Infecto-contagiosas/Epidemias - Borra de café combate Aedes aegypti
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Borra de café combate Aedes aegypti

12/07/2003

 

 

 

    Melhor dos que os químicos organofosforatos, usados no combate ao Aedes aegypti, transmissor da dengue, a borra de café elimina larvas nos vasos e recipientes domésticos de água, sem colocar a saúde em risco. De acordo com uma pesquisa da Unesp, a cafeína afeta as enzimas responsáveis pelo crescimento e metabolismo do inseto, que também garantem sua resistência a inseticidas.

 

    Campinas - A prevenção doméstica contra o mosquito da dengue tem uma nova munição, armazenada na despesa de qualquer cozinha: café. Sem a toxicidade e persistência ambiental dos inseticidas organofosforados - atualmente misturados à areia e colocado em vasos e recipientes de água, onde o mosquito Aedes aegypti pode se reproduzir - a borra de café mata 100% das larvas do transmissor da dengue. Basta colocar duas colheres de borra no fundo dos pratos e vasos, para cada meio copo d´água, trocando uma vez por semana. A borra se mistura à água e impede a proliferação do inseto.

    A pesquisa com a borra de café foi inspirada num estudo anterior, com moscas drosófilas ("mosquinha da banana"), e vem sendo realizada nos últimos 3 anos na Universidade Estadual Paulista, campus de São José do Rio Preto, pela bióloga Alessandra Laranja, sob orientação de Hermione de Campos Bicudo. Ela já defendeu um mestrado, provando que a borra é eficiente em condições de laboratório e agora aprofunda a pesquisa, numa tese de doutorado, que testa o novo "inseticida" em condições de campo e detalha como as substâncias contidas na borra agem sobre o metabolismo do mosquito.

    "Embora a borra de café contenha várias substâncias potencialmente tóxicas para os insetos, acreditamos que a cafeína seja o princípio ativo que mata as larvas", explica Alessandra. "A cafeína afeta as esterases, enzimas responsáveis por diversos processos fisiológicos, como a digestão, desenvolvimento juvenil (larvas na segunda fase), reprodução e, principalmente, resistência aos inseticidas químicos".

    O doutorado ainda segue por mais 3 anos, mas o uso da borra de café já pode ser recomendado nas campanhas de combate ao Aedes aegypti, que nesta época do ano, com o calor, volta a proliferar e fazer vítimas. De acordo com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), só no ano passado foram registrados mais de 280 mil casos de dengue no país, sobretudo nas regiões Sudeste e Nordeste.

    As fêmeas de Aedes aegypti põem seus ovos em águas paradas, limpas ou sujas, mesmo em recipientes pequenos. Ali nascem as larvas, que passam por 4 fases antes de se transformarem em pupas e depois em adultos. Apenas as fêmeas se alimentam de sangue, para garantir o desenvolvimento dos ovos, e é nesta fase que transmitem a dengue, após picar pessoas doentes e reter o vírus na saliva, infectando quem for picado em seguida. Além de eliminar as larvas, os testes de laboratório mostraram que a cafeína reduz o tempo de vida das fêmeas adultas.

    A pesquisa de Alessandra Laranja foi financiada por uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no valor de R$18 mil e ela trabalhou no Laboratório do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), da Unesp, construído com recursos do program de infraestrutura da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). As recomendações relativas ao uso da borra de café contra o mosquito da dengue já estão sendo divulgada pela Vigilância Sanitária de São José do Rio Preto e região, na atual campanha.

 


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