Já é consenso que o sedentarismo é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares. O que ainda causa polêmica e se a pratica de exercícios físicos de forma muito intensa também pode aumentar o risco de ocorrências cardíacas, como o infarto. Para Antonio Carlos Pereira Barreto, diretor da Divisão de Cardiologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, a atividade física extenuante pode realmente desencadear infarto, mas isso ocorre em número relativamente pequeno de casos. Ele cita uma pesquisa divulgada no "New England Journal of Medicine" de dezembro de 1993, realizada com 1228 infartados nos Estados Unidos, em que apenas 4,4% dos casos foram relacionados com exercícios feitos até uma hora antes da ocorrência. Outro estudo, realizado na Alemanha com 1194 pacientes, também obteve resultados semelhantes, com 7,1% dos infartos ocorridos após atividade física intensa. Barreto ressalta que esses estudos concluem que o exercício pode provocar infarto do miocárdio em uma minoria de casos e especialmente em pacientes que não se exercitam com freqüência. Por outro lado, como essas mesmas pesquisas demonstram, a atividade física regular reduz bastante o risco de doenças cardio-vasculares. "Exercícios realizados regular-mente são protetores para o coração, reduzindo também o risco de que o esforço despendido no esporte possa desencadear infartos", completa o medico do Incor.
Fernando Carmelo Torres, especialista em Medicina Esportiva da Disciplina de Fisiologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo, compartilha da opinião de Barreto de que o mais arriscado e não realizar exercícios regulares. Acima de 35 anos, entretanto, e necessário avaliação médica e teste ergométrico. "Se a pessoa tiver algum fator de risco, como obesidade, diabetes, tabagismo ou hipertensão, deve ser avaliada independente da idade", explica ele, que também trabalha na Academia Fórmula e diversos clubes de basquete feminino. Além desses cuidados, Torres considera importante estabelecer a intensidade adequada para cada pessoa. Para quem não tem condições de fazer um teste de potência aeróbica, ele recomenda uma fórmula simples para chegar a pulsação média durante o treino. Ao se subtrair a idade de 220, obtem-se a freqüência cardíaca máxima. Aqueles que estão iniciando um condicionamento físico devem manter-se na faixa entre 65 e 70% deste limite máximo. Já para níveis mais adiantados de condicionamento esta porcentagem pode aumentar, alcançando no máximo 90%. Por exemplo, em uma pessoa de 20 anos o limite de batimentos cardíacos e de 200, mas ela deve treinar inicialmente com a pulsação entre 130 e 140.
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Uma outra questão que gera discussão diz respeito ao melhor horário para se praticar esporte. Recentemente , a imprensa divulgou a opinião de médicos sobre o suposto risco de se realizar atividade física no período da manha. Torres afirma que essas pesquisas sobre um suposto maior risco de infarto no período da manha ainda não são definitivas. |
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Uma prova disso e que mesmo clínicas de reabilitação cardíaca que trabalham com cardiopatias funcionam normalmente nesse período. Ele também lembra que não se constata na prática uma maior incidência de infartos nesse horário. No entanto, o médico da Academia Fórmula esclarece que existem alguns fatores fisiológicos que podem colaborar para esse suposto risco de infarto de manhã. "Ao acordar ha maior agregação de plaquetas aumentando a viscosidade sangüínea, o que associado a liberação de hormônios , pode predispor a formação de trombos", explica ele. "Mas se a pessoa tem fatores de risco, ela pode infartar em qualquer horário". Para Barreto, essa polêmica não e relevante, pois "ao invés de proibirmos atividade física pela manhã, deveríamos incentivar campanhas que mostrassem a necessidade da avaliação cardiológica antes de se iniciar um programa de condicionamento físico". Já é consenso que o sedentarismo e um importante fator de risco para doenças cardiovasculares. O que ainda causa polêmica é se a prática de exercícios físicos de forma muito intensa também pode aumentar o risco de ocorrências cardíacas, como o infarto.