Stress/estresse - Redimensionando o Stress
Esta página já teve 114.673.688 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 27.773 acessos diários
home | entre em contato
 

Stress/estresse

Redimensionando o Stress

21/07/2003

Definição de stress

O stress é uma interferência no bem-estar físico e mental provocada por fatores associados à vida moderna. Não pode ser considerada uma doença, uma vez que as reações ao stress tanto podem ser positivas como negativas, constituindo, por isso, ora um desafio ora um problema, consoante a forma como se gere o confronto com as fontes de desequilíbrio. Os hábitos de percepção negativa, ou seja, a tendência para distorcer a realidade, esperando que aconteça sempre o pior (não ser competente para realizar determinada tarefa, ser rejeitado pelos outros, etc.) agravam o grau de mal-estar e comprometem a resolução do stress.

Apesar de o grau de mal-estar depender em larga medida das estratégias que a pessoa utiliza para lidar com as potenciais fontes de desequilíbrio, a frequência e/ou a intensidade da tensão que o confronto com esses fatores tende a provocar e desencadear situações que originam, por vezes, estados de doença.

Fatores e fontes de stress

Sociedade de consumo e vida profissional
A desestruturação social e o ritmo acelerado da vida moderna, a difícil conciliação da vida familiar com a vida profissional, bem como o desemprego ou emprego precário e a incerteza que daí advém, são potenciadores de stress.
Também as características da relação com o trabalho e o seu lugar central nas sociedades de tipo Ocidental são indiciadoras de stress. As cadências obrigatórias de alguns trabalhos mecânicos e a necessidade de eficácia, a grande mobilidade profissional, os horários e a competição, associados à ambição, às responsabilidades e aos conflitos hierárquicos e interpessoais no local de trabalho, constituem um conjunto de fatores que, isoladamente ou em associação, provocam desgaste e desequilíbrio físico e/ou psicológico.

Ruído
É um fator freqüente de stress porque irrita e perturba a tranquilidade. O efeito de stress é particularmente importante quando se trata de barulho violento, agudo, ou repetitivo.

Escola
O desejo de bons resultados, sob a pressão dos pais, e as dificuldades da organização do ensino - que não permitem um acompanhamento personalizado dos alunos - levam a situações de pressão e de frustração. O aluno pode exprimir o seu stress através de muitas perturbações: dores de cabeça, dores abdominais, vômitos, diarréias ou rejeição alimentar.

Traumatismos e acidentes
Estar envolvido num acidente grave pode provocar um grave traumatismo psicológico e causar um estado de ansiedade permanente. O stress pós-traumático é característico: a vítima fica obnubilada pelo choque que sofreu ou pela lembrança do acidente, abandonando os seus centros de interesse habituais.

Intervenções e tratamentos médicos.
O doente quer ser tratado, mas tem medo de sofrer. Por isso acaba por atrasar sempre a consulta ou o tratamento. A angústia provocada pelo conflito de interesses desencadeia tensões não resolvidas com efeito nocivo no equilíbrio interno.

Outras situações
Todos os eventos da vida quotidiana e familiar, alegres ou tristes, tornam-se importantes consoante as mudanças e novidades produzidas (gravidez, casamento, mudança de emprego, de casa, falecimentos, etc.).

Sintomas

Em face de situações de stress podemos sentir receio ou ansiedade. O organismo reage de modo diferente consoante o carácter da pessoa. Em pequenas doses, o stress desempenha um papel positivo, melhorando as nossas capacidades de adaptação às agressões e ajudando a reagir. Neste caso, o equilíbrio biológico é mantido.

Demasiado intenso ou repetitivo, o stress torna-se agressivo, exigindo um excessivo esforço de adaptação. Provoca um conjunto de reações que os especialistas designam por síndrome de adaptação. Esta síndrome abrange as fases sucessivas de alarme, resistência e exaustão.

O stress desencadeia uma reação de alarme, a relação ao cérebro, estimulando a produção de mediadores químicos e hormônios (da hipófise e supra-renais) que vão modificar o equilíbrio psicofisiológico da pessoa e provocam, nomeadamente, taquicardia, hiperventilação respiratória e vasoconstrição arterial.

Existem outras manifestações, muitas vezes benignas e que passam despercebidas.

Manifestações de stress biofisiológico

Manifestações motoras: falar rápido, tremores, gaguejar, voz entrecortada, precipitações e imprecisão.

  • Manifestações emocionais: distanciamento afetivo, impaciência, irritabilidade, frustração, apatia, perda do envolvimento, perda do entusiasmo profissional.
  • Manifestação cognitiva: diminuição da auto-estima. Acentuam-se as preocupações e dificuldades na tomada de decisão, sensação de confusão, incapacidade de concentração e sentimento de falta de controle.
  • Manifestações comportamentais: absentismo, atitude conflituosa, abuso de álcool ou de drogas, falta de empenho profissional.
  • Manifestações nervosas: dores de cabeça (cefaléias ou enxaquecas) que surgem em qualquer altura do dia, irritabilidade, angústia e crises de pânico. Vertigens, suores, alternâncias da sensação de frio e de calor, insônias, dores no tórax, ou mesmo perturbações da sexualidade. A não resolução do stress traduz-se em ansiedade.
  • Manifestações cardiovasculares benignas: palpitações e um aumento do ritmo cardíaco. A ansiedade pode também provocar um aumento da tensão arterial. Em alguns casos o stress é fator agravante nas perturbações cardíacas graves, como o enfarte do miocárdio.
  • Manifestações do aparelho digestivo: aerofagia, obstipação ou, pelo contrário, diarréia e úlcera. O stress favorece as secreções ácidas do estômago que provocam úlcera, o que é agravado quando as pessoas ansiosas comem poucos.

Existem ainda outras manifestações, como a recorrência de dores nas costas (lombalgias) ou dermatoses, como o eczema.
É de referir a menor resistência a infecções.

Estratégias de gestão e prevenção do stress:

  • Não chegar ao limite;
  • Lidar com os problemas, logo que aparecem e de maneira objetiva;
  • Tentar reconhecer as limitações;
  • Analisar a realização das tarefas em função das prioridades e objetivos pessoais;
  • Distinguir e realizar primeiro as tarefas prioritárias;
  • Realizar as tarefas que requerem maior criatividade quando o nível de energia é mais elevado;
  • Aprender a organizar-se;
  • Aprender a dizer não. Não se dispersar e saber recusar algumas tarefas no sentido de ter mais tempo disponível para aquilo que se considera realmente importante;
  • Desenvolver autoconfiança;
  • Não querer controlar tudo e, sempre que possível, delegar. Um dos maiores fatores de stress resulta da tentativa de controlar tudo.

Existem várias abordagens para prevenir, controlar e lidar com o stress: técnicas cognitivas--comportamentais, treino de aptidões sociais, técnicas de relaxamento e terapêutica medicamentosa.

Exemplos de prevenção e tratamento comportamental:

Relaxar, ocupando os tempos livres. Criar um espaço de relaxamento através da realização de atividades que proporcionam prazer: conversar, ir às compras, ler, ouvir música, ver filmes, praticar esportes, etc.

  • Cuidar da alimentação e o repouso, uma vez que o stress nos obriga a recorrer às nossas reservas energéticas. O magnésio e as vitaminas do complexo B desempenham um papel importante numa alimentação que deve ser equilibrada e diversificada. O repouso é fundamental, pelo que é importante dormir bem e preservar a qualidade do sono.

Tratamentos com uso de fármacos

Diversos medicamentos tratam as perturbações do stress, da ansiedade e da insónia. Designados psicofármacos, porque atuam no sistema nervoso:

  • Tranquilizantes (neurolépticos): atuam contra as manifestações da ansiedade, os estados de angústia aguda, bem como nas perturbações do sono;
  • Antidepressivos (antidepressores): atuam contra as crises de pânico;
  • Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos: atuam contra a insônia. Estes medicamentos requerem prescrição médica e o tratamento tem uma duração limitada. É importante respeitar a posologia, o horário das tomadas e a duração do tratamento.

A fitoterapia, tratamento pelas plantas, também ajuda e contribui positivamente contra algumas manifestações do stress. Plantas tais como o Crataegus, Escholtzia, a Passiflora e a Valeriana são utilizadas para diminuir os estados nervosos nos casos de insônia.


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos