Ecossistema
Na natureza, nenhum ser vivente é isolado. No ecossistema "natural", todas as comunidades de seres vivos se inter-relacionam de maneira equilibrada. Assim, os vegetais considerados produtores, crescem pela incorporação da energia solar. Os animais consumidores, se alimentam dos vegetais, de insetos ou de outros animais. A morte de todos os seres vivos, a queda de folhas, a decomposição, de todos os resíduos, devolvem ao ambiente os materiais iniciais, completando o ciclo.
A Natureza tem mecanismos para assegurar a estabilidade dos sistemas ecológicos e a capacidade de selecionar os seres mais capazes das permanentes modificações ambientais, ou seja, os "mutantes".
Foi um destes mutantes que trouxe mudanças nas regras do jogo do ecossistema.
Há mais ou menos quatro milhões de anos, apareceu um ser ancestral que por sua tendência a ficar sobre dois pés, podia correr com rapidez sobrevivendo ao desaparecimento dos bosques. Os primatas e que não tiveram essa evolução morreram por não poder se alimentar nem escapar de animais maiores. Além disso, os acasalamentos entre indivíduos "bípedes"(dois pés) possibilitaram uma seleção adaptativa que levou ao aparecimento de indivíduos eretos.
Estes "hominídeos" primitivos tinham também a característica de apresentar nas mãos o dedo polegar, oposto aos demais, o que permitia mais habilidade no manuseio de materiais. Assim foram criadas as primeiras ferramentas.
Porém, sem dúvida, a diferença mais importante que estes novos seres trouxeram ao ambiente natural foi a troca de informações que possibilitou a fala, escrita, o manejo do fogo, o aperfeiçoamento
dos utensílios, além do aparecimento da agricultura e da pecuária.
Quando o homem realiza esta revolução ecológica de cultivar a vontade vegetais, criar e domesticar animais úteis e agrupar-se em núcleos multifamiliares, ele passa a interferir nos mecanismos naturais de regulação ambiental.
As relações entre seres vivos sofrem, como tudo mais um processo de evolução, nem sempre positivo. Muito antes do surgimento do homem na terra, existia um equilíbrio entre os micróbios e os ancestrais de nossos animais, o que possibilitava ao animal adquirir resistência as doenças.
A interferência humana interrompeu as relações ambientais naturais mediante novas técnicas de criação, como a estabulação, a alimentação visando maior ganho de peso, a manutenção de muitos animais em menor espaço. Nestas circunstâncias, os animais foram se tornando cada vez mais sensíveis e necessitavam receber vacinas para adquirirem imunidade (processo artificial).
As íntimas condições de residência e contato entre homens e animais,fizeram com que determinados germes causadores de doenças nos animais se adaptassem à espécie humana.
Saindo do meio rural e criando as grandes cidades,o homem trouxe consigo um conjunto de espécies animais que podem ser classificados em duas categorias:
a) animais criados pelo homem com fins de trabalho, alimentação, esportes, ou razões efetivas. São os animais domésticos (cavalos, vacas, cabras, cães, porcos, gatos, pássaros , peixes, etc.)
b) animais que seguiram o homem atraídos pelas facilidades de abrigo e alimentação, contra a sua vontade. São os animais sinantrópicos (ratos, baratas, pombos, morcegos, pulgas, carra- patos, etc.)
Junto vieram também muitos agentes causadores de doenças que podem estar na saliva, no sangue, nas fezes, na urina, no leite, na carne, ou nos pelos desses animais e do homem que podem ser transmitidos entre si através da água, do ar, dos alimentos, da picada de insetos, da mordida, etc.
Agora, pense um pouco: numa cidade como a nossa, onde cães, gatos e até porcos são criados em apartamentos, onças, macacos e papagaios são criados nos quintais, onde crianças são mordidas por ratos nos berços onde muitas vezes se bebe água poluída, onde se dorme sob viadutos, onde se come alimentos de origem duvidosa (churrasquinho de gato), onde se defeca à beira de córregos, onde as casas são invadidas por água de esgoto nas enchentes, como fica esse tal de ecossistema?
Não podemos nos esquecer: o homem tem comportamentos, crenças, religiões, hábitos e tradições que só o próprio pode mudar.
A Natureza é perfeita. Mas não é milagrosa.
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