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Psiquiatria e Psicologia

O papel da subdosagem na cronificação da depressão

25/07/2011
A depressão, um dos transtornos mentais mais comuns, é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maior causa de incapacitação e a quarta enfermidade que mais contribui para a carga global de doença no mundo. Maria Naylora Lima Leme de Troster - CRM/SP: 41240

A depressão, um dos transtornos mentais mais comuns, é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maior causa de incapacitação e a quarta enfermidade que mais contribui para a carga global de doença no mundo. Caracteriza-se por humor deprimido, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa e menos-valia, distúrbios do sono e/ou do apetite, redução da energia e da capacidade de concentração, podendo se tornar crônica ou recorrente. Sua pior consequência é o suicídio, associado acerca de 850 mil mortes por ano.

O objetivo do tratamento da depressão é a remissão completa dos sintomas, evitando sua cronificação ou recorrência. Para otimizar os resultados, é importante continuar a ajustar e a refinar o plano de tratamento até a resolução de sintomas residuais e a normalização do funcionamento social (fase de tratamento agudo), após o que é indicada a continuação do tratamento (fase de manutenção), para se reduzir o risco de recorrência e a cronicidade.

Remissão sintomática incompleta está associada a aumento do risco de recaída e de suicídio, bem como a prejuízo funcional em atividades laborativas e sociais. Apesar da elevada prevalência de depressão maior e da introdução de novos e eficazes antidepressivos nos últimos 20 anos, recentes evidências demonstram alta prevalência de tratamento antidepressivo inadequado na prática clínica em termos de dose e duração, substituições frequentes e desnecessárias, assim como baixa adesão e taxas elevadas de abandono - todos fatores que contribuem para baixas taxas de remissão da depressão.

A causa mais comum de remissão incompleta na terapêutica farmacológica da depressão é o uso de subdoses de medicamentos antidepressivos e/ou duração insuficiente do tratamento, e a recomendação universal (para qualquer medicamento) de que os pacientes sejam tratados em dose adequada, por tempo adequado é particularmente relevante no tratamento da depressão. Frequentemente, os pacientes não recebem dose adequada de antidepressivo durante uma tentativa de tratamento, o que sugere que a não remissão (persistência de sintomas) pode estar mais relacionada a uma dose ineficaz do que à ineficácia do tratamento. Analogamente, há também evidência de que muitos pacientes não recebem doses terapêuticas de medicamentos antidepressivos por tempo suficiente.

Na prática clínica, a taxa de pacientes que atingem a remissão sintomática no primeiro tratamento antidepressivo está em torno de 35% de todos os pacientes tratados. Os demais necessitam duas ou mais tentativas farmacoterápicas. Esse resultado é insatisfatório e aumenta o risco de desenvolvimento de resistência ao tratamento. A depressão é considerada resistente ao tratamento se duas tentativas adequadas com medicação fracassarem. Fatores que aumentam a probabilidade de resistência ao tratamento antidepressivo incluem sintomatologia grave e comorbidades.

Estratégias para o manejo de pacientes que não respondem ao primeiro tratamento com medicação antidepressiva incluem a otimização da dose, a substituição do antidepressivo, a combinação de antidepressivos e a potencialização de antidepressivos com medicamentos psicoativos de outras classes, como lítio, hormônios tireoidianos, antipsicóticos atípicos e outros agentes. Além disso, os médicos devem fortalecer a aliança terapêutica com seus pacientes, informá-los sobre a doença e seus tratamentos, usar medidas objetivas de avaliação do tratamento e praticar a medicina baseada em evidências.



Referências:

1) WHO. Mental health: depression [acesso em 2011 Jul 13]. Disponível em: http://www.who.int/mental_health/management/depression/definition/en/.

2) Manning JS. What alternatives to first-line therapy for depression are effective? J Clin Psychiatry. 2010;71(1):10-5.

3) Thase ME. Treatment-resistant depression: prevalence, risk factors, and treatment strategies. J Clin Psychiatry. 2011 May;72(5):e18.

4) Trivedi MH, Daly EJ. Measurement-based care for refractory depression: a clinical decision support model for clinical research and practice. Drug Alcohol Depend. 2007 May;88(2):S61-71.

 

Fonte:

 

http://www.torrentonline.com.br/novoportal/tema/saudemental/?12188/O papel da subdosagem na cronificação da depressão

 

 


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