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Minerais

Deficiências Minerais em animais

27/07/2003

 

 

 

 

 

principais deficiências minerais em bovinos de corte

 

ferro, manganês, cobre e zinco

Ferro

Setenta por cento do ferro no organismo animal está sob forma de hemoglobina e 30% encontra-se no fígado, baço e medula óssea. A hemoglobina é o composto de eleição para diagnóstico da deficiência de ferro. Esta raramente ocorre no gado bovino, exceto quando os animais apresentam alto grau de parasitismo ou hemorragia. Nos solos tropicais, a disponibilidade de ferro nas forrageiras suficiente e até alta para atender à demanda dos bovinos.

Em termos de pesquisa, é possível que o ferro deva ser um motivo mais de preocupação em relação ao seu potencial tóxico que de deficiência, para bovinos. Pode causar deficiência condicionada a outros elementos essenciais (Cu e Zn) pelo efeito antagônico no processo de absorção no duodeno.

O principal efeito deletério do excesso de ferro seria a formação de complexo insolúvel com o fósforo no rúmen, e a formação da hemosiderina no fígado e baço em dietas deficientes de Cu. Normalmente é também um elemento contaminante dos ingredientes da mistura mineral.
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Manganês

O manganês é necessário para manter o funcionamento perfeito dos processos reprodutivos tanto dos machos como das fêmeas. Ele é necessário, também, para a manutenção da estrutura óssea normal e o funcionamento adequado do sistema nervoso central.

O fígado é o órgão de eleição para a estocagem do manganês. A deficiência de manganês é pouco provável em bovinos sob condições de pastagens, pois estas encerram quantidades adequadas que suprem as exigências dos animais. Por outro lado, pastos formados em áreas que eram originalmente floresta podem apresentar teores deficientes de manganês.

Os sintomas da deficiência desse elemento podem ser expressos por anomalias no esqueleto de animais jovens e recém-nascidos, transtornos na reprodução, retardamento do cio e conseqüente baixa taxa de concepção (Underwood, 1981). Este elemento não costuma se fazer necessário nas misturas minerais das regiões de Cerrados, onde as concentrações são elevadas.

A disponibilidade do Mn é maior em solos cujo pH está abaixo de 6, como nas regiões de Cerrados. Análise de pastagens nativas e cultivadas nesta região tem demonstrado concentrações sempre acima do nível máximo de exigência de bovinos.

Cobre

Este elemento está diretamente ligado à formação da hemoglobina, maturação da hemácia e no funcionamento do sistema enzimático. Participa da formação do tecido ósseo e conjuntivo e do sistema imunológico. Ele é importante para a integridade do sistema nervoso central e da musculatura cardíaca. Encontra-se distribuído em todos os tecidos do organismo, principalmente sob a forma de metaloproteínas, funcionando como enzima.

O fígado é também o órgão de estocagem deste microelemento. No plasma, cerca de 90% do Cu circulante está ligado a uma proteína, denominada ceruloplasmina, que parece estar envolvida na mobilização do ferro. Os principais sintomas de sua deficiência são:

1) anemia hipocrômica e neutropenia, resultante de uma prolongada deficiência de cobre que impede a síntese da hemoglobina, principal componente das hemácias;

2) ataxia enzoótica em bezerros recém-nascidos, caracterizada por perturbações da locomoção, paralisia posterior e morte, causada pela má formação da bainha de mielina da medula espinhal em decorrência da deficiência crônica de cobre das mães;

3) morte súbita, caracterizada por atrofia e fibrose do miocárdio, os animais caem e morrem de súbito por falência cardíaca aguda;

4) diarréia, uma ocorrência mais comumente associada com a deficiência de cobre direta ou induzida (toxidez de molibdênio e/ou enxofre);

5) perda da cor natural dos pêlos e pele, demonstrada em animais de pelagem escura;

6) declínio da fertilidade pela falta ou retardamento do cio;

7) deformidade e enfraquecimento dos ossos longos, que fraturam com relativa facilidade.

Carências de fósforo e cobre estão entre as mais generalizadas em ruminante em pastejo. Em algumas regiões do Brasil, como as de solos mais férteis, pode ocorrer a deficiência condicionada de cobre, devido a altas concentrações de molibdênio e/ou enxofre no solo. O excesso de molibdênio na dieta causa sinais clínicos similares e indistinguíveis da deficiência de cobre.

Tanto o excesso de molibdênio como o cobre deficiente podem ser corrigidos pela provisão adicional de cobre aos animais. Nas áreas onde o molibdênio está presente em altas concentrações nas pastagens, a melhor maneira de suplementar o cobre é pela aplicação de injeções periódicas de compostos à base desse elemento, evitando complexação no trato gastrointestinal.
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Zinco

O zinco tem papel fundamental no metabolismo do ácido nucléico e de proteínas, em conseqüência, nos processos fundamentais de multiplicação celular. É um elemento estrutural ou ativador de uma série de enzimas. Ele é necessário para a adequada formação e funcionamento do sistema imunológico na primeira fase de vida do animal.

Uma parte do zinco da dieta é absorvida no abomaso e o restante no duodeno, daí é mobilizado no fígado por uma proteína carreadora específica, denominada metalotioneína. O zinco, ao contrário dos demais elementos, não é estocado em nenhum órgão. Ele se constitui "pool" móvel, comandado por uma proteína específica, que mobiliza-o para um tecido ou órgão de maior demanda.

Um exemplo desta situação foi na avaliação do envolvimento dos microelementos com a doença da "cara inchada" ou doença peridentária dos bovinos (CI). A doença desenvolve um processo infeccioso nos maxilares, com perdas dos dentes pré-molares. Nesse estudo foram encontrados teores hepáticos de Zn extremamente altos nos bezerros com CI, que tinham intensa atividade imunológica, em relação aos não afetados pela CI (Moraes et al., 1994).

É um elemento muito importante nos processos de resposta imunológica celular e humoral, disfunções endócrinas e situação de estresse.

Deficiência de zinco em animais em pastejo dificilmente se manifesta de uma forma clara, com a sintomatologia clínica bem definida. Deficiências subclínicas são comuns. Vacas e bezerros até um ano de idade pertencem à categoria animal mais predisposta a esta deficiência.

A carência de zinco incide primeiro no bloqueio da síntese de proteínas; em conseqüência há redução do apetite, redução na imunocompetência (baixa resistência às infecções), dificuldade de cicatrização das lesões cutâneas, paraqueratose e infertilidade.

Nos machos, diminui a espermatogênese e o crescimento testicular. Nas fêmeas, pode alterar todas as fases do processo reprodutivo, desde o estro ao parto e lactação (Mills, 1987; Graham, 1991).

A administração de doses orais ou de injeções de compostos à base de zinco pode reduzir o estresse metabólico presente na desmama. Em situações de alta produtividade podem ser aumentados os requisitos para suplementação.

EMBRAPA

 



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