Os resultados podem levar a novas abordagens para reduzir ou até mesmo eliminar a resistência do câncer aos tratamentos.
A equipe, liderada por Dmitry Gabrilovich, revelou que as células mielóides podem se infiltrar nos locais do tumor e modificar a resposta das células T citotóxicas (CTL) em muitos pacientes. "Começamos a investigar uma possível explicação para o fracasso de CTLs na eliminação de tumores e descobrimos que a falha terapêutica foi o resultado da presença do radical livre peroxinitrito, ou PNT", afirmou o autor.
Gabrilovich e colegas focaram a maior parte da pesquisa em uma melhor compreensão sobre como os tumores desenvolvem maneiras de evitar o reconhecimento pelo sistema imune, assim como mecanismos tumorais associados a imunossupressão têm um efeito sobre o desenvolvimento e a eficácia das vacinas contra o câncer. Em particular, eles analisaram a forma como células mielóides perdem a capacidade de amadurecer, se tornam defeituosas e adquirem a capacidade de suprimir a resposta imune.
Eles demonstraram que em modelos de ratos com câncer, células supressoras derivadas da mielóide (MDSCs) que se infiltram no tumor se tornam uma fonte para PNT, a causa da resistência. "Os resultados sugerem que PNT pode estar afetando a ligação de peptídeos específicos. Os dados mostram que o radical livre afeta a formação de certos complexos de peptídeos, impedindo que CTL mate as células tumorais", explicou Gabrilovich.
Os pesquisadores investigaram a segunda fonte de PNT no microambiente tumoral que pode impedir CTL de se ligar às células tumorais. Eles examinaram tecidos tumorais de diversos tipos de cânceres, incluindo câncer de mama, pulmão e pâncreas, e começaram a procurar locais de produção PNT nas células tumorais através da coloração dos tecidos usando nitrotirosina (NT), conhecida por ser um marcador para a atividade PNT. "Em cada tipo de tumor, a coloração NT foi significativamente maior em células mielóides do que em células tumorais ou células epiteliais. Os dados sugerem que estas células são a principal fonte de células PNT e da resistência das células tumorais a CTLs", explicou o pesquisador.
De acordo com Gabrilovich, a pesquisa sugere que os tumores podem "escapar" ao controle imunológico, mesmo que potentes respostas CTL contra antígenos sejam geradas por meio de vacinas. "Este estudo também sugere que esta fuga pode ser reduzida por meio do bloqueio da produção de PNT com inibidores farmacológicos", concluiu.
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