Minerais - Importância dos micronutrientes para a produção dos grãos
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Minerais

Importância dos micronutrientes para a produção dos grãos

27/07/2003

IMPORTÂNCIA DOS MICRONUTRIENTES PARA A PRODUÇÃO DOS GRÃOS
José Laércio Favarin
Engenheiro agrônomo, Prof. Dr. do Departamento de Agricultura ESALQ-USP
José Paulo Marini
Engenheiro agrônomo, Gerente de vendas da Agroplanta Indústrias Químicas Ltda.

 

Para o aumento da produtividade dos grãos, com redução dos custos, a prática do uso de micronutrientes tem se intensificado nos últimos anos.

A produção de grãos é uma atividade extremamente importante para a economia brasileira, pois além de ser uma grande geradora de divisas é responsável por milhões de empregos diretos e indiretos.

O agricultor brasileiro, para ser competitivo no mercado, necessita aumentar a produtividade com conseqüente redução de custos. Porém, algumas práticas precisam ser adotadas e o uso de micronutrientes na produção de grãos é uma delas.

Aproximadamente 95% da composição química das plantas, expressa em matéria seca, é constituída de carbono, oxigênio e hidrogênio, enquanto os 5% restantes advêm dos micronutrientes minerais separados em duas categorias: os macronutrientes como o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre e os micronutrientes como o zinco, boro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e cobalto.

A pequena participação dos elementos minerais na constituição dos vegetais e o próprio termo "micronutrientes" podem sugerir menor grau de importância – mas todos são essenciais para o desenvolvimento e reprodução das plantas. O critério adotado para a separação é meramente quantitativo, uma vez que os micronutrientes desempenham suas funções no metabolismo vegetal, requerendo menores quantidades comparativamente à demanda de macronutrientes.

Nos últimos anos tem se intensificado o uso de micronutrientes na agricultura brasileira, tendo contribuído para isso os seguintes fatores:

• O desenvolvimento de variedades com elevado potencial produtivo implica invariavelmente em maior exigência nutricional, que associada à maior produtividade agrícola eleva a produção de nutrientes contidos nos grãos das culturas como soja, milho e arroz, diminuindo progressivamente a disponibilidade nos solos.

• Perdas anuais de 800 milhões de toneladas de solo, que com a erosão carregam para fora das áreas de plantio as frações minerais e orgânicas, fontes de micronutrientes.

• Uso de fórmulas de fertilizantes de alta concentração reduziu a oferta de micronutrientes com impurezas.

• O avanço da fronteira agrícola para os solos ácidos e pobres – inclusive em micronutrientes – dos cerrados (com exceção do manganês).

• A correção de acidez com a elevação do pH da solução do solo, condição sine qua non para o bom desempenho da agricultura, diminui acentuadamente a disponibilidade (com exceção do molibdênio) dos micronutrientes zinco, boro, cobre, ferro e manganês, originalmente deficientes podendo diminuir em até 100 vezes a disponibilidade de manganês e zinco, além de reduzir a atividade do cobre e de ampliar os riscos de perdas de boro por lixiviação.

Pode-se concluir que os micronutrientes são efetivamente a "bola da vez" e o desafio está posto: como utilizá-los racionalmente?

Levantamento realizado em vários estados, com 35 culturas, detectou a deficiência de boro em 24 culturas, de zinco em 23, de molibdênio e cobre em 7 e manganês em 6 culturas. Resultados experimentais com aplicação de micronutrientes indicam uma freqüência de resposta de 36% para o zinco, 24% para o boro, 14% para o molibdênio, 12% para o cobre e 8% para o manganês nas culturas anuais como soja, milho, arroz, não diferindo substancialmente nas culturas perenes, exceto o molibdênio cuja freqüência de resposta foi de 21%.

A importância dos micronutrientes pode ser entendida através das funções que exercem no metabolismo das plantas, atuando como catalisadores, como indicam os exemplos apresentados a seguir:

Zinco: participa da síntese do aminoácido triptofano, precursor do AIA (Ácido Indol Acético), um hormônio do crescimento. Portanto, plantas deficientes em zinco são menores, raquíticas e com internódios curtos, com cloroses internervais, folhas lanceoladas. Os passos metabólicos da síntese de lipídios, substância de reserva das sementes, é catalisada pela enzima aldoíase na presença de zinco, possibilitando com isso maior granulação que refletirá no aumento de peso e obviamente no rendimento da cultura.

Boro: ativa a enzima fosforilase do amido responsável pela síntese de amido, substância de reserva das sementes, raízes e colmos. Plantas deficientes em boro podem apresentar grãos leves, bem como menor pegamento de florada e formação de sementes, seca de ponteiros com morte de gema terminal, proporcionando a concentração do hormônio de crescimento (AIA) nas folhas e ramos, colaborando para o superbrotamento e o pequeno desenvolvimento radicular.

Cobre: entre inúmeras funções desse micronutriente pode ser enumerada a sua importância curativa e na prevenção de algumas doenças. Na presença do cobre a atividade das peroxidases e catalases são diminuídas acumulando, nos tecidos, fenóis e peróxidos de hidrogênio, ambos com ações sobre fungos e bactérias. Outra contribuição é a sua participação na síntese da leghemoglobina e no transporte de elétrons durante a fixação de nitrogênio, que ocorre no interior dos nódulos nas raízes de soja.

Manganês: atua na síntese da clorofila, pigmento que confere a cor verde às folhas. A deficiência desse micronutriente e a oxidação excessiva da clorofila é responsável pela substituição da cor verde por um tom esbranquiçado das folhas, diminuição da fotossíntese e da produtividade. Funciona também em vários processos enzimáticos da planta.

Molibdênio e Cobalto: são utilizados no tratamento de sementes atuando em conjunto no processo de fixação biológica de Nitrogênio, fornecendo até 100 kg/ha do nutriente para a cultura da soja.

A fixação do nitrogênio atmosférico depende da atividade da enzima nitrogenase, uma proteína constituída por ferro e molibdênio – daí sua importância.

O processo de fixação é aeróbico, isto é, depende da presença de oxigênio, que em excesso pode destruir a nitrogenase com sua oxidação. Nesse momento fica evidente a importância do cobalto, necessário para a síntese da cobamida (Vitamina B 12), que participa dos passos metabólicos para a formação da leghemoblobina, cuja afinidade com o oxigênio é elevada, regulando sua concentração nos nódulos e impedindo, assim, a inativação da nitrogenase e, consequentemente, a fixação de nitrogênio pelas bactérias.

Nas plantas onde o nitrogênio é obtido através dos fertilizantes o molibdênio é também muito importante, uma vez que a concentração de nitrato de mesófilo foliar induz a síntese da redutase do nitrato, de cuja constituição participa o molibdênio. A atividade da redutase do nitrato é responsável pela transformação do nitrato (NO3) em amônia (NH3), o qual será posteriormente incorporado em substâncias orgânicas como o glutamato, substância-chave na produção de aminoácidos. A incorporação da amônia em compostos orgânicos, através da síntese dos glutamatos, depende da atividade da enzima desidrogenase glutâmica, catalisada pelo cobre.

Os exemplos apresentados são suficientes para evidenciar a importância dos micronutrientes para a produtividade, atuando como chaves que ligam as enzimas, desencadeando os processos metabólicos.

Como dissemos, o acirramento da competição, fruto da abertura de mercado, o aumento da produtividade é uma forma de reduzir custos e aumentar a lucratividade. Lembre-se que uma adubação equilibrada com micronutrientes é um caminho para esse aumento da produtividade, ou seja, o micronutriente é a diferença que faz a diferença no bolso do agricultor.

Micronutriente, a vitamina da plantação

Assim como não basta comer arroz e feijão diariamente, as plantações também exigem, para crescer na época "sadias" e na época certa, de vitaminas especiais. Os micronutrientes são microelementos como zinco, boro, ferro, manganês, cobalto, molibdênio, níquel e vanádio, que complementam as necessidades específicas de cada planta em determinados solos e épocas de plantio.

Os micros, como também são conhecidos, são utilizados pelas plantas em pequenas quantidades. Sua falta, no entanto, pode acarretar grandes perdas na produtividade. O solo brasileiro é pobre em micronutrientes, principalmente zinco nas regiões de cerrado e de fronteiras agrícolas – que ganham produtividade de soja e milho ao utilizar micronutrientes.

Os micronutrientes são utilizados na fabricação de fertilizantes e rações, com doses e quantidades calculadas para cada característica de solo. A composição básica do adubo ou fertilizante é conhecida pelos especialistas como NPK. O N é o Nitrogênio, responsável pelo crescimento; o P é o Fósforo, elemento que aumenta a massa e o K ou Potássio fornece o açúcar necessário para o bom desenvolvimento da plantação. O micronutriente é um produto que complementa o fertilizante, garantindo outros aspectos do crescimento da plantação.

 


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