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Introdução
O aparelho digestivo é composto, basicamente, pela boca, esofago, estomago, intestino delgado e intestino grosso. Ele é responsável pela ingestão e processamento dos alimentos. Tais alimentos, após serem ingeridos, começam a percorrer um longo caminho pelo aparelho digestivo, para que as substâncias nutritivas sejam processadas, separadas e absorvidas pelo organismo. O processo de absorção se dá, sobretudo, no intestino delgado, onde as vitaminas, sais minerais, proteínas, carboidratos e gorduras são passadas ao sangue, para que o mesmo leve até às células todas estas substâncias. Após o uso dos alimentos, tudo aquilo que não é aproveitado pelo corpo será eliminado, formando, assim, as fezes que serão eliminadas pelo intestino grosso, que corresponde a parte final do intestino. Para que todas estas substâncias percorram todas as partes do aparelho digestivo, são necessários os movimentos peristálticos, presentes ao longo de todo o aparelho. O reto, corresponde a parte final do intestino grosso e é local onde as fezes se acumulam. Para que estas permaneçam retidas no reto, existe o esfincter do intestino, chamado de ânus, que por ser um músculo tem o poder de contração e relaxamento. Quando relaxado, o ânus se abre, quando contraído, permanece fechado. As fezes, ao se acumularem, provocarão uma sensação de intestino cheio que através de nervos e posteriormente da medula, partirão em direção ao cérebro. Chegando lá, a sensação de intestino cheio será sentida e, caso a pessoa queira esvaziá-lo, mandará um comando de esvaziamento, que também será conduzido através da medula e nervos até chegar à parte final do intestino grosso, fazendo com que os movimentos peristálticos aumentem e o esfincter, ou seja, o ânus relaxe, afim de expulsar as fezes do reto. Caso a pessoa não queira evacuar neste momento, o comando será para reter as fezes, fazendo com que o ânus permaneça fechado e que não haja o aumento dos movimentos peristálticos.
Lesão Medular
Na lesão medular, assim como no mecanismo da micção, o mecanismo de evacuação pode se comportar de três maneiras, de acordo com o tipo de lesão.
Lesão acima da cauda equina e do cone medular
Neste tipo de lesão, o intestino se comportará de modo reflexo, pois o arco-reflexo estará preservado. Chegando em um certo ponto de acúmulo de fezes, a sensação de intestino cheio partirá em direção ao cérebro. Como existe uma lesão medular, esta sensação será interrompida no ponto da lesão, não chegando até o cérebro, logo, a pessoa não sentirá a sensação de intestino cheio. O aviso de intestino cheio, ao chegar na medula, imediatamente colocará em ação o arco-reflexo, ou seja, provocará o funcionamento do intestino através deste estímulo recebido, fazendo com que os movimentos peristálticos aumentem e o ânus relaxe, para que haja o esvaziamento do reto, independente da vontade da pessoa, pois como existe a lesão, além de não sentir o aviso de intestino cheio, a pessoa também não terá o controle, pois o comando de reter ou expulsar as fezes será bloqueado no ponto da lesão, não chegando até a parte final dos intestino grosso. Devido a estas disfunções, pode haver dificuldades na evacuação. Para contornar estes problemas, existem as manobras de esvaziamento dos intestinos. Como há a presença de reflexos, uma pessoa pode provocá-los, afim de estimular a evacuação e esvaziar ao máximo o intestino. Existem diferentes formas de se provocar os estímulos e é necessário que uma pessoa conheça e experimente todas, para descobrir qual responderá melhor. Uma das maneiras é através do toque anal, onde, utilizando-se uma luva, uma pessoa introduzirá o dedo ao ânus e fará movimentos circulares; outra é através do uso do "chuveirinho" de chuveiros domésticos, onde será jogada na região do ânus, uma água de temperatura moderada; outras formas serão através do uso de supositórios de glicerina ou pequenas bisnagas com veículo glicerinado, ambos sendo introduzidos ao ânus. Além destes artifícios, também poderão ser feitas manobras na região abdominal, com movimentos circulares no sentido horário, obedecendo o sentido final do intestino grosso, gerando estímulos e ajudando o esvaziamento. A respiração também pode coloborar. Ao encher os pulmões de ar, a região abdominal será comprimida, o que acarretará a compressão dos intestinos, facilitando assim, o esvaziamento.
Lesão medular incompleta
Caso haja uma lesão incompleta, a parte de sensibilidade poderá estar preservada. Desta forma, as sensações de intestino cheio chegarão até o cérebro, mas os camandos para reter as fezes ou de esvaziamento do reto serão bloqueados no ponto onde existe a lesão. Portanto, neste caso, uma pessoa poderá sentir a sensação de intestino cheio, mas não terá controle sobre o mesmo. Para o melhor esvaziamento, serão usadas as mesmas manobras do caso anterior.
Lesão de cauda equina e/ou de cone medular
Nestes tipos de lesão, como o arco-reflexo não está presente, o esvaziamento do intestino não ocorrerá de modo reflexo. A sensação de intestino cheio enviada pelo reto, não chegará ao cérebro e nem ao cone medular, pois tal sensação será bloqueada pela lesão da cauda equina ou pela lesão de cone medular. Desta forma, quando o reto estiver cheio, não haverá o arco-reflexo para que o mesmo se esvazie. As manobras de esvaziamento serão diferentes dos casos anteriores, pois como não há o arco-reflexo, não surtirão efeitos as estimulações para o seu desencadeamento. Por se tratar de lesões baixas, a musculatura abdominal estará funcionando, o que permitirá a sua contração, para que haja a compressão de toda a região abdominal, possibilitando o esvaziamento. Outra manobra que ajudadrá no esvaziamento, será a de encher os pulmões para que a região abdominal sofra mais compressão. Tais manobras devem ser executadas em conjunto, para que haja melhor resultado.
O ideal é que a evacuação seja feita todos os dias, ou no máximo de dois em dois dias, ou seja, um dia com evacuação e dois dias sem. A falta de evacuação durante dois dias ou mais, levará ao endurecimento das fezes, pois estas ficarão paradas no reto e constantemente será absorvido pelo intestino o líquido contido nas fezes, levando à um ressecamento, dificultando assim, a evacuação. É aconselhável reservar uma determinada hora do dia para a evacuação e habituar o corpo à este horário, promovendo desta forma, a "educação" dos intestinos, ou seja, ele irá se acostumar a funcionar naquela determinada hora do dia, possibilitando às pessoas, uma vida social sem riscos de evacuação em horas inapropriadas. Após as refeições, fica mais fácil a evacuação, pois a ingestão de alimentos provocam o aumento do peristáltismo, facilitando à saída das fezes. |