Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca - Higiene dental, inflamação e risco de doença cardiovascular: resultados da pesquisa de saúde escocesa.
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Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca

Higiene dental, inflamação e risco de doença cardiovascular: resultados da pesquisa de saúde escocesa.

19/05/2011

de Oliveira C, Watt R, Hamer M. Toothbrushing, inflammation, and risk of cardiovascular disease: results from Scottish Health Survey. BMJ. 2010 May 27;340:c2451.


Objetivo: Avaliar se o comportamento relatado de higiene dental está associado a doença cardiovascular e a marcadores de inflamação (proteína C reativa) e coagulação (fibrinogênio).

Modelo: Pesquisa populacional nacional.

Cenário: Pesquisa de Saúde Escocesa, que compreende uma amostra nacionalmente representativa da população domiciliar na Escócia.

Participantes: Participaram 11.869 homens e mulheres, com idade média de 50 anos (Desvio padrão [DP] = 11).

Principais desfechos clínicos: A higiene oral foi avaliada segundo o relato pessoal da frequência de escovações dentais. As pesquisas foram associadas prospectivamente a registros de atendimentos hospitalares. Foram utilizados modelos de risco proporcional de Cox para estimar o risco de eventos cardiovasculares ou morte, segundo o estado de higiene oral. A associação entre higiene oral e marcadores inflamatórios e de coagulação foi examinada em uma subamostra de participantes (n = 4.830), utilizando modelos lineares com ajuste.

Resultados: Ocorreram ao todo 555 eventos de doenças cardiovasculares em uma média de 8,1 (DP 3,4) anos de acompanhamento, dos quais 170 foram fatais. Em 74% (411) dos eventos de doença cardiovascular, o diagnóstico principal foi doença arterial coronariana. Os participantes que relataram uma higiene oral ruim (nunca / raramente escovavam os dentes) apresentaram aumento no risco de eventos cardiovasculares (razão de risco 1,7, intervalo de confiança 95%, 1,3 a 2,3; P < 0,001) em um modelo completamente ajustado. Eles também apresentavam maiores concentrações de proteína C reativa (beta 0,04; 0,01 a 0,08) e fibrinogênio (0,08; -0,01 a 0,18).

Conclusões: A má higiene oral está associada a aumento do risco para doença cardiovascular e baixo grau de inflamação, ainda que a natureza causal desta associação ainda não esteja complemente determinada.





Comentários

Alessandro Loiola
Clínico e Cirurgião Geral.

Há muito se sabe que a inflamação desempenha um papel importante na patogênese da aterotrombose – tanto assim que os níveis séricos de proteína C reativa (PCR) podem ser utilizados para predizer o risco futuro de infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC). E mais: a redução do risco de IAM associada ao uso de regular de aspirina parece estar relacionada diretamente aos níveis de PCR, levantando a possibilidade de que agentes anti-inflamatórios possam ter um papel clínico relevante na prevenção de doenças cardiovasculares.
Dentro dos princípios deste mesmo cenário, um estudo recente apontou para o fato de que indivíduos que não escovam os dentes pelo menos duas vezes ao dia apresentam um risco aumentado para doenças cardíacas.
Este foi justamente o ineditismo da pesquisa conduzida por de Oliveira, Watt e Hamer: observar o número de vezes que é preciso realizar a higiene dental para reduzir o risco de doença cardíaca.
A conclusão surgiu após terem sido analisados dados de mais de 11 mil adultos participantes da Pesquisa de Saúde da Escócia, onde os pacientes eram questionados acerca de certos hábitos de vida, tais como tabagismo, atividade física e padrão de higiene oral. Também foram colhidos dados sobre antecedentes médicos pessoais e familiares, histórico cardíaco e colhidas amostras de sangue para análise dos níveis de PCR e fibrinogênio. Os dados colhidos a partir das consultas foram cruzados com informações de internações hospitalares e falecimentos.
Os resultados mostraram 555 eventos de doenças cardiovasculares após um acompanhamento médio de 8,1 anos. Destes eventos, 170 foram fatais. Em 74% das intercorrências cardiovasculares o diagnostico principal foi doença arterial coronariana. Os participantes que relataram uma higiene oral ruim (nunca / raramente escovavam os dentes) apresentaram aumento no risco de eventos cardiovasculares. Eles também apresentavam maiores concentrações de proteína C reativa e fibrinogênio.
Os pesquisadores observaram que o estudo confirma a sugestão de que a má higiene oral possui um papel no desenvolvimento de doenças cardiovasculares via inflamação sistêmica. O incremento das respostas inflamatórias e homeostáticas, bem como perturbações no metabolismo lipídico causadas pela infecção periodontal, podem ser os mecanismos subjacentes responsáveis por esta associação.
Todavia, a pesquisa salientou a importância de serem realizados novos estudos para avaliar de modo definitivo se a associação entre higiene oral e doença cardiovascular é realmente causal ou meramente um marcador de risco.




Referência


1. Ridker PM, Cushman M, Stampfer MJ, Tracy RP, Hennekens CH. Inflammation, aspirin, and the risk of cardiovascular disease in apparently healthy men. N Engl J Med. 1997 Apr 3;336(14):973-9.

2. Mendall MA, Patel P, Ballam L, Strachan D, Northfield TC. C reactive protein and its relation to cardiovascular risk factors: a population  based cross sectional study. BMJ. 1996 Apr 27;312(7038):1061-5.

3. Pai JK, Pischon T, Ma J, Manson JE, Hankinson SE, Joshipura K, Curhan GC, Rifai N, Cannuscio CC, Stampfer MJ, Rimm EB. Inflammatory markers and the risk of coronary heart disease in men and women. N Engl J Med. 2004 Dec 16;351(25):2599-610.

4. Yeung CA. Gums and heart disease. Healthy gums, healthy heart? BMJ. 2010 Jul 13;341:c3710. doi: 10.1136/bmj.c3710.


Fonte:

http://www.medicalservices.com.br/atualizacao/literatura_comentada/index.php?menu=linkAtualizacao

 

 


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