Aspartame
No início do ano de 1999 foram veiculadas nos EUA, através de mensagem eletrônica, informações alarmantes que atribuíam ao aspartame a ocorrência de inúmeras doenças, entre elas a esclerose múltipla e o lúpus sistêmico. Embora estas informações tenham sido prontamente rebatidas pelo FDA, a notícia correu o mundo chegando ao consumidor brasileiro.
Com o intuito de esclarecer o consumidor, a Diretoria de Alimentos e Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o apoio do ILSI-Brasil, promoveu em 29 de outubro de 1999, um encontro de especialistas das áreas de toxicologia de alimentos, bioquímica, endocrinologia e neurologia, de instituições de pesquisa nacional (Associação Nacional de Diabéticos e Associação Brasileira de Endocrinologia, entre outras; de Universidades; da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição - SBAN; Instituto de Defesa do Consumidor - IDEC), Argentina e do Reino Unido, para discutir aspectos associados à segurança de uso do aspartame.
A partir das discussões, foi elaborado o presente documento, no formato de perguntas e respostas para melhor entendimento da população em geral, visando esclarecer as dúvidas existentes com relação ao aspartame, permitindo desta forma que o consumidor faça a sua opção de consumo com informações adequadas sobre a segurança do produto.
A Agência reafirma o seu compromisso de estar sempre aberta para discutir aspectos relacionados com a segurança do uso de alimentos, inclusive relacionados ao aspartame, sempre que novas informações coloquem em dúvida a segurança de consumo dos alimentos.
1. O aspartame é seguro?
Sim, existe consenso entre inúmeros comitês internacionais sobre a segurança do aspartame.
2. O que acontece com o aspartame no nosso organismo?
Ele é metabolizado no trato gastro intestinal liberando dois aminoácidos, o ácido aspártico e a fenilalanina, e metanol.
3. O ácido aspártico liberado pelo aspartame representa risco à saúde?
Não. Doses de aspartame acima da dose diária recomendada resultam em aumento pequeno de ácido aspártico no sangue, bem abaixo de doses consideradas como prejudiciais à saúde.
Alimentos em geral podem conter ácido aspártico. Por exemplo, um hambúrguer de 100 g pode conter até 40 vezes a quantidade de ácido aspártico presente em uma lata de refrigerante (350 ml) adicionado de aspartame.
4. A fenilalanina liberada pelo aspartame representa risco à saúde?
Não. Após uma dose única de aspartame equivalente a 20 latas de refrigerante com este adoçante, o nível de fenilalanina no sangue permanece dentro da faixa normal , bem abaixo de níveis que possam causar toxicidade. Mesmo para indivíduos com capacidade reduzida de metabolizar a fenilalanina (portadores heterozigotos de fenilcetonúria), uma dose semelhante não eleva os níveis plasmáticos de fenilalanina a valores que possam ser considerados um risco à saúde.
5. O metanol liberado pelo aspartame representa risco à saúde?
Não. A quantidade de metanol liberada pelo aspartame é muito pequena e mesmo doses elevadas, equivalentes à ingestão diária recomendada para este adoçante, resulta em uma ingestão de metanol 200 vezes inferior à dose tóxica.
A quantidade de metanol proveniente do aspartame contido em uma lata de refrigerante (350 ml) equivale à quantidade liberada pelo mesmo volume de suco de laranja e de maçã, sendo de 4 a 6 vezes inferior àquela presente no suco de tomate e de uva.
6. Quem não deve consumir o aspartame?
Os portadores de uma deficiência rara, fenilcetonúria, não metaboliza o aminoácido fenilalanina, devendo evitar o consumo de aspartame.
Esses indivíduos também são incapazes de metabolizar a fenilalanina de qualquer alimento, devendo ser submetidos a uma dieta rigorosa.
A legislação brasileira obriga que os alimentos que contém aspartame tragam no rótulo a seguinte advertência em destaque e negrito: CONTÉM FENILALANINA
7. O aspartame pode ser consumido por grávidas e crianças?
Sim. O metabolismo do aspartame já foi estudado nestes grupos da população, não havendo até o presente evidências científicas de que gestantes e crianças metabolizem o aspartame diferentemente de um adulto normal.
8. Existe alguma relação entre o consumo de aspartame e esclerose múltipla, Lúpus sistêmico, mal de Alzheimer ou aparecimento de tumor cerebral?
Não. Esclerose múltipla é uma doença causada por muitos fatores, não existindo qualquer associação entre sua ocorrência e o consumo de aspartame.
Também não existem evidências científicas associando o aspartame com Lúpus sistêmico, mal de Alzheimer e ocorrência de tumor cerebral.
9. O aspartame prejudica o diabético?
Não. Estimativas de ingestão de aspartame por diabéticos indicam um consumo considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS)
10. Foram realizadas pesquisas para verificar o efeito do aspartame no organismo humano?
Sim. Há inúmeros dados na literatura sobre ensaios clínicos realizados em indivíduos normais, diabéticos e indivíduos com problemas no metabolismo da fenilalanina, não tendo sido evidenciados danos à saúde.
11. Qual a quantidade de adoçante a base de aspartame que pode ser ingerida diariamente?
A quantidade máxima de aspartame que um adulto com 60 kg pode ingerir diariamente, com segurança, é de 2.400 mg, o que equivale, aproximadamente, ao consumo de 48 envelopes de 1 g de um adoçante dietético com 5% de aspartame, ou a 4 litros de refrigerante adoçado apenas com aspartame.
No caso de uma criança com 30 kg, as quantidades máximas correspondem a 24 envelopes do mesmo adoçante ou a 2 litros de refrigerante.