O Brasil ganhou na semana passada seu maior centro de geneterapia. O Centro Interdisciplinar de Terapia Gênica, ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), foi inaugurado em uma área de mil metros quadrados, na zona sul da capital paulista. A inauguração deve atiçar polêmica na comunidade científica, porque, embora promissora, essa área da medicina tem sido cercada de falhas práticas e problemas de biossegurança. A terapia gênica tem como meta induzir o corpo do doente a produzir seu próprio "remédio", por meio da introdução de genes que possam repor aqueles com defeito ou ausentes no organismo. A técnica é bastante debatida, já que envolve manipulação genética de seres humanos. No novo centro, cinco laboratórios, liderados por pesquisadores de três departamentos da Unifesp, produzirão pesquisas e tratamentos em geneterapia. As principais linhas de pesquisa serão: desenvolvimento de vetores (meios de introdução dos genes "curativos" nas células, como vírus modificados), imunoterapia do câncer, doenças infecciosas e doenças cardiovasculares.
Folha Online de 5 de julho de 2003