NOVA YORK. O cientista americano que há cinco anos causou espanto ao
apresentar um rato com uma orelha humana implantada nas costas
anuncia que agora está desenvolvendo um fígado artificial. Segundo a
revista "NewScientist", Jay Vacanti, do Hospital Geral de
Massachusetts, descobriu uma maneira de reproduzir o complexo sistema
de vasos sangüíneos que irriga o fígado - considerado, até hoje, o
maior obstáculo para a criação de um órgão funcional em laboratório.
Para reproduzir o sistema de irrigação do órgão, Vacanti e seu
parceiro na pesquisa, o engenheiro Jeffrey Borestein, preencheram os
vasos sangüíneos de um fígado de verdade com plástico líquido. Quando
o plástico endureceu, eles dissolveram o tecido do fígado, deixando
uma armação que reproduz exatamente o conjunto de vasos do órgão: das
artérias mais importantes aos capilares mais estreitos.
Eles puderam, então, tirar medidas de diâmetro, extensão e
posicionamento dos vasos, que foram repassadas para um computador,
que criou um modelo em três dimensões exatamente igual a um fígado de
verdade. A partir desse modelo, usando plástico biodegradável, os
cientistas criaram o arcabouço de um fígado artificial com as exatas
dimensões e a base para o sistema circulatório de um órgão
verdadeiro.
A idéia dos pesquisadores é, a partir de agora, cultivar células
sobre esse modelo. Pesquisas já realizadas com cartilagem artificial
mostram que as células tomam o lugar do plástico à medida que se
multiplicam. O material artificial vai desaparecendo com o tempo.
Os próximos passos consistem em descobrir de que maneira distribuir
corretamente todos os tipos de células presentes no fígado e como
impedir o crescimento de bactérias na solução de nutrientes em que o
material precisa ser mergulhado para incentivar a multiplicação das
células.
Somente nos Estados Unidos, 80 mil pessoas aguardam por um
transplante de rim, fígado ou coração.
26/04/2002 - Jornal O Globo