Neurologia/Neurociências - As novas recomendações em Alzheimer
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Neurologia/Neurociências

As novas recomendações em Alzheimer

01/08/2011

Especialistas brasileiros se reuniram para atualizar e tropicalizar as antigas recomendações, que serão as diretrizes oficias do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia pelos próximos cinco anos Por Daniela Barros


Vários critérios para pesquisa e para uso clínico relacionados à doença de Alzheimer têm sido publicados nos últimos anos. As primeiras recomendações para o diagnóstico e tratamento surgiram em 2005. Tratou-se de uma iniciativa do Departamento Científico (DC) de Neurologia Cognitiva e Envelhecimento (NCE) da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), que ainda rendeu a publicação de dois artigos de recomendações separados (diagnóstico e tratamento).

Como se sabe, a medicina não é uma ciência exata e passa por constantes processos de descobertas e aprimoramentos. Por isso, tornou-se imperativa a necessidade de que os médicos brasileiros fizessem uma revisão do que já havia sido publicado, colaborando com suas próprias experiências e indicando as diferenças quanto à nossa população.

A demência vascular tem uma alta prevalência na população. Assim, o DC também julgou necessário que critérios para o diagnóstico e tratamento desta enfermidade também fossem discutidos.

Uma força-tarefa envolvendo a Academia Brasileira de Neurologia junto ao laboratório Torrent, reuniu especialistas na cidade de São Paulo, nos dias 6 e 7 de maio de 2011. Os participantes foram divididos em sete grupos de trabalhos1  com o objetivo de estabelecer recomendações baseadas nas evidências disponíveis, classificando-as por níveis para que pudessem auxiliar no manejo dos pacientes com demência.

Foram convidados neurologistas membros do DC de NCE, além de outros neurologistas membros titulares da ABN e membros de outras especialidades médicas e especialidades a fim (psiquiatria, geriatria, radiologia, genética, psicologia, fonoaudiologia).

Os manuscritos resultantes desta extensa e importante revisão, pautada nos mais respeitados bancos de dados (PubMed, Medline, Cochrane Library, LILACS e SciELO), estão publicados na edição de junho do Dementia & Neuropsychologia (volume 5, suplemento 1, junho de 2011). Esse material servirá como referência nacional (e como fonte de consulta internacional) para os profissionais, no que concerne diagnóstico e tratamento do Alzheimer e da doença vascular pelos próximos cinco anos, quando está prevista uma nova atualização.

Conheça, a seguir, as particularidades e os autores de cada um dos artigos que compõem esse compêndio, tão importante para os neurologistas brasileiros.

Critérios para o diagnóstico de doença de Alzheimer

No presente módulo, redigido por Norberto Anízio Ferreira Frota, Ricardo Nitrini, Benito Pereira Damasceno, Orestes Forlenza, Elza Dias-Tosta, Amauri B. da Silva, Emílio Herrera Junior e Regina Miksian Magaldi, foi realizada uma revisão das propostas de critérios clínicos e de pesquisa sugeridas por outras instituições e consensos internacionais.

A nova proposta para o diagnóstico de demência exige o comprometimento funcional e cognitivo, atingindo este último pelo menos dois dos seguintes cinco domínios a seguir: memória, função executiva, linguagem, habilidade visual-espacial e alteração de personalidade. No diagnóstico de doença de Alzheimer, dividiu-se a mesma em três fases: demência, comprometimento cognitivo leve e pré-clínica, sendo esta última somente para pesquisa clínica. No quadro de demência, foram aceitas outras formas de início que não a amnéstica e incluída a necessidade de exame de neuroimagem. O diagnóstico do comprometimento cognitivo leve é clínico, podendo, em situações de pesquisa, serem utilizados marcadores biológicos, buscando maior probabilidade de evolução para DA.

Diagnóstico de doença de Alzheimer no Brasil: exames complementares

Paulo Caramelli, Antonio Lúcio Teixeira, Carlos Alberto Buchpiguel, Hae Won Lee, José Antônio Livramento, Liana Lisboa Fernandez e Renato Anghinah assinam o módulo que revisa e atualiza as recomendações a respeito dos exames complementares para o diagnóstico da doença de Alzheimer no Brasil. As modalidades de exames foram agrupadas em seis categorias, sendo que a revisão, a análise crítica da literatura científica e as propostas iniciais de recomendação ficaram a cargo de cada um dos autores participantes deste módulo, todos com reconhecida qualificação na área específica de conhecimento. As recomendações foram, em seguida, amplamente debatidas pelos membros do grupo, chegando-se às recomendações finais, que, posteriormente, foram apresentadas, discutidas e votadas em reunião plenária com todos os demais participantes.

Avaliação cognitiva, comportamental e funcional

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, contribuindo para 60% dos casos de comprometimento cognitivo progressivo no idoso. O rastreio da doença, quando é clinicamente indetectável ou em seus estágios mais precoces, torna-se racional quando intervenções podem prevenir ou retardar as consequências da doença. Por outro lado, o claro benefício de rastrear todos os idosos assintomáticos não foi demonstrado, nem foi descartada a possibilidade de algum benefício. No entanto, há necessidade de avaliar cuidadosamente aqueles que apresentam queixas cognitivas ou relacionadas à cognição. Assim, os autores Márcia L. F. Chaves, Claudia C. Godinho, Claudia S. Porto, Letícia Mansur, Maria Teresa Carthery-Goulart, Mônica S. Yassuda e Rogério Beato foram responsáveis por discorrer sobre a avaliação cognitiva, comportamental e funcional na doença de Alzheimer. Eles revisaram a literatura atual e traçaram recomendações acerca de avaliação funcional, comportamental, áreas cognitivas específicas, entre outros. Eles ressaltam que as análises e recomendações realizadas focaram o diagnóstico de doença de Alzheimer.

Diagnóstico diferencial entre demência e transtornos psiquiátricos: critérios diagnósticos e exames complementares

No presente artigo, os autores Cássio M. C. Bottino, Analuiza Camozzato de Pádua, Jerusa Smid, Renata Areza-Fegyveres, Tânia Novaretti e Valeria S. Bahia revisaram as recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (publicadas em 2005). Os objetivos principais desse artigo são: (1) apresentar as evidências encontradas em bases de dados brasileiras (LILACS, SciELO) e internacionais (MEDLINE), até maio de 2011, sobre o diagnóstico diferencial desses transtornos psiquiátricos com demência, tendo como foco especial a demência de Alzheimer e a demência vascular, incluindo os exames complementares que podem auxiliar neste processo diagnóstico; e (2) propor recomendações que podem ser úteis a clínicos e pesquisadores envolvidos com o diagnóstico de pacientes com demência.

O diagnóstico diferencial entre demência e outros transtornos neuropsiquiátricos deve sempre incluir a avaliação de depressão, delirium e o uso de substâncias psicoativas, tais como benzodiazepínicos, antiepilépticos e o padrão de consumo de bebidas alcoólicas. Os critérios diagnósticos atuais para demência exigem a exclusão de outros transtornos neuropsiquiátricos maiores, porém não estão disponíveis exames complementares que possam, com segurança, auxiliar de maneira definitiva nesse diagnóstico diferencial. A avaliação clínica cuidadosa e a utilização de instrumentos de rastreio já validados no Brasil podem melhorar a efetividade do clínico e do pesquisador no diagnóstico diferencial de demência e de outros transtornos psiquiátricos.

Tratamento da doença de Alzheimer

Esse texto apresenta as recomendações da Academia Brasileira de Neurologia, por intermédio do seu Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento, para o tratamento da doença de Alzheimer no Brasil. Trata-se de uma revisão ampliada das recomendações publicadas em 2005, realizada por Francisco de Assis Carvalho do Vale, Ylmar Corrêa Neto, Paulo Henrique Ferreira Bertolucci, João Carlos Barbosa Machado, Delson José da Silva, Nasser Allam e Márcio Luiz Figueredo Balthazar.

Os autores fizeram uma busca de artigos publicados a partir de 2005 nas bases MEDLINE (PubMed), LILACS e Cochrane Library. Os estudos foram categorizados em quatro classes, e as evidências, em quatro níveis, com base nas recomendações da Academia Americana de Neurologia publicadas em 2008. As recomendações terapêuticas referem-se à fase demencial da doença de Alzheimer. Apresentam-se recomendações para: farmacoterapia dos transtornos cognitivos, incluindo inibidores da acetilcolinesterase (IAChE), memantina e outros fármacos e substâncias; farmacoterapia dos sintomas comportamentais e psicológicos na demência (SCPDs), incluindo antipsicóticos, benzodiazepínicos, antidepressivos, anticonvulsivantes, IAChE, memantina e outros fármacos e substâncias; e tratamento não farmacológico dos transtornos cognitivos e dos SCPDs.

Demência vascular, critérios diagnósticos e exames complementares

O objetivo do grupo de trabalho do módulo "Demência vascular, critérios diagnósticos e exames complementares: recomendações do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Academia Brasileira de Neurologia" é o de propor diretrizes básicas fundamentadas em evidência para serem utilizadas por especialistas (neurologistas, psiquiatras, geriatras) e outros médicos que tomam a responsabilidade de atender e oferecer cuidados a pacientes com demência vascular.

Os membros deste grupo são Eliasz Engelhardt, Carla Tocquer, Charles André, Denise Madeira Moreira, Ivan Hideyo Okamoto e José Luiz de Sá Cavalcanti.

A evidência para essas diretrizes foram selecionadas a partir de publicações obtidas por meio de busca em bases de dados (MEDLINE, SciELO, LILACS), compreendendo artigos científicos, revisões sistemáticas, meta-análises, preferencialmente dos últimos 15 anos, ou anteriores, quando pertinentes. Além disso, foram consultados consensos sobre o tema ou de assuntos correlatos.

Tratamento da demência vascular

O diagnóstico de comprometimento cognitivo vascular (CCV) e demência vascular (DV) ainda permanece controverso. Como existem vários critérios na literatura, a sua discussão para o Brasil é de suma importância para melhor conhecimento, diagnóstico e compreensão dos mecanismos envolvidos no aparecimento do declínio cognitivo de causa vascular na nossa população.

O grupo composto por Sonia Maria Dozzi Brucki, Ana Cláudia Ferraz, Gabriel R. de Freitas, Ayrton Roberto Massaro, Márcia Radanovic e Rodrigo Rizek Schultz conduziu uma pesquisa eletrônica da literatura de estudos que avaliavam associação entre prevenção de CCV e DV; tratamento sintomático dos fatores de risco para doenças vasculares e cognição; e tratamento sintomático específico para cognição em pacientes com CCV e DV. Foram incluídos também artigos de revisão e meta-análise sobre os temas.

Os membros desse consenso delimitaram os temas escolhidos em: atividade física, dieta e suplementação alimentar, álcool, obesidade, tabagismo, tratamento da hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, apneia do sono e antiagregantes. No tratamento sintomático específico, foram avaliados os estudos com: inibidores das colinesterases e antagonistas do glutamato, citicolina, bloqueadores de canal de cálcio, cerebrolisina e pentoxifilina.

Nesse artigo, os autores discorrem sobre os achados de cada tema na revisão que fizeram e, por fim, tecem suas recomendações.


1 - Diagnóstico da doença de Alzheimer, critérios; exames complementares para o diagnóstico da doença de Alzheimer; avaliação cognitiva e funcional da doença de Alzheimer; diagnóstico diferencial entre demência e transtornos psiquiátricos; tratamento da doença de Alzheimer; diagnóstico da demência vascular, critérios e investigação; tratamento da demência vascular.

 

http://www.torrentonline.com.br/novoportal/tema/saudemental/?12184/

 

 


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