O que é osteoartrite?
A osteoartrite, antes conhecida como osteoartrose ou simplesmente artrose, corresponde a um grupo de problemas que resulta em alterações anatômicas, com conseqüentes repercussões nas juntas (articulações), principalmente em:
- joelhos;
- quadris;
- mãos;
- coluna vertebral
Algumas vezes, apenas uma única articulação (junta) e comprometida, mas em outras situações, poucas ou muitas delas podem ser afetadas ao mesmo tempo e com intensidades diferentes.
Além de provocar dores, sensações de rigidez e edema (inchaço), a osteoartrite pode ocasionar limitações funcionais, tais como:
- perda de movimentos;
- deformidades;
- incapacidade total do membro, de acordo com a articulação atingida.
E uma doença muito freqüente, tanto que, segundo a experiência medica, a maioria das pessoas acima de 65 anos e cerca de 80% daquelas que já passaram dos 75 anos acabam sofrendo dessa enfermidade.
Pode surgir sem uma causa aparente, sendo então considerada primaria ou idiopática (sem causa conhecida) ou ter um fator identificado que favoreça seu aparecimento (fator predisponente); e a chamada osteoartrite secundaria.
Diversas conchegues tem sido relacionadas como agentes causais de osteoartrite secundaria, particularmente as doenças metabólicas, distúrbios anatômicos, traumas, artrites e infecções.
Quem pode ter osteoartrite?
Homens e mulheres que apresentam fatores de risco para o desenvolvimento da osteoartrite são os que estão mais expostos a essa doença. Tais fatores podem atuar por meio de dois mecanismos básicos, como mostra o quadro 1:
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Quadro 1
OSTEOARTRITE - Principais fatores de risco individuais |
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Suscetibilidade
(maior predisposição a doença) |
- Hereditariedade
- Obesidade
- Disfunções hormonais
- Hipermobilidade
- Artropatias (doenças das juntas)
- Outras doenças
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Fatores mecânicos |
- Trauma
- Uso repetitivo tanto no trabalho como no lazer e no esporte
- Desarranjos estruturais da própria articulação
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Hereditariedade
A herança genética e um importante componente na causa da osteoartrite, particularmente na sua forma poliarticular, em que são afetadas varias articulações. Ou seja, as pessoas que tem parentes com osteoartrite generalizada apresentam maior risco de desenvolver a doença.
Obesidade
O excesso de peso corporal pode estar associado com o desenvolvimento de osteoartrite nos joelhos em ambos os sexos. Entretanto, sua relação com a osteoartrite de quadril ainda e discutível. De qualquer ' maneira, a sobrecarga de peso acentua a dor nas articulações dos membros inferiores e da coluna lombar.
Disfunções hormonais
A predominância de osteoartrite poliarticular no sexo feminina sugere que este tipo de problema articular na mulher pode ser favorecido por alterações dos hormônios. Alias, essa doença parece ocorrer com maior freqüência apos a menopausa.
Hipermobilidade
Indivíduos com excesso de amplitude de movimentos, devido a muita flexibilidade nas articulações, apresentam risco maior de desenvolver osteoartrite.
Doenças das juntas (artropatias) e outras doenças
As enfermidades que causam inflamação das articulações (artropatias) podem ocasionar osteoartrite secundaria. Tem sido documentadas algumas associações entre osteoartrite e diabete melito. Alem disso, as doenças que alteram a estrutura da articulação estão fortemente relacionadas ao aparecimento e a progressão de osteoartrite.
Trauma
O trauma de forte intensidade e uma causa comum de osteoartrite de joelho, principalmente quando afeta os ligamentos ou os meniscos. Quando um menisco e retirado (meniscectomia), ha risco maior de desenvolvimento de osteoartrite. Os riscos aumentam com o avanço da idade, com a predisposição e com a época da meniscectomia. Em alguns casos, a doença pode se instalar em indivíduos mais jovens.
No trauma em que ocorre fratura ou luxação, pode haver alteração da função mecânica da articulação, o que pode predispor ao aparecimento de osteoartrite. São comuns os casos de fratura com subseqüente osteoartrite no ombro, punho, quadril ou tornozelo.
Uso repetitivo
Determinadas tarefas no trabalho podem agravar a dor nas articulações comprometidas. As atividades que precisam ser executadas em posição ajoelhada, por exemplo, costumam acentuar a osteoartrite de joelhos.
Algumas praticas esportivas ou de lazer aumentam os riscos de trauma, alem de poder agravar o quadro clínico dos portadores de osteoartrite.
Como se manifesta a osteoartrite?
Em algumas pessoas, a doença pode evoluir sem apresentar sintomas. Muitas juntas com evidência radiográfica de osteoartrite podem permanecer sem sintomatologia por longos períodos.
O aparecimento de sintomas e usualmente lento. A principio surge dor intermitente (que aparece e desaparece) na junta atingida, geralmente relacionada a esforço físico.
Pode também ocorrer sensação de rigidez articular, associada a um estado de dor de difícil localização. Alguns pacientes sofrem diminuição gradual da amplitude de movimentos das articulações afetadas.
Um trauma pode transformar uma articulação com osteoartrite sem sintoma em uma articulação muito dolorosa. Por exemplo, o individuo pode não perceber qualquer problema em seus joelhos ate que uma contusão nesse local torne a região bastante dolorida, levando ao aparecimento inicial de sinais e sintomas da doença - veja quadro 2.
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Quadro 2
OSTEOARTRITE - Principais sinais e sintomas |
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Sinais
- Pontos dolorosos nas margens da articulação
- Sensibilidade exagerada na articulação
- Inchaço articular
- Crepitações (atritos)
- Derrame intra-articular
- Movimentos restritos e dolorosos
- Atrofia muscular periarticular
- Enrijecimento da articulação
- Instabilidade articular
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Sintomas
- Dor relacionada a exercício físico
- Dor ao repouso
- Dor noturna
- Rigidez apos inatividade (tempo parado)
- Perda de movimento
- Sensação de insegurança ou de instabilidade
- Limitação funcional
- Incapacidade
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A dor e, sem duvida, o sintoma mais importante e comum da osteoartrite. Sua intensidade varia muito, podendo ser bem leve ou muito intensa, com variações semanais ou ate diárias. Pode ser pior no final do dia ou no final de semana. Em geral, a sensação de dor piora com o uso da articulação afetada, e assim permanece por horas apos a interrupção da atividade física. Enquanto a maioria sente dores relacionadas ao exercício físico, alguns pacientes descrevem dor ao deitar-se e outros, dor noturna. Alguns relatam sensações de "pontadas" durante certos movimentos ou com a sustentação de peso.
A sensação de rigidez articular e referida pela maior parte dos portadores da doença, podendo ser difícil iniciar os movimentos, dando a impressão de que a articulação acometida esta "presa". Essa sensação, porem, vai gradativamente desaparecendo com a movimentação. A rigidez ocorre apos um período sem movimentação e, geralmente, não dura mais que 30 minutos.
A restrição de movimentos pode ser descoberta na evolução da doença, sendo, com freqüência, acompanhada de dor, que tende a ser pior no final da amplitude do movimento realizado.
Muitos pacientes com osteoartrite queixam-se também de sensação de insegurança ou de instabilidade nas articulações comprometidas. Alguns dizem ter a impressão de que a articulação "falha" no seu desempenho.
Dependendo da gravidade da doença, pode haver diferentes graus de atrofia muscular (diminuição do tamanho dos músculos) na região próxima a articulação afetada.
Durante a execução de movimentos, podem ser percebidas crepitações (estalos), devido ao atrito das superfícies articulares que encontram-se irregulares, interferindo com os movimentos normalmente suaves.
O enxágua, muitas vezes sensível ao toque, e outro sinal freqüente de osteoartrite. Pode variar em volume e manter-se por períodos variados de tempo.
Nos casos mais avançados, pode haver grande destruição das estruturas articulares, com importantes deformidades e conseqüente perda de função, impondo ao paciente dificuldades na sua rotina como, por exemplo, perda de habilidade para vestir-se sozinho, limitações para subir ou descer escadas ou ate para caminhar pequenas distancias.
Como deve ser o tratamento da osteoartrite?
Há muitos tratamentos disponíveis para aliviar os sintomas dessa enfermidade, bem como para melhorar e preservar a função articular e a qualidade de vida.
Tais tratamentos envolvem desde a simples orientação educacional para os pacientes ate o uso de medicares, fisioterapia e cirurgia, em casos extremes.
É importante que o individuo com osteoartrite mantenha boa saúde geral, elimine os fatores de risco, como o excesso de peso corporal, preserve uma boa forca muscular e, acima de tudo, reconheça a sua própria responsabilidade no controle do tratamento.
Exercícios, fisioterapia e hidroterapia
Exercer alguma atividade física diária (compatível com sua respectiva idade e condicionamento físico) e extremamente importante. Tal conduta melhora o sistema cardiovascular, a sensação de bem-estar e a função mental, além de reduzir a ansiedade, a depressão ou outra forma de estresse psicológico que possa estar presente.
Os exercícios devem ser moderados e de baixo impacto. Obviamente, as atividades físicas devem respeitar a gravidade do envolvimento articular, alem da saúde geral da pessoa com osteoartrite.
Fisioterapia e hidroterapia também são úteis para a prevenção e o tratamento da osteoartrite.
Calçados, acessórios e terapia ocupacional
Calçados apropriados são particularmente importantes. Palmilhas, calcanheiras e outros recursos para o realinhamento, absorção de impacto e conforto podem ser utilizados dentro dos calçados para facilitar o ato de caminhar. Diversos acessórios (órteses), como as bengalas, podem contribuir para melhorar a segurança e a estabilidade, alem de reduzir a dor ao caminhar. Alguns pacientes com quadros mais graves podem se beneficiar com o emprego desses acessórios.
Diversos recursos disponíveis no lar e no trabalho podem ser de grande ajuda, fazendo com que a terapia ocupacional também ganhe destaque no tratamento da osteoartrite. O ensino de técnicas para a
execução de tarefas do dia-a-dia e util para que o paciente possa conviver melhor com sua rotina diaria.
Tratamento medicamentoso
Muitos medicamentos têm sido utilizados no tratamento da osteoartrite.
Os agentes analgésicos, incluindo os antiinflamatórios não-esteroides (AINEs), ou seja, não-derivados de hormônios, são geralmente recomendados para:
- casos de dores agudas e particularmente fortes;
- como medida preventiva! antes de alguma atividade física que provavelmente ocasionara dor de maior intensidade;
- de maneira regular, com uso freqüente para suprimir quadros dolorosos persistentes.
É importante destacar que os AINEs representam as medicares mais usadas no tratamento da osteoartrite, sendo principalmente utilizados para ah'alívio da dor e da rigidez articular.
Os antiinflamatórios mais antigos, no entanto, podem causar reações adversas importantes no estomago e intestinos (gastrite, ulceras, perfurações, sangramentos).
Para evitar esses efeitos indesejáveis, foi desenvolvida uma nova classe de AINEs que mantém a capacidade de combater a dor e a inflamação da osteoartrite sem causar efeitos indesejáveis no estomago e intestinos.
Deve-se ter especial precaução com o uso dos AINEs, particularmente em indivíduos mais idosos com função renal ou hepática comprometida, que, em geral, são mais sensíveis a eventuais reações adversas do medicamento utilizado. Recomenda-se, portanto, utilizar esses medicamentos sempre sob orientação m£dica.
Medicamentos de uso tópico (creme, pomada, "spray" etc.) com propriedades analgésicas e/ou antiinflamatórias também podem ser utilizados.
A injeção local (infiltração articular, ou seja, na própria junta) também é indicada, mas sob supervisão médica obrigatória.
Tratamento cirúrgico
Existem diversos procedimentos cirúrgicos que podem trazer benefícios em variadas situações, de acordo com as características de cada caso e as indicações determinadas pelo médico responsável.