A incidência da insuficiência cardíaca (IC) é estimada em 400 mil casos novos por ano..
Dra. Maria da Consolação V. Moreira Professora-associada de Medicina da Faculdade de Medicina e coordenadora do Programa de Insuficiência Cardíaca e Transplante Cardíaco do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - CRM-MG 12.960.
A incidência da insuficiência cardíaca (IC) é estimada em 400 mil casos novos por ano. Sua prevalência aumenta em relação direta com a idade - 1% a 2% em pessoas entre 50 e 60 anos de idade, ultrapassando 10% na faixa etária igual ou acima de 80 anos. O prognóstico é ruim: 30% de mortalidade em um ano, aumentando para 60% a 70% em cinco anos. O "Framingham Heart Study" demonstrou que aproximadamente 50% das mortes na IC são súbitas, o que foi confirmado pelos recentes ensaios, e a outra metade morre em decorrência de falência ventricular progressiva.
O incremento da habilidade de identificar a disfunção ventricular assintomática e sua natureza progressiva levou recentemente a uma redefinição da IC nas diretrizes do "American College of Cardiology" e da "American Heart Association". Essa nova classificação - A, B, C e D - enfatiza um grande número de pacientes sob risco e encoraja os clínicos a implementarem estratégias de tratamento semelhantes àquelas utilizadas para pacientes assintomáticos, mas com fatores de risco para a doença arterial coronária (DAC).
Estágio A - pacientes de alto risco para IC, mas sem cardiopatia estrutural.
Estágio B - presença de doença cardíaca estrutural, mas sem sinais e sintomas de IC.
Estágio C - presença de cardiopatia estrutural e sinais e sintomas de IC.
Estágio D - sintomas refratários ao tratamento ótimo.
A disfunção ventricular assintomática constitui um grupo importantíssimo para identificação e tratamento, sendo sua prevalência na comunidade cerca de 2,4%.
Os novos paradigmas de tratamento enfatizam o manejo farmacológico do estágio B. Dados adicionais da coorte do "Framingham Heart Study" chamaram a atenção para o caráter letal da disfunção ventricular assintomática ao longo do tempo. Depois do diagnóstico inicial, a sobrevida em dez anos é de 35% para os pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) entre 40% e 50%; quando a FEVE cai abaixo de 40%, a sobrevida média é de somente 25%. Sendo assim, estratégias de reduções futuras na morbidade e na mortalidade da IC estão centradas na identificação precoce dos portadores de disfunção ventricular assintomática e na implementação da terapêutica antes do desenvolvimento dos sinais e sintomas. No Brasil, a IC constitui a principal causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS) entre as doenças cardiovasculares - 39% na faixa etária de 20 a 59 anos e 70% na faixa etária acima de 60 anos, custando cerca de 200 milhões de reais anuais aos cofres públicos. Os alvos mais importantes na prevenção primária da IC são o diagnóstico e o tratamento da DAC, da hipertensão arterial sistêmica e do diabetes.
A prevenção secundária está centrada no empenho em diagnosticar e tratar a disfunção ventricular assintomática nos estágios precoces da doença. O tratamento farmacológico com os agentes que reduzem a mortalidade constitui o objetivo maior do tratamento. Nesse sentido, os inibidores da enzima conversora da angiotensina, os betabloqueadores, os bloqueadores dos receptores da angiotensina II e a espironolactona formam a base da terapêutica clínica.
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