Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O. - Distúrbio da ATM
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Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O.

Distúrbio da ATM

28/06/2003

                         

Cerca de 60% da população mundial sofre de alguma disfunção na articulação temporomandibular, mas a maioria não sabe.                              

Sandra Annenberg e Fátima Bernardes devem ficar atentas. É bem provável que tenham algum tipo de disfunção na articulação temporomandibular, também chamada de ATM. Nada tão grave, mas exige tratamento. Este é o diagnóstico do telespectador, fã e cirurgião-dentista Guiovaldo Paiva, responsável por uma das poucas clínicas que trabalham com os distúrbios da ATM - articulações localizadas na face, próximas às orelhas, que movimentam a mandíbula - e autor do livro Diagnóstico e Tratamento das Disfunções de ATM.                              

"Essas três moças têm problemas sérios no movimento mandibular", constata o doutor Paiva. "Quando observo a Sandra e a Fátima Bernardes falando, elas estão fora do padrão de normalidade. Os seus movimentos são inadequados e duvido que não tenham um quadro de dor. Talvez em algum momento precisem descansar porque a região da face dói, ou mesmo por dores na cabeça e no pescoço". Ele elogia ainda o profissional que treina a dicção das apresentadoras: "Ele deve ser muito bom, porque elas alcançam um ótimo desempenho no ar, apesar do movimento mandibular alterado".                               Muitas vezes, o diagnóstico é difícil porque a dor pode refletir em diferentes partes da cabeça ou pescoço. Alguns pacientes vão a neurologistas, otorrinos e até a psiquiatras e não imaginam qual a origem da dor. "Nunca o paciente vai ao dentista quando está com dor de cabeça", diz o dentista. E algumas vezes estas dores - que são musculares - instalam-se em função de distúrbios na ATM.                               A maioria destes distúrbios tem cura. Não só para as três apresentadoras (caso se confirme o diagnóstico), mas para 60% da população mundial que sofre de algum tipo de problema na articulação temporomandibular.                               O que é a ATM ?                               A articulação temporomandibular (ATM), único osso móvel da face, é aquela que nos permite abrir e fechar a boca. É uma das mais complexas articulações do corpo humano e liga a mandíbula ao crânio. Toda vez que falamos, mastigamos ou engolimos, a ATM se movimenta. Quando existe uma disfunção nesta articulação, a pessoa pode sentir dor e até ter modificações na abertura de sua mandíbula: movimentação limitada (anquilose) ou excesso de mobilidade (luxação).                               A ATM pode ter várias causas. Uma das mais importantes é a mordida inadequada ou encaixe inadequado dos dentes - é quando ocorre a má-oclusão. Na maioria das vezes, a mordida é cruzada ou aberta. Dentes tortos podem provocar o problema.                               Outra causa importante é o traumatismo, responsável por mais de 20% dos problemas nesta articulação. Pancadas ou movimentos bruscos na cabeça ou na mandíbula podem danificar as estruturas que compõem a ATM, assim como apertar ou ranger os dentes de dia ou de noite, artrites reumatóides, anormalidades durante a formação da ATM e estresse.                               Os sintomas que caracterizam a disfunção na articulação são: dor na ATM durante a movimentação mandibular, dor de cabeça, dificuldade para deglutir, desvios da mandíbula durante a abertura, modificação no encaixe dos dentes, sensação de travamento da mandíbula, estalos durante a mastigação, sensação de fadiga mandibular, pequenos estalos ao abrir e fechar a boca, dores na face, ombros e pescoço, assimetria da mandíbula, assimetria da face, macrognatismo (mandíbula grande), micrognatismo (mandíbula pequena).                               Muitas vezes, as pessoas demoram a encontrar o especialista correto porque as disfunções na articulação da mandíbula não causam dores no local da lesão, mas sim em outras áreas da cabeça. As dores reflexas acontecem porque o cérebro não consegue interpretar qual é a origem do problema e provoca reações nas musculaturas que estão mais comprometidas.                               As dores nas têmporas (ao lado dos olhos) e atrás da cabeça podem ser provocadas pela musculatura cansada porque o músculo do pescoço foi usado em excesso. Assim como as dores atrás dos olhos e no topo da cabeça podem ser provocadas pela musculatura cansada da parte posterior da cabeça.                               Tratamento - Existem basicamente dois tipos de tratamento: o clínico e o cirúrgico. Hoje, 75% dos casos são resolvidos sem cirurgia. O tratamento consiste em reencaixar a mandíbula no crânio, reduzir a dor muscular, melhorar o limite de movimento e impedir a inflamação. O uso de aparelhos ortodônticos é uma das maneiras de evitar a disfunção.                               Estão incluídas no tratamento as placas interoclusais utilizadas em 80% dos casos das disfunções na ATM. Elas são colocadas nos dentes superiores e inferiores, e permitem uma melhor postura da mandíbula.                               Há ainda o tratamento fonoaudiológico após cirurgia ou ortodontia. Como medicamentos, são usados analgésicos, antiinflamatórios ou relaxantes musculares para aliviar a dor e evitar o agravamento do quadro. Os pacientes com disfunção devem reeducar seus hábitos e realizar exercícios, alguns deles com aparelhos.                               Para prevenir as dores é necessário evitar comidas consistentes como carne, dar preferência a uma dieta com alimentos macios e não realizar nenhum esforço que sobrecarregue os músculos da mastigação, como mascar chicletes. É necessário ainda evitar abrir demais a boca ao comer frutas ou outro alimento, não apoiar a mão no queixo, mastigar sempre dos dois lados da boca, não roer unhas nem morder objetos como lápis, caneta ou palito de dente.                               A disfunção de ATM não chega nem a ser uma disciplina no currículo de Odontologia - ela é estudada de forma diluída em várias matérias -, mas o diagnóstico e o tratamento são da competência do dentista. "De um tempo para cá, depois de 1973, as pesquisas a respeito da articulação temporomandibular desenvolveram-se mais", diz o dr. Paiva.                               "Foram descobertos aspectos que não conhecíamos, como o fato de que a articulação dói, igual ao joelho quando está inflamada. E não existe articulação inflamada que não obrigue um músculo a executar trabalhos excessivos ou longos para proteger essa mesma articulação. Então, começamos a ver a inter-relação da articulação inflamada com a musculatura".                               Problema complexo - Quando um paciente procura uma clínica, é fundamental que o dentista realize, durante o exame, a apalpação na região. É por meio dela que se confirma a existência da dor e da inflamação. O padrão de normalidade é uma abertura de boca de 40 mm, ausência de dor e de barulho durante a movimentação da articulação. Se houver ruído, a causa pode ser o disco que está deslocado.                               Algumas pessoas que chegam aos consultórios não conseguem abrir a boca por causa do deslocamento. Neste caso, é feita uma série de avaliações para saber qual a forma mais adequada de estabilizar a mandíbula. As causas do deslocamento de disco, por sua vez, podem ser traumatismo ou hábitos parafuncionais, a má-oclusão, a forma do arco que é muito para trás ou muito para frente, dentes estragados ou restaurados inadequadamente.                               Nos pacientes crônicos, depois de três a quatro meses, toda a musculatura cervical vai estar envolvida, isto porque a pessoa muda a postura da cabeça para aliviar a tensão na articulação.                               Outro procedimento importante quando o paciente procura a clínica é checar se o seu quadro hormonal está em ordem, se existem alterações de tireóide ou mesmo se ele não tem problemas de depressão. "A dor crônica também leva à depressão", explica o dentista.                               "Não é que a ATM cause a depressão, mas a dor crônica leva ao quadro de depressão. Tem de ser tratada com um médico".                               Reações diferentes - Uma outra questão a ser observada é que, quando um paciente em estado normal fica sob tensão, ele aperta a boca, mas ao sair deste quadro, volta ao normal. Já uma pessoa que tenha uma certa disfunção na articulação, ao sair do quadro de tensão vai estar com dor.

                            As respostas às disfunções da ATM são individuais, mas homens e mulheres reagem de forma bem diferente. Esta diferença tem como causa os hormônios que, segundo o dr. Paiva, influenciam no desenvolvimento, na recuperação e no agravamento dos problemas: "O homem, talvez por causa da testosterona, recupera-se mais facilmente. Um exemplo é que, mesmo quando ele tem o disco articular deslocado, não sente dor. Na mulher, os hormônios femininos não facilitam esta recuperação e tudo se agrava. Em cada dez mulheres que nos procuram, nove têm dor; já os homens, eles têm um monte de sintomas, mas dificilmente têm dor. Outras pesquisas também se direcionam para esse caminho. As pesquisas são nacionais, americanas, escandinavas".

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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