Vascular/Cirurgia Vascular/Circulação - Oxigenoterapia hiperbárica no tratamento de feridas
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Vascular/Cirurgia Vascular/Circulação

Oxigenoterapia hiperbárica no tratamento de feridas

01/07/2003

A medicina hiperbárica possui dois grandes ramos de atividade:


a) dedicado a atividade profissional de mergulhadores, aeronautas e trabalhadores sob ar-comprimido, prevalecendo uma abordagem voltada à saúde ocupacional;
b) referente as aplicações clínicas da oxigenoterapia hiperbárica (OHB). O tratamento é efetuado em várias sessões, cujo nível de pressão, duração, intervalos e número total de aplicações são variáveis de acordo com as enfermidades. A OHB consiste na inalação de oxigênio puro com a pressão do ambiente aumentada de duas a três vezes acima de seu valor normal, estando o cliente no interior de uma câmara hiperbárica. Durante as sessões ocorre um aumento de 10 a 20 vezes na quantidade de oxigênio dissolvido nos tecidos.

 

 

APLICAÇÕES CLÍNICAS

 

Inúmeras são as indicações da OHB determinadas por vários protocolos aceitos internacionalmente:

1. Embolias gasosas.
2. Doença descompressiva.
3. Embolia traumática pelo ar.
4. Envenenamento por monóxido de carbono ou intoxicação por fumaça.
5. Envenenamento por cianeto ou derivados cianídricos.
6. Gangrena gasosa clostridiana.
7. Doença de Fournier.
8. Outras infecções necrotizantes de tecidos moles: celulites, fasciite e miosites, deiscência de sutura.
9. Isquemias agudas traumáticas: lesão por esmagamento, síndrome compartimental, reimplante de extremidades amputadas e outras.
10. Retalhos ou enxertos comprometidos ou de risco.

11. Vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas (aracnídeos, ofídios e insetos).
12. Queimadura complexa.
13. Lesões refratárias: úlceras de pressão, vasculogênica, neuropática (pé diabético) e outras.

14. Lesões por radiação: radiodermite, osteorradionecrose e lesões actínicas de mucosas.
15. Osteomielite crônica.
16.
Hipoacusia por ototoxidade a agentes quimioterápicos.
17. Anemia aguda nos casos de impossibilidade de transfusão sanguínea.

 

 

CONCEITOS SOBRE O USO OXIGÊNIO HIPERBÁRICO

 

Não se caracteriza como OHB a inalação de 100% de oxigênio em respiração espontânea ou através de respiradores mecânicos em pressão ambiente, ou ainda, exposição de membros ao oxigênio por meio de bolsas ou tendas, mesmo que pressurizadas, estando a pessoa em pressão ambiente. Na OHB o cliente deve estar dentro da câmara hiperbárica. Estas podem ser multiclientes que comporta simultaneamente várias pessoas, inclusive o médico e/ou enfermeiro especializado; ela é pressurizada e despressurizada com ar comprimido, sendo que nesta situação o oxigênio é respirado através de máscaras ou capuzes especiais (Foto 1 e 2). As câmaras monoclientes permitem a acomodação apenas do próprio cliente, é pressurizada diretamente com oxigênio puro não havendo necessidade de dispositivos especiais para a inalação deste gás.
Há limites pré-estabelecidos de exposição a OHB em termos de pressão e período de permanência, pois existem efeitos neurológicos, pulmonares e seios pneumáticos (paranasais, frontal, etc) e ouvido interno.

Antes de iniciar a terapia o cliente deverá ser submetido a anamnese e exame clínico completo, com particular atenção ao tímpano e sistema pulmonar. Ele deverá ser informado sobre todas as medidas de segurança como: utilização de vestimenta adequada fornecida despir-se de qualquer objeto de uso pessoal que possam originar fagulhas elétricas, pois o oxigênio é altamente inflamável.

Em condição hiperbárica a ação do oxigênio possui alguns mecanismos de particular interesse fisiológico, como:
- efeito anti-edematogênico facilitando o retorno venoso.
- ação microbicida ou microbiostática
através da inibição da biossíntese de aminoácidos, do transporte através da membrana bacteriana e da síntese e degradação do DNA da bactéria.
- ação bioquímica oxidativa deslocando substâncias tóxicas.
- efeito sinérgico com outras drogas, como antibióticos sistêmicos.
- efeito regenerativo facilitando a neoangiogênese e a formação de colágeno.

A OHB atua acelerando a formação do tecido de granulação e como coadjuvante no controle da infecção. Seus resultados são evidentes no tratamento de fasciites necrotizantes extensas e síndrome de Fournier. O grande desafio tem sido pesquisar e sistematizar protocolos que demonstrem cientificamente o potencial clínico deste indiscutível recurso terapêutico.

 

 

PARA SABER MAIS... Consulte o livro do Feridólogo!  NOVA ABORDAGEM NO TRATAMENTO DE FERIDAS
Dr. Luiz Cláudio Candido. Editora SENAC-SP, São Paulo, 2001.


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