Antienvelhecimento/Longevidade - Dor Crônica e Envelhecimento
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Antienvelhecimento/Longevidade

Dor Crônica e Envelhecimento

11/07/2003

 

Uma dor é considerada crônica sempre que a sua duração seja igualou superior a seis meses. As queixas dolorosas podem ocorrer em qualquer parte do corpo.

 Cerca de um em cada 10 pessoas sofre de dor crônica, cuja intensidade obriga à procura de cuidados específicos. Este fato não é uma conseqüência inevitável do envelhecimento. Na realidade, as pessoas mais novas podem sofrer mais vezes de dores fortes do Que as mais velhas. Quando se envelhece, a tendência é para se ter menos sensibilidade à dor, especialmente à dor de cabeça, à dor abdominal ou à dor facial.

 Nos idosos, a dor crônica é habitualmente o resultado de alterações estruturais ou funcionais causadas por doença. Os músculos e os ossos costumam ser a origem mais freqüente de dor crônica; no entanto, outros órgãos e tecidos moles do corpo também podem sofrer alterações causadoras de dor.

 As alterações nos vários tecidos, ossos, músculos e órgãos podem afetar os processos básicos de funcionamento do corpo. Assim, por exemplo, como o envelhecimento reduz a densidade óssea, esta pode levar à compressão dos ossos que formam a coluna vertebral -as vértebras. Por sua vez, os discos de cartilagem, situados nos espaços entre as vértebras, também podem ser danificados.

 Em resultado destas duas alterações, as pessoas vão ficando mais baixas. A redução da densidade torna também alguns ossos mais frágeis e, por isso, mais sujeitos a fratura.

 As fibras musculares não têm capacidade de se reproduzir, pelo que o seu número vai diminuindo. Mas este fato pode ser compensado através da atividade física, que, praticada com regularidade, faz aumentar o tamanho e a força dos músculos. Esta é uma das razões por Que o exercício físico é tão importante ao longo de toda a vida.

 À medida que se envelhece, a massa muscular e a massa corporal magra diminuem, enquanto a massa gorda aumenta. Torna-se necessário, por isso, fazer uma alimentação equilibrada durante toda a vida, para evitar o excesso de peso no futuro.

 Muitas das mudanças que acontecem com a idade podem ser incomodas, mas não afetam o estado de saúde. Contudo, algumas alterações ósseas e de outros órgãos podem causar dor e, deste modo, afetar a saúde e a qualidade de vida.

 De entre as doenças provocadas pelas citadas alterações, destacam-se: osteoartrose (artrite não inflamatória), artrite reumatóide, osteoporose, dissolução de uma vértebra (espondilose), úlcera da perna, acidente vascular cerebral (vulgarmente conhecida por "trombose"), nevralgia (dor do nervo), dor fantasma (após amputação de um membro), herpes zoster (zona), falta de sangue nalguma parte do corpo (isquemia), angina de peito e inflamação do pâncreas ou de outro órgão.

 No caso de se ser atingido por alguma destas alterações, deve aprender-se a lidar com elas, prevenindo a dor, sempre que possível, e adaptando o meio e o estilo de vida de todas as formas que possam contribuir para reduzir ou controlar a dor, quando ela acontece. Perceber a causa da dor é também muito importante, porque pode ajudar a melhor a poder controlar.

 

AS CAUSAS DA DOR

 Controlar a dor crônica inclui a prevenção da incapacidade e da deficiência. Conhecendo a causa da dor, podem prevenir-se outros problemas físicos e psicológicos.

 

Por isso, é muito importante dizer ao médico assistente tudo o que se sabe sobre o começo, localização, duração e intensidade da dor, para que ele possa fazer um diagnóstico correto. Também é importante dizer-lhe em que medida é que a dor impede de se fazer uma vida normal. As escalas de avaliação da dor e do desempenho, como as que se mencionam nos QUADROS deste GUIA, podem ser particularmente úteis.

 Só depois do exame clínico, que pode também incluir análises e radiografias, é que deve ser feito o diagnóstico.

 A partir dele, com a ajuda do médico, da família e de todas as pessoas com quem se convive, pode-se elaborar um plano de controlo da dor. Outros profissionais, tais como enfermeiras, assistentes sociais ou fisioterapeutas, também poderão ajudar na execução do plano de controlo da dor.

 No entanto, o elemento mais importante desta equipa é a própria pessoa que tem a dor.

Qualidade de vida

 

Corno o conceito de qualidade de vida varia de pessoa para pessoa, deve dizer-se aos outros o que é que se considera melhor para si próprio e aquilo que se gostaria que fosse feito nesse sentido.

Por exemplo, no caso de se entender Que o estado de saúde Que se tem só permite fazer atividades físicas leves, estas devem ter apenas uma determinada duração, Que pode ir aumentando gradualmente.

Se cada um se sente mal consigo próprio ou triste, é importante rever a atitude em relação à dor de que sofre. Pode-se suportar melhor a dor se, a par desse sofrimento, se tiverem outras experiências agradáveis. Todavia, cada um é que sabe o que é melhor para si próprio.

 O convívio com outras pessoas, para além dos amigos e familiares, bem como a participação noutras atividades sociais, mesmo que seja pela primeira vez, pode ser muito importante.

 inalmente, o contacto com os elementos da equipa de saúde e o estabelecimento de uma relação de confiança com, pelo menos, um dos seus elementos pode ser valioso. No entanto, essa colaboração pessoal requer que ambas as partes concordem em alcançar objetivos realistas. Por exemplo, um deles poderá ser a ausência pura e simples da dor. Como isto, infelizmente, nem sempre é possível, será mais adequado procurar um controlo parcial da dor. Controlar, assim, a dor, tornando-a mais fraca e mais rara pode vir a ser o bastante para uma melhoria da qualidade de vida e das atividades diárias. O apoio de profissionais especializados e as ajudas técnicas possibilitarão o desenvolvimento e a revitalização da qualidade de vida.

As Ajudas

Ajudas domésticas

 

Um primeiro passo importante é a adaptação do espaço à situação em que se vive.

 É importante identificar tudo aquilo que causa agravamento da dor. Em seguida, devem ser feitas as alterações necessárias. Vamos dar alguns exemplos:

 

  • Se o subir de escadas agrava a dor nas pernas ou nas costas, as atividades diárias e os espaços devem ser reorganizados, de modo a evitar ou reduzir o uso de escadas.

 

  • Se o simples ato de sentar se torna doloroso, as cadeiras a utilizar devem ter uma configuração mais apropriada.

 

  • Se o andar também se torna difícil, devem ser colocados corrimãos nas divisões mais utilizadas da casa.

 

  • Se custar muito entrar e sair da banheira, poderá instalar-se um "poliban".

 

  • Se ao passar a ferro a dor no ombro e no braço aumenta, deve usar-se um ferro de engomar que necessite de menor pressão.

 

  • Se cozinhar ou lavar a louça são tarefas penosas, por se estar de pé.
  • Durante muito tempo, a pessoa deve sentar-se num banco ou cadeira.

 

  • Um carrinho de compras pode ser de grande utilidade para o transporte de pesos.

 

  • É conveniente fixar os tapetes, para não se escorregar.

 

 

Ao procurar-se adaptar o meio envolvente, é conveniente pedir a opinião do médico, enfermeiro ou fisioterapeuta. Também existem algumas Instituições e Organizações Não Governamentais disponíveis para prestar o necessário apoio.

 

Ajudas técnicas

 

Certas doenças, como a osteoartrose, podem afetar até os movimentos mais simples. Embora a sua cura não seja possível, pode melhorar-se a qualidade de vida do doente através da fisioterapia, da medicação e de ajudas técnicas.

 

  • A simples adaptação de tacões ou a colocação de palmilhas nos sapatos poderá ser suficiente para diminuir a dor nas costas e no pescoço.

 

  • Prateleiras, barras de agarrar ou barras de apoio em banheiras, assentos altos de sanitários, andarilhos e bengalas com ponteiras de borracha podem ajudar a ter autonomia.

 

Algumas ajudas simples podem ser importantes para desenvolver as atividades diárias, tais como: abrir e fechar torneiras, cortar pão ou carne, descascar vegetais, abrir embalagens e pacotes, lavar, calçar meias e sapatos, cortar unhas, coser roupa, fazer malha, jardinar ou, simplesmente, apanhar objetos caídos.

 Existem também acessórios e dispositivos que ajudam a comer e beber. Por exemplo, há dispositivos em forma de tubo que podem ser usados para adaptação ao cabo dos talheres. Há também cafeteiras, caçarolas e outras peças do trem de cozinha especialmente desenhadas e adaptadas, para facilitar a vida diária.

 

Apoio na comunidade

 

Apesar das nossas limitações, é importante alargarmos os nossos horizontes, para além da casa onde vivemos.

 Juntamente com familiares, vizinhos e amigos, podemos intervir socialmente no sentido de modificar o espaço que nos rodeia, de modo a facilitar a circulação de pessoas com limitações de ordem física, bem como de grávidas ou de pais com crianças pequenas. Em conjunto, com todas elas, é possível constituir alianças e criar sinergias, para se conseguirem algumas mudanças.

 

Por exemplo:

 

  • Mais tempo para atravessar as passadeiras com sinais luminosos.

 

  • Pavimentos antiderrapantes.

 

  • Rampas e elevadores.

 

  • Equipamentos desportivos acessíveis, como por exemplo, piscinas.

 

  • Centros de Dia, Associações, etc.

 

  • Facilidades no acesso a bibliotecas, teatros, cinemas, etc.

 

  • Transportes adequados de e para os locais acima referidos.

 

Identificando bem os problemas e as necessidades, pode-se mais facilmente sensibilizar as autarquias, o governo e as empresas para o que pode e deve ser feito no sentido de melhorar a qualidade de vida das pessoas com limitações de ordem física.

 

 

Os Estilos de Vida

 

A importância das atitudes

 

Muitas vezes há que aceitar as limitações e o agravamento da doença e fazer as necessárias adaptações. É certo que se torna fácil cair no pessimismo e na passividade, mas é muito importante estar-se preparado para esta fase da vida. O desenvolvimento de uma atitude positiva poderá tornar as coisas mais fáceis quando for preciso enfrentá-las.

 A participação em atividades interessantes e agradáveis pode alargar o círculo de amigos, o que irá facilitar a adaptação às novas situações.

 Perante as rápidas mudanças que caracterizam o nosso tempo, é necessária uma preparação adequada para rever atitudes e valores e para se estar a par dos acontecimentos e das transformações que se operam na sociedade e no mundo.

 

Assim, é mais fácil reorganizar o próprio estilo de vida e ajudar aqueles que enfrentam problemas ou crises semelhantes.

 

A capacidade de resolver problemas

 

Como lidar com problemas e situações preocupantes, causadoras de stress?

 A melhor forma é desenvolver capacidades que possibilitem enfrentar, resolver e ultrapassar as dificuldades. Isto implica aprender a "gerir" as dificuldades postas pelos novos problemas de saúde que podem surgir em qualquer fase da nossa vida.

 Para conviver com a dor crônica, há que ser capaz de reduzir a sua importância, tolerar e aceitar. Tudo dependerá da situação concreta.

 

Fatores que influenciam positivamente a forma de responder à dor crônica:

 

  • Estar ocupado;

 

  • Estar bem informado acerca das condições Que causam a dor.

 

Fatores que influenciam negativamente:

 

  • A existência de problemas anteriores não resolvidos;

 

  • A dificuldade em aceitar o envelhecimento;

 

  • Sofrimentos adicionais, tais como luto e solidão.

 

As estratégias para enfrentar os problemas que forem surgindo deverão ser mais ativas do que passivas.

 O apoio de outras pessoas é muito importante. Pode-se encontrá-lo no círculo de amigos e em numerosas atividades de carácter social ou cultural, direcionadas para o desenvolvimento e aquisição de novas capacidades e aptidões.

 Pode-se organizar atividades que dêem satisfação, no sentido de contrabalançar a experiência negativa da dor crônica.

 O controlo da dor por meio de medicamentos (analgésicos) deve ser feito de modo a prevenir o seu aparecimento. Não se deve esperar que a dor seja suficientemente intensa, para se tomar o medicamento receitado pelo médico.

 

Como enfrentar o stress

 

A palavra stress define um desequilíbrio entre as exigências e a capacidade de0 dar resposta.

 

 

Existem dois tipos de stress:

 

  • A chamada "tensão produtiva", que melhora a nossa eficácia;

 

  • O stress destrutivo, que pode ser causado por uma falta de harmonia com o meio que nos rodeia.

 

Algumas das causas mais freqüentes de stress destrutivo são: a falta de controlo sobre os acontecimentos, a incerteza e as alterações demasiado freqüentes. Até as pequenas dificuldades do dia-a-dia podem ter um efeito cumulativo e ser geradoras de stress crônico e destrutivo.

 Os sintomas de stress são variados, podendo incluir irritação, cansaço permanente, insônias, dores de cabeça, perda de apetite e palpitações.

 Os principais sinais são: rigidez muscular (que por sua vez vai agravar a dor já existente), batimento acelerado do coração e tensão arterial alta.

 

Relaxamento

 

A prática regular de exercícios de relaxamento pode ajudar a controlar a tensão excessiva e o stress.

 

Exemplo:

 

Feche os olhos e controle a sua respiração. Esta deve ser lenta e profunda. A seguir, procure relaxar os músculos do corpo. Pode começar pelos pés, seguindo-se as pernas, as coxas, as nádegas, o tórax, os braços, o pescoço e, finalmente, a cabeça, de modo a que todas as partes do seu corpo transmitam uma sensação de leveza. Procure estar neste estado durante cerca de 10 a 15 minutos. Ao reiniciar a atividade, faça-o gradualmente, sem brusquidão.

 

Repouso e sono

 

As insônias podem agravar as dores, designadamente, nos músculos e tecidos moles do corpo.

 Para dormir melhor durante a noite, pode ter de se rever o padrão de sono. É conveniente:

 

  • Evitar as sestas durante o dia;

 

  • Ir para a cama todos os dias à mesma hora da noite, de modo a que o corpo se habitue a uma rotina;

 

  • Praticar alguns exercícios de relaxamento, como os anteriormente referidos;

 

  • Evitar leituras ou programas de TV ou vídeos excitantes, antes de deitar;

 

  • Evitar o consumo de café ou chá antes de deitar, que podem ser substituídos por sopa ou leite;

 

  • Usar a roupa de cama adequada, para se conseguir uma temperatura confortável;

 

  • Manter uma posição que reduza a dor. Por exemplo, colocar as pernas acima das ancas para reduzir a dor causada pela falta de irrigação sanguínea das pernas (provocada, por exemplo, pela aterosclerose);

 

  • Fazer uso de dispositivo específico Que tenha sido prescrito para alívio da dor, como por exemplo, um colar cervical, no caso de espondilose cervical.

 

A prática regular de exercícios de relaxamento, semelhantes aos descritos, pode ser bastante útil, afastando o limiar da dor, causado por tensão ansiosa.

 

Posturas

 

Como dissemos, a dor nas pernas, causada por aterosclerose, pode ser aliviada elevando as pernas acima do nível da articulação da anca.

 Quando se pega em objetos pesados, é importante "fazer uso dos joelhos", dobrando-os, de modo a manter a coluna direita. Evita-se, assim, o aparecimento de lesões, tais como hérnias discais.

 O uso de uma cadeira de balanço pode contribuir para aliviar a sensação dolorosa nas costas. Da mesma forma, o uso de um colar cervical ou de um lombostato, prescritos pelo médico, pode também ser de grande utilidade quando se tem espondilose.

 

Manutenção da vida ativa e desenvolvimento de atividades lúdicas

 

Manter uma vida ativa significa não só continuar com as atividades e relacionamentos já existentes, como também criar outros novos. O círculo social pode ser alargado e enriquecido pela diversificação de interesses e pelo desenvolvimento da curiosidade natural.

 Todavia, isto deve ser feito de acordo com as capacidades de cada um, de forma a não agravar a sua dependência em relação aos outros.

 O leque de atividades a escolher é vasto. Pode incluir: artes, artesanato, correspondência postal e cursos diversos, tanto no local de residência como noutras instituições, como, por exemplo, as Universidades para a Terceira Idade. Os jornais, as bibliotecas ou mesmo os anúncios em Estabelecimentos Comerciais, Centros de Segurança Social, Autarquias ou Centros de Saúde poderão constituir boas fontes de informação. Muitas vezes, basta o contacto com mais duas ou três pessoas, para se fazer o alargamento rápido da rede de apoio. O mais difícil é dar o primeiro passo, mas convém não esquecer que as outras pessoas também podem precisar de ajuda.

Nalguns casos de doenças incapacitantes, existem associações específicas para as pessoas com esta ou aquela doença.

 Uma vida plena inclui, necessariamente, a capacidade de dar e receber amor nas suas expressões mais variadas. A sexualidade, a capacidade de responder fisicamente ao/a nosso/a parceiro/a, não deve parar nem declinar por causa da dor. O toque suave e o diálogo com o/a companheiro/a podem ser muito bons para os dois, mesmo que não haja ato sexual. Se não se está à vontade nestes assuntos, pode-se procurar ajuda exterior. Por exemplo, junto do médico de família, da enfermeira, da assistente social, do psicólogo, ou de um/a amigo/a. Tudo dependerá do relacionamento e do grau de confiança que se deposita nessas pessoas.

 

A partilha de experiências

 

Em vez de as pessoas se apegarem à dor, podem partilhar os seus conhecimentos com os outros.

 Uma das formas mais valiosas de trabalhar com e para as pessoas idosas é partilhar a sua experiência.

 Todos nós possuímos algum tipo de conhecimento específico que pode ser transmitido à outra geração, constituindo desta maneira um legado valioso. Esta partilha pode ir desde a habilidade em carpintaria, até aos conhecimentos lingüísticos, passando por gastronomia, esportes, etc.

 Nalguns países há escolas que pedem o apoio de idosos para as aulas de História. Quem melhor do que aqueles que viveram os acontecimentos para fazer a sua transmissão a crianças e adolescentes?

 Também se pode ajudar uma família recém-constituída. Apoiar uma família jovem será uma importante contribuição. Procurando não interferir na sua vida, poder-se-á ajudar nalgumas tarefas, como, por exemplo, levar os filhos a passear, ou convidá-los para uma refeição.

 A elaboração de um diário sobre os acontecimentos locais, nacionais e internacionais pode constituir uma forma extremamente útil de ligação ao mundo. Pode também permitir Que as futuras gerações tenham acesso a uma visão pessoal do mundo de hoje.

 Outra tarefa possível é a elaboração da árvore genealógica. Esta pesquisa poderá ser bastante proveitosa. Com ligação à história, a juventude atual poderá mais facilmente encontrar uma ponte entre o passado e o futuro, necessária, certamente, para o seu desenvolvimento.

 

Exercício físico regular

 

A prática de exercício físico regular ajuda a manter o corpo maleável e flexível. Contribui ainda para uma melhoria na postura, no visual, na força e no vigor. Desta forma, previne-se a dor e melhora-se a auto-imagem e a auto-estima.

 Apesar de a maioria das pessoas beneficiar com a prática do exercício físico, é importante consultar o médico antes de o iniciar. É igualmente importante aumentar a sua intensidade de forma gradual, especialmente se não tiver sido praticado há muito tempo.

 Se, em virtude da inatividade, se sentir dor e dificuldade de movimentação, a marcha e os exercícios de aquecimento com os ombros podem ser benéficos.

 De um adequado programa de exercício físico regular, pode resultar:

 

1 -Melhoria de funcionamento dos pulmões e do coração -o Que

Aumenta a capacidade de esforço. Logo, diminui a necessidade de se parar com cansaço e falta de ar.

 2 -Aumento da força -como se ativam o músculo, melhora-se a capacidade de continuar o esforço, sem necessidade de paragens freqüentes.

 3 -Aumento da elasticidade -por envolver músculos e articulações, tem como conseqüência à melhoria da capacidade de movimentos.

 O excesso de peso causa, muitas vezes, o agravamento da dor no pescoço e nas costas. O exercício físico pode facilitar a sua diminuição. O tipo de exercício que se escolher deve dar-nos satisfação. A natação e a dança são excelentes, assim como a marcha e o andar de bicicleta. A ginástica de manutenção pode ser igualmente muito útil para aliviar o stress e melhorar a função das articulações.

 

Algumas medidas práticas para alívio da dor crónica

 

Aplicação de calor

 

A utilização do calor, para o tratamento da dor, é uma prática ancestral. Ainda hoje não sabemos exatamente de que maneira a aplicação local de calor reduz a dor. Poderá haver duas explicações: uma, porque o calor causa um aumento da chegada de sangue para as áreas aquecidas, o que pode levar a uma melhoria do metabolismo; outra, porque o calor pode estimular as terminações nervosas cutâneas, alterando desta maneira a nossa percepção da dor.

 Além dos banhos e saunas, as botijas de água Quente são processos simples de aplicação local de calor, desde Que haja o devido cuidado para prevenir Queimaduras. Os fisioterapeutas podem ainda usar fontes de calor de origem mecânica, ultra-sons e ondas curtas.

 Os ultra-sons utilizam som de muito alta-frequência (cerca de um milhão de ciclos por segundo). Penetrando na pele, produz calor quando em contacto com uma estrutura mais dura, como é o osso.

 As ondas curtas são convertidas em calor nos tecidos mais profundos do corpo, ficando a pele com temperatura mais baixa (um princípio semelhante ao dos fornos de micro-ondas).

 

Aplicação de frio

 

O tratamento com frio também pode ser eficaz. Embrulha-se um pedaço de gelo num pano, ou colocam-se cubos de gelo num saco de plástico ou borracha, e esfrega-se, suavemente, sobre a área dorida, até a pele ficar dormente. Isto não deve ser feito por mais de 5 minutos, senão corre-se o risco de sofrer uma queimadura pelo frio. O frio pode ser útil, sobretudo nos braços, mãos, pernas e pés.

 

Massagem

 

A massagem pode relaxar os músculos e diminuir temporariamente os batimentos do coração e o ritmo respiratório.

 Pode-se aprender a identificar e localizar as zonas do corpo que estão tensas e fazer auto massagem nessas zonas.

 A massagem, antes do exercício, também ajuda os músculos a ficarem mais flexíveis, reduzindo assim o risco de lesão durante a atividade.

 A auto massagem pode abranger o pescoço e os ombros, mas as costas terão de ser massageadas por outra pessoa. O ambiente deverá ser sossegado e a sala deverá ter uma temperatura confortável. Se a pele estiver seca, com algumas gotas de gelou óleo de bebês, a massagem será mais fácil.

 Existem bons livros, vídeos e cursos de massagem. Mais uma vez, o médico ou a enfermeira poderá dar um conselho inestimável.

 

MASSAGEM DOS OMBROS: Pode ser feita em duas posições:

 

  • Sentado, com o apoio do braço numa mesa;

 

  • Deitado de lado, com a cabeça apoiada numa almofada.

 

Para relaxar o pescoço, deve-se massagear os músculos de cada um dos lados da coluna e dos ombros.

 

Medicamentos

 

Se o médico receitar medicamentos para aliviar a dor, é importante tomá-los com regularidade. Deve seguir-se a prescrição instituída para Que a dor possa ser controlada. É importante estar seguro sobre a forma de tomar os medicamentos: Quantas vezes e a Que horas. Se se admitir a possibilidade de falha da memória, deve fazer-se uma lista dos medicamentos, com o horário das tomas para cada dia e, depois, marcar com uma cruz as tomas já realizadas.

 Outras coisas importantes a fazer ou a evitar:

 

  • Dizer sempre ao médico quais os medicamentos que se está a tomar, mesmo aqueles que foram comprados sem receita médica. Os medicamentos para as dores podem ter reações com outros medicamentos e causar efeitos secundários perigosos.

 

  • Não tomar medicamentos fora de prazo, ou que tenham sobrado do tratamento de outra doença.

 

  • Não tomar medicamentos receitados para outra pessoa.

 

  • Não comprar qualquer medicamento, no caso de se estar a tomar outros já receitados pelo médico, sem ouvir primeiro a sua opinião.

 

  • Consultar o médico, se o medicamento receitado não estiver a fazer efeito, ou se estiver a causar reações secundárias. Porque vai havendo mudanças no corpo, ao longo do tempo, o medicamento pode ser absorvido e eliminado mais devagar, influenciando o seu efeito. É importante tomar nota disto, porque irá ajudar o médico a adaptar a dose e o horário das tomas.

 

  • Não deixar medicamentos ao alcance das crianças.

 

Estimulação elétrica nervosa transcutânea

 

Na infância aprendemos que, depois de um traumatismo, fazia bem esfregar o local atingido.

 A Estimulação elétrica Nervosa Transcutânea faz o mesmo, mas de forma mais eficaz. Tal como o esfregar com a mão é capaz de aliviar a dor em determinadas situações, tais como: dor nas costas, nos ombros e pescoço causados por osteoartrose (bicos de papagaio), lesão de nervo, dor de membro fantasma (que acontece depois de amputação de membro) e em alguns casos de nevralgia pós-herpética (dor intensa depois da "zona" ou cobrão).

 Um aparelho de estimulação elétrica nervosa transcutânea consiste num pequeno gerador, alimentado por pilhas, com dois eletrodos parecidos com aqueles que são usados para fazer eletrocardiogramas. Permite a aplicação de corrente na pele, muitas vezes sobre os pontos de acupuntura.

 

Outras técnicas de tratamento

 

Há outros tratamentos para a dor, tais como:

 

  • Acupuntura - Pessoas devidamente treinadas introduzem agulhas finas em pontos apropriados, rodando-as em seguida ou aplicando uma corrente elétrica durante cerca de 30 segundos. Isto pode contribuir para reduzir a tensão muscular e a dor.

 

  • Mecanoterapia e eletroterapia, que são terapias térmicas, isto é, tratamento pelo calor ou pelo frio.

 

  • Hidroterapia e balneoterapia, isto é, o tratamento com água, feito em estâncias balneárias.

 

  • A injeção num músculo ou nervo pode também ser um recurso a considerar.

 

Cirurgia

 

A dor crônica pode ser aliviada pela cirurgia.

 

  • A osteoartrose da anca ou do joelho pode ser tratada, com bons resultados, substituindo a articulação por uma prótese articular.

 

  • Quando a dor é causada por aterosclerose (obstrução de artérias), a artéria obstruída pode ser substituída por um enxerto.

 

  • Com a simpatectomia, o nervo que causa a contração dos vasos sanguíneos é cortado.

 

  • A colocação de bypass é efetuada quando a irrigação do coração está obstruída.

 

Psicoterapia

 

A dor pode transformar-se em sofrimento.

 

O tratamento adequado da ansiedade e da depressão diminui o sofrimento. Pode incluir também, para além da medicação, o aconselhamento psicológico.

 

O estabelecimento de uma boa relação com o psicoterapeuta é essencial para o sucesso. Devem ser feitas consultas regulares, independentemente da presença ou ausência de sintomas.

 

 


IMPORTANTE

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