passado um tempo, voltam a ameaçar a população. Estas são as doenças reemergentes - aquelas que são conhecidas de longa data e, de repente, têm sua incidência aumentada por causa de uma série de fatores, como urbanização desordenada, degradação do meio ambiente e desigualdade social, entre outros. "Um exemplo é a malária nas regiões Norte e Nordeste. Ela se tornou um problema na época do ciclo da borracha, ficou sob controle por um período e depois ressurgiu de forma intensa nos anos 70", lembra Toledo.

Dengue, febre amarela e hepatite C estão no grupo das moléstias emergentes e reemergentes, ao qual também pertencem doenças que só mais recentemente passaram a freqüentar as manchetes dos jornais. É o caso de uma gripe que surgiu em patos e galinhas nos últimos dois anos e que, no início de 2004, matou mais de 20 pessoas na Ásia. O supervírus responsável pelo problema surgiu no sul da China e ainda se mantém longe do Brasil. No entanto, infelizmente, nosso país assiste à emergência e à reemergência de outras doenças relativamente desconhecidas. E, nos últimos meses, algumas dessas enfermidades - como a raiva transmitida por morcegos hematófagos, a hantavirose e a febre maculosa - espalharam medo entre a população de certas cidades brasileiras.

No final de maio, a hantavirose deixou três mortos na cidade de São Sebastião, no Distrito Federal, e, no início de junho, mais dois óbitos por causa dessa doença foram registrados em Goiás, nos municípios de Cristalina e Pirenópolis. Pouco depois, três pessoas da mesma família faleceram em Mauá, na Grande São Paulo, após contraírem o microrganismo causador da febre maculosa.

Além disso, em março deste ano, 15 pessoas morreram no município de Portel, na Ilha de Marajó, no Pará, vítimas do vírus da raiva transmitido por morcegos que se alimentam de sangue. "A raiva em Portel se caracteriza como uma doença reemergente que se manifesta sob a forma de um surto epidêmico - a doença não está sendo transmitida através da mordida de cães. Possivelmente, as graves modificações ambientais que vêm ocorrendo nesse município expliquem o aumento dos ataques de morcegos à população humana", comenta Toledo.

 

Fonte:

http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1000&sid=12

 

 

 


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