Bioética - Um dia na vida das crianças dos Estados Unidos
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Bioética

Um dia na vida das crianças dos Estados Unidos

26/07/2003

 

  • 3 crianças morrem por maus tratos
  • 9 crianças são assassinadas
  • 13 crianças morrem em conseqüência de tiros
  • 202 crianças são presas por crimes relacionados com drogas
  • 307 crianças são presas por crimes violentos
  • 340 crianças são presas por dirigirem embriagadas
  • 480 adolescentes contraem sífilis ou gonorréia
  • 1115 adolescentes praticam abortos
  • 1234 crianças fogem de suas casas
  • 1340 adolescentes dão à luz bebês
  • 2350 crianças estão em prisão para adultos
  • 2750 adolescentes ficam grávidas
  • 2860 crianças vêem seus pais se divorciarem
  • 5814 crianças são presas por diversos crimes
  • 5703 adolescentes são vítimas de crimes violentos
  • 7945 crianças são registradas como vítimas de maus tratos ou negligência
  • 8400 adolescentes tornam-se sexualmente ativos
  • 100.000 crianças estão sem teto
  • 1.200.000 crianças com a chave de casa retornam para residência em que há uma arma de fogo.

Children Defense Fund, Hastings Center Report, 1994

[Não temos estatísticas, no Brasil, com esse nível de minúcia. Ainda assim, tratando-se de números referentes a "cada dia", mesmo considerando-se a população dos Estados Unidos, são estarrecedores!

O tema é extremamente atual, para nós, que assistimos, impotentes, às matanças de menores, por justiceiros, traficantes, policiais, etc.]

Assistência médica - só para os não fumantes?

Quando os pacientes recorrem a uma Health Maintenance Organization (HMO)(espécie de medicina de grupo americana) eles escolhem o seu médico entre os que foram aprovados por uma Comissão, de acordo com critérios prestabelecidos. Para orientar os pacientes nesta escolha, a HMO oferece uma "ficha de informação" sobre cada médico.

Recentemente, um médico solicitou permissão para incluir em sua ficha o fato de que ele não aceitaria pacientes que fumassem, e que não prosseguiria o tratamento de pacientes que viessem a fumar. Sua manifestação (em maio de 1991) foi a seguinte:

"Durante 19 anos de medicina presenciei inconstestável quantidade de sofrimento devido ao fumo. Doe-me o coração ver as pessoas morrerem, especialmente de câncer, quando a causa predisponente foi o fumo. Assim sendo, decidi não mais aceitar novos pacientes que fumem, e, a partir de 1º de janeiro de 1992, todos os pacientes que ainda fumem serão convidados e orientados para procurar outro médico. Se você quiser ajuda para parar de fumar, procure-me agora."

A questão resultante para os membros da comissão assessora da HMO foi: a política proposta seria aceitável para os membros da HMO?

Marvin E. Herring,;Edmund L. Erde - Cambrigde Quarterly Healthcare Ethics,1994.

[No artigo em análise, comenta-se a falta de justificativa ética para a postura desse médico. Argumenta-se que a recusa eletiva de atendimento de pacientes, por não poder ser extensível aos outros médicos, sob pena de falência da HMO, não é aceitável.

A postura dos americanos é, como habitualmente ocorre, bastante pragmática. Sob o ponto de vista institucional, nada há a criticar. Em termos ideológicos, cabe, entretanto, objeção à restrição (talvez além do necessário) da autonomia do médico, que afinal poderá ter sua idiossincrasia quanto à ajuda (imposta) a alguém que ele considera "não querer ser ajudado". Marcos Segre ]

            CFM


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