A alergia ao látex parece ser um problema relativamente novo e que vem crescendo em freqüência. Apesar de que as razões para isso não estejam claras, elas podem incluir o crescente uso de luvas de látex na última década devido a políticas de precaução instituídas nos centros de atendimento à saúde, assim como a mudanças na fabricação dos produtos de látex.
O que é o látex?
O látex é um líquido leitoso produzido pelas árvores da borracha. Usando diferentes métodos, o látex pode ser processado, criando uma variedade de produtos, como luvas e balões para festas de aniversário. Durante a fabricação são adicionados produtos químicos para aumentar a velocidade de endurecimento por aquecimento (vulcanização) e para proteger a borracha do oxigênio do ar.
São comuns os produtos feitos da (ou a partir da) mistura do látex natural de borracha com outros compostos. As reações alérgicas ao látex, naqueles que são a ele sensíveis, são comumente causadas por luvas, balões de encher e camisinhas.
Em raras ocasiões, os alérgicos ao látex podem também reagir a elásticos, borrachas (para apagar lápis), partes de borracha de brinquedos, vários produtos usados em medicina, roupas de látex, chupetas e bicos de mamadeira. Os produtos feitos com borracha "crepe", como solas de sapato, provavelmente não causam reações. A maioria das tintas de látex não são problemáticas, pois não contêm látex natural.
Tipos de reações alérgicas
Há dois tipos de reações alérgicas ao látex. A primeira é a alergia de contato, que aparece 12-36 horas após contato com o látex (parece com a reação a certos esparadrapos ou a certos antissépticos cutâneos). Aparece mais freqüentemente nas mãos das pessoas que usam luvas de látex, mas pode ocorrer em outras partes do corpo em que houve o contato. A prevalência desse tipo de alergia ao látex não parece estar aumentando. A dermatite de contato é geralmente o resultado da sensibilização a produtos químicos adicionados no processamento da borracha. Apesar de causar muita irritação local, não apresenta risco de vida.
As reações alérgicas do tipo imediato, ou mediadas pelo anticorpo IgE, são potencialmente a forma mais séria de reações alérgicas ao látex. Do mesmo modo que outras formas comuns de alergia, essas reações ocorrem naqueles já previamente expostos ao látex e que ficaram sensibilizados. Com a reexposição, podem ocorrer sintomas como coceira, vermelhidão, inchação, espirros, e chiados no peito. Raramente, podem ocorrer sintomas que levem a risco de vida. Essa reação alérgica grave é chamada anafilaxia e é caracterizada por sintomas como o choque, problemas respiratórios graves e perda da pressão arterial. Se não for tratada prontamente pode ser fatal.
A intensidade da reação imediata depende do grau de sensibilidade da pessoa e da quantidade do alergeno do látex ao qual a pessoa está exposta. O maior perigo de reações graves ocorre quando o látex entra em contato com áreas úmidas do corpo, ou com superfícies internas durante uma cirurgia, porque mais alergeno pode ser rapidamente absorvido pelo corpo.
O látex também pode ser carregado pelo ar, causando sintomas respiratórios. Por exemplo, as partículas se aderem ao pó usado nas luvas de borracha. Quando as luvas são usadas, o pó e os alergenos do látex entram em suspensão no ar, podendo ser inalados ou entrar em contato com o nariz ou os olhos, causando sintomas. Altas concentrações desse pó alergênico foram medidas em CTIs e salas de cirurgia. O uso de luvas de látex sem pó, ou de luvas de vinil ou de outro material sintético, reduz o risco dessas reações. A capacidade dos produtos de látex — especialmente luvas — de causar reações alérgicas varia enormemente com a marca e com o lote de fabricação.
Prevalência
Certos grupos de indivíduos que são freqüentemente expostos ao látex estão sob grande risco de desenvolver reações alérgicas do tipo imediato. Os indivíduos com spina bifida (um problema congênito do desenvolvimento) e os que apresentam problemas congênitos do aparelho urinário parecem ter um risco de aproximadamente 50%. Os que trabalham na área da saúde e aqueles cuja profissão exige o uso de luvas de látex ou mesmo apenas trabalham próximos a elas, têm um risco de cerca de 10%. Outros que possuem maior risco são aqueles que já passaram por muitos procedimentos médicos ou cirúrgicos, resultando numa exposição repetida A LUVAS DE LÁTEX. Os trabalhadores da indústria de borracha também sofrem riscos maiores. Mesmo nos adultos normais, o risco de sensibilização ao látex pode chegar a 6%.
Algumas pessoas com alergia ao látex podem experimentar uma reação a alguns alimentos que possuem algumas das mesmas proteínas alergênicas do látex. Essa reação, chamada reação cruzada, pode ser desencadeada por banana, abacate, kiwi e castanha da Europa.
Avaliação e tratamento
O primeiro passo no tratamento da alergia ao látex é estar alerta ao problema. Faça uma visita ao seu alergista se você acha que tem sintomas de alergia ao látex. Depois de colher detalhadamente sua história clínica e de examiná-lo, seu médico decidirá se outros testes são necessários. Se você for alérgico ao látex, deverá evitar contato com produtos de látex de borracha natural, tanto quanto possível. Informe sua família, seus outros médicos (eventualmente enfermeiras), patrões , ou professores e pessoal da escola (no caso de crianças) sobre a alergia.
Discuta com seu médico se você deveria usar um bracelete ou um colar notificando sua alergia. Ele também determinará se você deveria levar consigo uma adrenalina (epinefrina) injetável, para o tratamento imediato e de emergência de uma reação alérgica grave.
Se você tem reações ao látex, vá ao alergista. Se você não puder mais trabalhar com látex no ambiente de trabalho por causa de sua alergia, veja com seu empregador outras opções ou modificações razoáveis no ambiente. Se você é alérgico e precisa usar luvas, ou se está em contato com quem as use, há várias opções.
Tente substituí-las por luvas de vinil, apesar de que elas não sejam adequadas para certas situações. Luvas de látex sintético são outra opção. Estas podem ser usadas em praticamente todas as situações em que as luvas de látex funcionam, incluindo cirurgia, mas são mais caras. Para os que apresentam reações de contato ao látex, as luvas de látex fabricadas sem adição de outros produtos químicos podem bastar.
Se você tem sintomas respiratórios importantes pela inalação de partículas de látex, você precisa evitar as áreas onde luvas com pó sejam usadas frequentemente. O ideal seria que todas as áreas de uso intenso de luvas deveriam evitar as que têm pó.
O uso de camisinhas de látex pode ser um problema para alguns alérgicos ao látex. Camisinhas de borracha sintética, criadas para prevenir as doenças venéreas e a gravidez, são uma opção.
Os fabricantes estão tentando produzir produtos de látex que contenham menos alergeno do látex. Quando esses produtos estiverem disponíveis no mercado, o risco de reações nos indivíduos sensíveis, assim como o risco de outras pessoas desenvolverem essa alergia, deverá diminuir.
Dr. H.M.Eisenberg