Fototerapia e melatonina serão usados pela Unifesp para tratar a síndrome do atraso da fase do sono
Pesquisa sobre o distúrbio conhecido como síndrome do atraso da fase do sono (SAFS) está sendo realizada pelo Insituto do Sono do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo, segundo dr. Alberto Jorge Remesar Lopes, responsável pela pesquisa, tem o objetivo de observar e comprovar a melhora e até o desaparecimento da síndrome, com tratamentos de fototerapia e melatonina.
O distúrbio normalmente é percebido na adolescência e poucas vezes após os 30 anos, podendo durar de meses a anos. Inicialmente, era confundida com a insônia, e a primeira tentativa de tratamento, após o seu conhecimento foi com cromoterapia. Sua causa está ligada a uma determinada região do hipotálamo, onde acontece a regulação do relógio biológico interno.
Para a realização da pesquisa, o Instituto está convocando 30 homens com idade entre 20 e 50 anos, que apresentam o sono desregulado. As pessoas com esse distúrbio sofrem de um atraso no horário de sono. Normalmente não conseguem dormir antes das 2h e acordam depois das 10h, mas mantêm um sono normal no período que conseguem dormir. Isso acarreta problemas de ordem pessoal e profissional.
A pesquisa consiste em formar três grupos, que passarão por uma avaliação polissonográfica, medição de pressão, temperatura central e melatonina, avaliações para detectar qualquer problema psíquico ou físico e uso do atígrafo para avaliação dos movimentos. Tudo será registrado num diário do sono de cada voluntário.
Detectada a síndrome, será fornecido melatonina e fototerapia específicos aos voluntários. Um grupo receberá apenas fototerapia pela manhã; outro, somente melatonina à noite e o terceiro grupo, fototerapia de manhã e melatonina à noite.
De acordo com dr. Alberto, o uso de luz de alta intensidade para os distúrbios da fase do sono, mostrou-se mais efetivo que a luz domiciliar de baixa intensidade para suprir a produção de melatonina noturna, que tem sua produção e secreção estimuladas pela escuridão. Estudos mostram que o uso da melatonina ao anoitecer, levou a significativo avanço de fase em direção a horários convencionais de adormecer e acordar. O uso da fototerapia nas primeiras horas da manhã e a não exposição à luz ao anoitecer também tiveram resultados positivos. A previsão de término do estudo e conclusão da pesquisa, é de até início de 2001.
Fonte: www.connectmed.com.br