RESÍDUOS DE LABORATÓRIO
Ao se rotular resíduos de laboratório é importante levar em conta que as classificações gerais ou específicas devem ser usadas como diretrizes básicas e que sempre deve-se fazer um diagnóstico local pormenorizado de itens, características toxicológicas, natureza das exposições a estes resíduos, volumes envolvidos, etc.
A seguir estão descritos alguns sistemas de classificação que são baseados na incompatibilidade química e riscos de exposição por inalação e dérmica principalmente.
Regras gerais
Grandes volumes - colete os resíduos sólidos, luvas contaminadas, vidros, papéis, etc, em caixas de papelão com dois sacos de plástico.
Os líquidos devem conter a descrição da natureza de solutos e solventes e concentrações. Também descrever a quantidade de água presente. Procure ser o mais exato possível nas descrições.
Classificação
Um resíduo químico é considerado de risco quando listado especificamente em publicações dos órgãos oficiais de controle, nacionais e internacionais ou se ele se enquadra em uma das quatro características a seguir:
1. Resíduo que possa servir como fonte de ignição
Um líquido que tenha o ponto de fulgor de menos que 140ºC. Um sólido capaz de causar fogo por fricção ou absorção de umidade ou que sofre mudanças químicas espontâneas que resultem em queima vigorosa e persistente.
2. Resíduos corrosivos
soluções aquosas de pH menor ou igual a 2 ou maior ou igual a 12,5
3. Resíduos reativos
Soluções aquosas de materiais instáveis que sofram mudanças químicas violentas sem detonação, possam reagir violentamente com água formando misturas potencialmente explosivas ou que possam gerar gases perigosos ou possivelmente letais. Materiais detonantes ou explosivos também se incluem nesta classe
4. Resíduo tóxico
Resíduo que contém um dos seus componentes em concentrações iguais ou maiores que os valores das tabelas de concentração máxima de resíduos tóxicos.
Os resíduos químicos também podem ser classificados como resíduos de processo ou descarte de materiais químicos comerciais. Esta distinção é importante na rotulagem. Um resíduo de processo é aquele que em virtude de algum uso, processo ou procedimento, não atende as especificações originais do fabricante. Exemplos: efluentes de colunas cromatográficas, produtos diluídos, misturas reacionais, papéis contaminados, etc.
Um produto comercial (nunca processado) deve ser descartado no frasco original. Exemplos: pequenos frascos de produtos antigos nunca utilizados de laboratórios, áreas de serviço, etc.
Mesmo que um resíduo de laboratório não se enquadre em nenhuma destas classes ou esteja listado nas tabelas deve haver regras específicas de descarte definidas no âmbito da própria instituição.
Algumas classificações específicas de resíduos.
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soluções de formol ou formaldeído
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soluções diluídas devem ser estocadas segundo critérios específicos definidos por órgãos oficiais ou no Plano Interno de Higiene Química da instituição. O formaldeído é um agente suspeito de provocar câncer com baixos índices de exposição permitida e poucos sintomas de advertência.
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soluções de brometos de etídio
Géis de brometo de etídio - colete em sacos plásticos duplos. O descarte deve ser feito segundo normas específicas de órgãos oficiais ou da própria instituição.
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líquidos que sejam fontes de ignição e solventes orgânicos
mantenha separados solventes halogenados de solvente não-halogenados se possível. Separe os solventes orgânicos de soluções aquosas quando possível.
Mantenha os solventes acidificados separados de outros solventes e resíduos ácidos.
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ácidos, bases e soluções aquosas
não misture ácidos inorgânicos fortes ou oxidantes com compostos orgânicos. Mantenha ácidos, bases e soluções aquosas contendo metais pesados separados de outros resíduos.
Evite misturar ácidos e bases concentradas num mesmo recipiente.
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Soluções contendo mercúrio
- mantenha estes resíduos separados de todos os outros
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materiais corrosivos
os resíduos listados a seguir não devem ser misturados a quaisquer outros em nenhuma circunstância. Estes líquidos devem ter recipientes especiais para seu descarte.
ácido nítrico em concentrações superiores a 40%
ácido perclórico
peróxido de hidrogênio em concentração superior a 52% em peso
ácido nitroclorídrico
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resíduos tóxicos
verifique as tabelas e siga procedimentos específicos de descarte
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resíduos muito tóxicos
procedimentos especiais definidos por órgãos oficiais ou no plano de higiene química da instituição
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resíduos de amianto
devem ser fixados em aglomerantes naturais ou artificiais como, cimento, plástico, asfalto ou resinas. Seguir procedimentos definidos pela instituição.
adaptado de publicação da Michigan State University
ELIMINAÇÃO DE RESÍDUOS DE LABORATÓRIO
Os produtos químicos de laboratório são geralmente resíduos de "caráter especial". A eliminação de tais resíduos deve ser cuidadosa observando-se as leis físicas válidas em seu correspondente estado (ou forma). Recomenda-se sempre o contato com órgão responsável ou com o responsável no programa de higiene química da instituição.
RECOLHIMENTO DE RESÍDUOS DE LABORATÓRIOS
Para que tais resíduos de laboratório possam ser eliminados de forma adequada é necessário ter-se a disposição recipientes de tipo e tamanho adequados. Os recipientes coletores devem ter alta vedação, serem confeccionados de material estável e em alguns casos serem combustíveis. Deve-se colocar em local ventilado principalmente quando contiverem solventes. Nos recipientes C, E e I os resíduos são colocados em embalagens separadas devendo ser de plástico resistente ao rompimento. Para se proteger de danos no transporte é necessário se utilizar material de amortecimento (ex. vermiculita). Os líquidos derramados podem ser absorvidos facilmente com Chemizorb granulado ou em pó ou equivalente. Na falta deste pode-se usar uma mistura de areia, resíduos de cerâmica porosa e bicarbonato de cálcio.
Os recipientes coletores devem ser caracterizados claramente de acordo com o seu conteúdo, o que também implica em se colocar símbolos de periculosidade.
Deve-se lembrar que aqui são descritas regras gerais, que devem ser utilizadas como apoio, mas recomenda-se que antes da produção de qualquer resíduo se faça um planejamento específico.
Para se eliminar resíduos de laboratório é frequentemente necessário inativá-los conforme um dos métodos a seguir.
CLASSIFICAÇÃO DOS RECIPIENTES
- Solventes orgânicos e soluções de substâncias orgânicas que não contenham halogênios.
- Solventes orgânicos e soluções orgânicas que contenham halogênios
- Resíduos sólidos de produtos químicos orgânicos que são acondicionados em sacos plásticos ou barricas originais do fabricante
- Soluções salinas; nestes recipientes deve-se manter o pH entre 6 e 8
- Resíduos inorgânicos tóxicos, como por exemplo, sais de metais pesados e suas soluções; descartar em frascos resistentes ao rompimento com identificação clara e visível (consultar padrão de sua instituição ou legislação específica)
- Compostos combustíveis tóxicos; em frascos resistentes ao rompimento com alta vedação e identificação clara e visível
- Mercúrio e resíduos de seus sais inorgânicos
- Resíduos de sais metálicos regeneráveis; cada metal deve ser recolhido separadamente
- Sólidos inorgânicos
RECOLHIMENTO E DESATIVAÇÃO DE RESÍDUOS DE LABORATÓRIO
A finalidade destas indicações é transformar produtos químicos ativados em derivados inócuos para permitir o recolhimento e eliminação segura.
Ao se manejar produtos químicos de laboratório e principalmente ao se desativar produtos químicos deve-se ter a máxima precaução, visto que são muitas vezes reações perigosas. Todos os trabalhos devem ser executados por pessoal habilitado com o uso de roupas e material de proteção adequados a cada finalidade. Insiste-se para que a inativação seja feita em escala reduzida, podendo-se fazer adaptações.
A seguir são indicados métodos de eliminação e desativação de produtos de laboratório.
- Solventes orgânicos isentos de halogênios - Recipiente Coletor A.
- Solventes orgânicos contendo halogênios - Recipiente Coletor B.
- Reagentes orgânicos relativamente inertes, do ponto de vista químico, recolhidos no recipiente coletor A. Se contiverem halogênios no Coletor B. Resíduos sólidos no Coletor C.
- Soluções aquosas de ácidos orgânicos são neutralizadas cuidadosamente com bicarbonato de sódio ou hidróxido de sódio - Recipiente Coletor D. Os ácidos carboxílicos aromáticos são precipitados com ácido clorídrico diluído e filtrados. O precipitado é recolhido no Coletor C e a solução aquosa no Coletor D.
- Bases orgânicas e aminas na forma dissociada - Recipiente Coletor A ou B. Recomenda-se frequentemente, para se evitar maiores odores, a cuidadosa neutralização com ácido clorídrico ou sulfúrico diluído.
- Nitrilos e mercaptanas são oxidados por agitação por várias horas (preferivelmente à noite) com solução de hipoclorito de sódio. Um possível excesso de oxidante é eliminado com tiossulfato de sódio. A fase orgânica é recolhida no recipiente A ou B e a fase aquosa no recipeiente D.
- Aldeídos hidrossolúveis são transformados com uma solução concentrada de hidrogenossulfito de sódio a derivados de bissulfitos. Recipiente Coletor A ou B.
- Compostos organometálicos, geralmente dispersos em solventes orgânicos, sensíveis a hidrólise, são gotejados cuidadosamente sob agitação em n-butanol na capela. Agita-se durante a noite e se adiciona de imediato um excesso de água. A fase orgânica é recolhida no Coletor A e a fase aquosa no recipiente D.
- Produtos cancerígenos e compostos combustíveis, classificados como tóxicos ou muito tóxicos - Recipiente Coletor F.
- Peróxidos orgânicos são destruídos e as fases orgânicas colocadas no recipiente A ou B e aquosa no recipiente D.
- Halogenetos de ácido são transformados em ésteres metílicos usando-se excesso de metanol. Para acelerar a reação pode-se adicionar algumas gotas de ácido clorídrico. Neutraliza-se com solução de hidróxido de potássio. Recipiente Coletor B.
- Ácidos inorgânicos são diluídos em processo normal ou em alguns casos sob agitação em capela adicionando-se água. A seguir neutraliza-se com solução de hidróxido de sódio. Recipiente Coletor D.
- Bases inorgânicas são diluídas como ácidos e neutralizadas com ácido sulfúrico. Recipiente Coletor D.
- Sais inorgânicos - Recipiente Coletor I. Soluções - Recipiente Coletor D.
- Soluções e sólidos que contém metais pesados - Recipiente Coletor E.
- No caso de sais de tálio, altamente tóxicos e suas soluções aquosas é necessário precaução especial - Recipiente Coletor E. As soluções são precipitadas com hidróxido de sódio (formam-se óxidos de tálio) com condições de neutralização.
- Compostos inorgânicos de selênio - Recipiente Coletor E. O selênio elementar pode ser recuperado oxidando-se os concentrados em capela com ácido nítrico concentrado. Após a adição de hidrogenossulfito de sódio o selênio elementar é precipitado. Recipiente Coletor E.
- No caso de berílio e sais de berílio (altamente cancerígenos) recomenda-se precauções especiais. Recipiente Coletor E.
- Compostos de urânio e tório devem ser eliminados conforme legislação especial.
- Resíduos inorgânicos de mercúrio - Recipiente Coletor G.
- Cianetos são oxidados com hipolclorito de sódio, preferencialmente à noite. O excesso de oxidante é destruído com tiossulfato. Recipiente Coletor D.
- Peróxidos inorgânicos são oxidados com bromo ou iôdo e tratados com tiossulfato de sódio. Recipiente Coletor D.
- Ácido fluorídrico e soluções de fluoretos inorgânicos são tratados com carbonato de cálcio e filtra-se o precipitado. Sólido - Recipiente Coletor I e solução aquosa - Recipiente Coletor D.
- Resíduos de halogênios inorgânicos, líquidos e sensíveis à hidrólise são agitados na capela em solução de ferro e deixados em repouso, durante à noite. Neutraliza-se com solução de hidróxido de sódio. Recipiente Coletor E.
- Fósforo e seus compostos são muito inflamáveis. A desativação deve ser feita em atmosfera de gás protetor em capela. Adiciona-se 100 mL de solução de hipoclorito de sódio 5% contendo 5 mL de hidróxido de sódio 50%, gota a gota. Em banho de gelo, à substância que se quer desativar. Os produtos de oxidação são precipitados e separados por sucção. Precipitado - Recipiente Coletor I e solução aquosa - Recipiente Coletor D.
- Metais alcalinos e amidas de metais alcalinos, bem como os hidretos, decompõem-se explosivamente com a água. Por isso estes compostos são colocados com a máxima precaução em 2-propanol, em capela com tela protetora e óculos de segurança. Se a reação ocorrer muito lentamente pode-se acelerar com adição cuidadosa de metanol. Em caso de aquecimento da solução alcóolica deve-se interromper o processo de destruição da amostra. Obs. Nunca esfriar com gelo, água ou gelo seco. Recomenda-se deixar em repouso durante a noite, diluindo-se no dia seguinte com um pouco de água e neutralizando-se com ácido sulfúrico. Recipiente Coletor A.
- Os resíduos que contenham metais preciosos devem ser recolhidos no recipiente Coletor H para reciclagem. Solução aquosa - Recipiente Coletor D.
- Alquilas de alumínio são extremamente sensíveis à hidrólise. Para o manejo seguro destes recomenda-se o uso de seringa especial. Deve-se colocar se possível no frasco original ou no Recipiente Coletor F.
- Os produtos para limpeza quando contenham substâncias contaminantes são colocados no recipiente D.
As informações aqui contidas foram adaptadas de publicações da SIGMA-ALDRICH.