Como prevenir o declínio funcional em pessoas idosas
The New England Journal of Medicine 2002;347:1068-1074
O declínio funcional em idosos fisicamente frágeis está associado com uma morbidade substancial. Não se sabe ao certo até que ponto o declínio funcional pode ser prevenido.
Recentemente o Dr. Thomas M. Gill da Yale University School of Medicine e colegas publicaram um estudo randomizado com 188 pessoas de 75 anos ou mais que eram fisicamente frágeis e moravam em casa. Os pacientes foram randomizados para participar de um programa de intervenção domiciliar de seis meses que incluía fisioterapia e procurava reduzir déficits nas habilidades físicas, incluindo equilíbrio, força muscular e mobilidade, ou para participar de um programa educacional (como controle). O desfecho primário foi a alteração entre o basal e 3, 7, e 12 meses na avaliação em uma escala de inaptidão baseada em oito atividades da vida diária: caminhar, banhar-se, vestir a parte superior e inferior do corpo, levantar de uma cadeira, usar o banheiro, comer, e cuidar-se. A escala variava de 0 a 16, com escores mais altos indicando inaptidão mais grave.
Os participantes do grupo de intervenção tiveram um declínio funcional menor durante o tempo, de acordo com os escores de inaptidão, que os participantes do grupo controle. Os escores de inaptidão do grupo de intervenção e controle eram 2.3 e 2.8, respectivamente, no início; 2.0 e 3.6 em 7 meses (P= 0.008 para a comparação entre os grupos da alteração em relação ao inicial); e 2.7 e 4.2 em 12 meses (P=0.02). O benefício da intervenção foi observado entre participantes com fragilidade moderada, mas não naqueles com fragilidade grave. A freqüência de admissões em uma casa de cuidados não diferiu significativamente entre o grupo de intervenção e o controle (14 % e 19%, respectivamente; P=0.37).
Com estes resultados, os autores concluíram que um programa domiciliar enfocando deteriorações nas habilidades físicas poderia reduzir a progressão do declínio funcional entre idosos fisicamente frágeis que moram em casa.
Fonte: The New England Journal of Medicine 2002;347:1068-1074