Otorrinolaringologia/ORL/Fono - As lições que a Fonoaudiologia tem a ensinar.
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Otorrinolaringologia/ORL/Fono

As lições que a Fonoaudiologia tem a ensinar.

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Existem mais crianças com distúrbio do que se imagina. Saiba identificá-los e encaminhá-los para tratamento.

Quando um ou outro aluno tem um desempenho inferior ao dos demais, é fácil perceber que há algo errado. Se o problema é na comunicação da criança, porém, vale a pena um olhar mais clínico sobre o assunto. A fonoaudióloga Claudia Regina Furquim de Andrade, professora titular do departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a maioria das escolas desconhece ou dá pouca importância à linguagem como um todo. Como a fonoaudiologia é um vasto campo de estudos e envolve não apenas voz e audição, mas a qualidade na fluência da fala e na recepção dos sons, esta reportagem só vai focar os assuntos relacionados à sala de aula. E não são poucos. Segundo Claudia Regina Mosca Giroto, doutoranda pela Universidade Estadual Paulista, desde o começo do século passado há uma preocupação em levar as práticas fonoaudiológicas para a escola. No Brasil, os cursos profissionalizantes começaram na década de 1960 e só em 9 de dezembro de 1981 a profissão foi reconhecida. 

A professora Viviane Bandoni, da Escola Carandá, em São Paulo, olha para cada estudante como se fosse único. "Preciso descobrir que mecanismos ele utiliza para aprender." Viviane já descobriu em sua parceria com fonoaudiólogos, que o distúrbio de processamento central é o mais comum em classe. Veja a seguir como é perfeitamente possível detectar as principais alterações nos alunos e identificá-las, para encaminhar o tratamento mais adequado.

Atenção aos sons

A troca de alguns sons está dentro da normalidade na fase de 2 a 4 anos e essa alteração costuma desaparecer junto com o amadurecimento neurológico. A persistência após essa idade é considerada patológica. Para identificar com mais eficiência os problemas de fala deve-se descartar a possibilidade de o aluno agir dessa maneira como forma de chamar atenção. Também não adianta colocá-lo sob pressão, pois a troca de fonemas pode virar uma questão definitiva.

Para Irene Marquesan, diretora do Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica (Cefac) e doutora em educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), independentemente da confirmação do diagnóstico o aluno deve sempre fazer boas leituras e produzir muitos textos, pois isso colabora para pôr fim ao problema. "É essencial resolver as alterações de fala até o final da 2ª série ou no início da 3ª", recomenda Irene. Outra dica importante diz respeito à correção verbal. Quando o estudante fala algo errado não se deve repetir a palavra incorreta para depois falar a certa, mas apenas apresentar o padrão correto. Esse procedimento impede que os pequenos se confundam.

Fluidez verbal

A fluência é a capacidade de passar uma mensagem dentro de um fluxo contínuo, regular e em velocidade compreensível. O contrário disso é a disfluência, também conhecida como gagueira. Uma criança de 3 anos possui o mesmo fluxo de fala de um adulto. Só que com menos vocabulário. Existem casos em que ainda não há o domínio da estrutura da língua e, por isso, surge uma disfluência temporária.

É possível identificar um disfluente pelo tipo de ruptura. Geralmente, há uma patologia quando um som ou uma sílaba são bloqueados ou repetidos. Para alguns falantes, são comuns interrupções como "ah", "eh", "hum". Pelo desconhecimento do assunto, muitos tomam atitudes prejudicais a quem gagueja. Leia o que os especialistas recomendam não fazer:

- pedir para parar de gaguejar;
- sugerir que pense ou respire antes de falar;
- completar a fala;
- manifestar inquietação, irritação ou impaciência;
- demonstrar pena;
- pedir para recomeçar a fala;
- sugerir que mude o tom de voz;
- pedir para substituir palavras com pronúncia difícil;

- fingir que a gagueira não existe.

Claudia Andrade, que também é especialista em disfluência, ressalta a importância do diagnóstico precoce. "O ideal é procurar ajuda o mais rápido possível para que a gagueira não se instale de forma definitiva."

Escutar bem

Quando uma criança tem dificuldades para ouvir, provavelmente terá problemas para aprender a falar e entabular uma conversa. A alteração mais comum é a perda auditiva, que pode ser leve, moderada ou profunda. Na perda leve, há dificuldade para detectar alguns sons. É como se você escutasse alguém falando em tom baixo. Quando o problema evolui, aumenta o número de sons que não se escuta, mas ainda é possível entender algo. Nesse ritmo crescente, pode-se chegar a um estágio no qual a pessoa só ouve sons de intensidade muito elevada. O ideal é detectar o problema no primeiro estágio, para não comprometer as chances de comunicação.

Outra alteração muito comum é o já mencionado distúrbio de processamento central. Além de escutar bem, temos de selecionar e memorizar o que escutamos para localizar o ruído, sabendo de qual direção veio. A representação mais comum desse tipo de problema é quando o professor fala numa classe barulhenta e o aluno não sabe se foca sua atenção nos colegas ou no professor.

A doutora Renata Carvalho, professora de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da USP e especialista em audiologia, descreve as crianças que apresentam alteração auditiva como agitadas e dispersas. "Para elas, prestar atenção é muito difícil", explica Renata. "Elas preferem se concentrar em coisas visuais." Se você tem alunos assim, saiba que talvez eles não sejam "bagunceiros", mas sofrem de um mal que só pode ser detectado num consultório.

Respeito à individualidade

A categoria aprendizagem é ampla e envolve problemas relativos ao desenvolvimento infantil. Veja os mais comuns:

Ritmo — Cada um tem uma velocidade própria para aprender. Crianças com distúrbios apresentam ritmo mais lento. Elas precisam de um tempo maior para compreender um novo conceito. Quando o professor planeja levando em conta as particularidades de cada aluno, evita que alguns fiquem pelo caminho.

Linguagem oral — Há crianças que não apresentam nenhum déficit auditivo que impeça a fala, mas a compreensão e a expressão estão prejudicadas, inclusive no aspecto cognitivo. Da mesma forma, há aquelas que estão aparentemente bem, mas revelam dificuldades gerais quanto à evolução escolar (redação, ortografia, leitura e compreensão de textos e exercícios matemáticos etc.). Provavelmente elas sofrem desse distúrbio de aprendizagem e precisam de atenção especial em classe.

Linguagem escrita — São casos nos quais, apesar das habilidades orais estarem resolvidas, as crianças têm dificuldades no aprendizado da escrita. Língua Portuguesa, neste caso, é a disciplina mais prejudicada.
Para Jaime Luiz Zorzi, diretor do Cefac e doutor em educação pela Unicamp, o aluno que tem algum tipo de alteração na linguagem é quase sempre prejudicado. Normalmente, a escola estabelece um padrão mínimo que todos devem atingir e, como ele não se enquadra, é deixado de lado.

Em alto e bom tom

Viviane Bandoni, da Escola Carandá, orienta seus alunos de 3ª série numa atividade de perguntas e respostas (elaborada em parceria com um fonoaudiólogo) que devem ser colocadas na ordem lógica (como no exemplo da foto à esq.): a professora usa uma história infantil para avaliar a noção de temporalidade de cada um.

A disfonia, conhecida como rouquidão, costuma não receber atenção nem de pais, nem de professores. Geralmente, disfônicos têm como características a liderança, a agressividade e a agitação, mas antes de qualquer diagnóstico é necessário saber por que o aluno grita. As causas podem estar relacionadas a excesso de ruídos externos. Se na sala de aula o barulho entra pelas janelas, é melhor manter a porta aberta.

Ambientes poluídos também são prejudiciais. Por isso, a sala deve estar sempre limpa. Alunos alérgicos não podem abusar, falando e cantando em excesso. Hábitos como ter uma garrafinha de água ao alcance da mão, não usar roupas apertadas e não comer demais valem tanto para seus alunos como para você.

Uma criança que não se livra da rouquidão pode comprometer, na idade adulta, uma escolha profissional. Para Mara Behlau, diretora e coordenadora do Centro de Estudos da Voz, é importante que as pessoas se conscientizem de que esse processo não faz parte do desenvolvimento natural. "Um aluno rouco sinaliza que tem dificuldade para se comunicar de modo adequado."

Em todas as situações, o papel do educador é estar atento para fazer o encaminhamento a um especialista. Só assim há chances de recuperação. "O fonoaudiólogo pode orientá-lo sobre a distribuição dos alunos em classe e sugerir sugestões de atividades em grupo, inclusive com aqueles que não apresentam distúrbios", esclarece Roberta Dias. A professora Viviane concorda. "É viável trabalhar assim, pois uns estimulam os outros a expressar suas habilidades."

Conselho Federal de Fonoaudiologia


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