O que é?
A laringe é um órgão tubular oco que permite, durante a respiração, a comunicação entre o ar que passa pela boca e pelo nariz em direção à traquéia e aos pulmões. Além da fisiologia da respiração, a laringe participa da deglutição dos líquidos e dos alimentos e da produção da voz. O tecido que a reveste internamente é constantemente exposto à ação de partículas suspensas no ar inalado e suas células podem reagir multiplicando-se continuada e desordenadamente, infiltrando e destruindo as estruturas vizinhas. Estas células formam um tumor, o câncer da laringe (sendo o tipo mais comum, o chamado carcinoma epidermóide)
Quais são as causas ?
As causas do câncer da laringe ainda não são totalmente conhecidas. Sabemos entretanto, que a exposição crônica a alguns fatores pode predispor as pessoas a este tipo de tumor maligno. A inalação da fumaça resultante da queima do tabaco, coloca o revestimento de toda via aerodigestiva em contato com substâncias reconhecidamente cancerígenas e isto faz com que quase todo portador de câncer de laringe seja também um fumante. Outros fatores podem estar envolvidos: hábitos (bebidas alcoólicas), ocupação (metalurgia, indústria têxtil, amianto, combustíveis), genéticos, etc.
Como se manifesta ?
O sintoma mais comum no paciente com tumor de laringe é a rouquidão. Ela difere da rouquidão relacionada ao esforço vocal ou à laringite ligada a processos gripais porque ela aparece sem causa aparente, não vem acompanhada de febre ou dor, é progressiva e persiste quando normalmente outras doenças evoluem para a cura. Geralmente ocorre em homens, fumantes e com mais de 40 anos de idade. Se não tratado nesta fase inicial, esta rouquidão pode evoluir para dor à deglutição e falta de ar. Nesta fase mais avançada podem aparecer nódulos no pescoço.
Como se confirma o diagnóstico ?
O diagnóstico clínico é feito através do exame da laringe por meio de uma laringoscopia. A confirmação só vem com a retirada de um pequeno fragmento para exame microscópico. Este exame, chamado de diagnóstico histopatológico é condição essencial para a proposta de tratamento.
Como é tratado ?
O câncer de laringe pode ser tratado com cirurgia ou radioterapia. Estas duas armas terapêuticas podem ser empregadas isoladamente ou associadas. A quimioterapia é indicada para os tumores maiores e, geralmente, em combinação com a radioterapia. A cirurgia consiste na retirada do tumor. Este tumor precisa ser removido rodeado de tecidos sadios pois, se a remoção se fizer muito próxima de seus limites, com todo câncer há tendência à recorrência. Para pequenos tumores é possível se praticar uma cirurgia por via endoscópica, isto é, sem cortes externos. Pode-se remover parcial ou totalmente a laringe e, dependendo da extensão do tumor, será necessária a realização de uma cirurgia maior ou menor. O tratamento de tumores pequenos em geral garante pequena alteração da voz e a respiração e alimentação não são comprometidas. Se for preciso remover toda a laringe ou uma parte muito grande dela, o paciente deverá permanecer com uma traqueostomia definitiva. A traqueostomia coloca em comunicação o ar dos pulmões diretamente com a região inferior do pescoço e o paciente não terá mais uma voz normal. Atualmente, alguns pacientes podem ser beneficiados com "protocolos de preservação de órgãos". Estes protocolos propõem o emprego da associação da radioterapia e da quimioterapia como uma alternativa à laringectomia total.
Entretanto, esta opção terapêutica só se justifica quando existem partes funcionalmente preservadas da laringe e, se o tumor for muito extenso e provocar destruição maciça dos tecidos, não existe condição para se conservar a laringe. São portanto reservados a tumores pequenos e que por sua localização primária ou por sua extensão torna-se impraticável a realização de uma laringectomia parcial. O cirurgião de cabeça e pescoço, que assiste o paciente, deve ponderar as diferentes variáveis que devem ser observadas na escolha do melhor plano terapêutico pois, a resposta ao tratamento depende da localização do tumor, do tipo histológico, do grau de diferenciação, dos tecidos vizinhos comprometidos, da idade e estado geral do paciente, da presença ou não de metástases linfáticas, etc.
Quais os índices de cura ?
Independentemente do tratamento escolhido, os índices de cura dos pacientes com tumores iniciais, são maiores que 90%. Entretanto, estas taxas vão decrescendo na medida que o câncer se torna mais avançado. Um dos fatores que mais reduz a possibilidade de cura é a presença de metástases para os linfonodos do pescoço. Estes dados apontam para a necessidade do diagnóstico em fases precoces da doença.
Como pode ser prevenido ?
O câncer de laringe está quase sempre associado ao hábito de fumar; em vista disto, a melhor medida preventiva é a cessação deste hábito. Quanto maior for o tempo de exposição e a intensidade do consumo, maior será o risco de se desenvolver um tumor maligno. Entretanto, se o indivíduo consegue abolir a exposição à fumaça resultante da queima do tabaco, quanto mais tempo passar, vai reduzindo-se gradativamente o risco de que um câncer venha a aparecer.
Obviamente, não é o cigarro o único fator incriminado na gênese do câncer de laringe. A poluição ambiental, o refluxo de suco gástrico que em alguns pacientes pode chegar até a laringe, exposição profissional a partículas cancerígenas em suspensão no ar que se respira e predisposição genética constituem fatores de risco nem sempre evitáveis.
Outra medida que se tem mostrado promissora é a administração de substâncias denominadas quimioprotetoras que parecem reduzir as taxas de incidência de câncer em populações de risco. Estas substâncias em geral são derivadas do ácido retinóico ou de carotenóides são encontradas sob a forma de medicamentos ou nos alimentos. Sob a forma de medicamento, deve-se procurar orientação médica pelos riscos de efeitos tóxicos que estes produtos podem ter. A mais segura e sem nenhuma contra-indicação é recomendação para que se consuma verduras escuras e frutas amarelas, que sabidamente são ricos em agentes quimioprotetores.
Revista do Hospital Heliópolis