Mini Avaliação nutricional e o Olfato Martijn Griep, Tony F. Mets, Kris Collys, Dominique Verte, Gino Verleye, Ingrid Ponjaert-Kristoffersen, Desire L. Massart

A sensibilidade olfativa diminui com a idade mas uma menor percepção dos odores relaciona-se com má saúde geral, desnutrição e diversas doenças [1,2]. Os sabores dos alimentos consistem, principalmente, de odores voláteis e a percepção do sabor tem sido qualificada como o mais forte determinante na escolha do alimento pelos idosos [3]. A interação destes diversos fatores encontra-se ilustrada na Fig. 1. O enriquecimento de alimentos com sabores para compensar pela menor sensibilidade olfativa pode melhorar o consumo de certos alimentos e prevenir a desnutrição.
FIGURA 1 - Visão esquematizada dos fenômenos relativos à idade associando a percepção dos odores à ingestão de alimentos.
Na primeira parte do estudo buscamos quais os fatores associados à idade como má higiene bucal, composição corporal, sensibilidade olfativa diminuída e mau estado geral que são acompanhados de um maior risco de desnutrição medido pela MAN. Na segunda parte verificamos se um aumento no nível de sabor do alimento melhora a preferência por este alimento e seu consumo por parte de idosos em risco de desnutrição.
Métodos Recrutamos 67 idosos que viviam na comunidade (média de idade 66,7 anos; desvio padrão 6,8; faixa etária entre 55-82) e 81 pessoas de casas de repouso (média de idade, 82,7 anos; DP 7,2; faixa etária 61-98). A sensibilidade olfativa foi medida pelo limiar de detecção de isomilacetato (odor de frutas banana/pêra) e as pessoas foram divididas entre as que tomavam medicação que afetava o olfato, outra medicação ou nenhuma medicação. Foram feitos exames da boca e a MAN foi usada para avaliar os risco de desnutrição. O estado geral de saúde foi determinado mediante as escalas do "Medical Outcome Study" (MOS) e das medidas antropométricas para a avaliação da distribuição de gordura e músculos. O alimento escolhido para a intensificação do sabor foi o iogurte desnatado (Perlarom s.a., Bélgica). Para medir a preferência por um nível alto ou baixo de sabor cada indivíduo recebeu duas amostras de alimento (20g) ao mesmo tempo, uma com intenso sabor de morango e a outra com baixo nível de sabor. Estes iogurtes foram fornecidos entre as refeições durante 2 dias. As porções eram grandes para assegurar um consumo ad libitum e foram pesadas antes e depois da prova para medir as quantidades consumidas.
Resultados Somente 2% dos idosos da comunidade corriam risco de desnutrição enquanto era de 37% a porcentagem nas casas de repouso. Havia correlação significativa entre o risco de desnutrição e baixa sensibilidade olfativa (p<0,001). Para os idosos que viviam simultaneamente na comunidade e em casas de repouso o estado geral de saúde e a composição corporal eram fatores importantes (p<0,005), enquanto nas casas de repouso o número de dentes naturais e o uso de medicação eram fatores significativos que explicavam o risco de desnutrição medido pelo escore da MAN (p=0,001). Os idosos que preferiram o sabor intenso de morango tinham escores da MAN significativamente mais baixos (teste t, p<0,05). Correlações significativas foram observadas entre o consumo do iogurte com menor nível de sabor e os escores da MAN (r=0,26, p= 0,001), indicando que os idosos em risco de desnutrição consomem quantidade menor do produto com baixo nível de sabor. Nenhuma correlação significativa foi observada entre o consumo do iogurte com sabor intenso e o escore da MAN (r = 0,13, p = 0,054).
Conclusões Os idosos em risco de desnutrição tendem a ter um estado de saúde pior, menor percepção de odores, menor número de dentes naturais e com mais freqüência usam medicamentos que afetam a sensibilidade olfativa do que os idosos que não correm risco de desnutrição. Os idosos que sofrem de desnutrição poderiam beneficiar-se da intensificação do sabor, pois isto acentua a preferência pelo alimento. Sem a intensificação de sabor um escore baixo da MAN associa-se a menor consumo de alimentos; com a intensificação, o consumo mantém-se constante quando diminuem os escores da MAN. A intensificação do sabor é necessária para otimizar a ingestão de alimento dos idosos que sofrem de desnutrição.
Referências
- Wysocki CJ, Gilbert AN. National Geographic smell survey: effects of age are heterogeneous. Ann NY Acad Sci 1989; 561: 12-29.
- Schiffman S. Olfaction in aging and medical disorders. In: Serby MJ, Chobor KL, eds. Science of olfaction. New York: Springer Verlag, 1992: 500-26.
- Rolls BJ. Aging and appetite. Nutr Rev 1992; 50: 422-6.
Nestlé
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