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Reservada inicialmente aos escravos, a cachaça, com o aprimoramento da produção, atraiu muitos consumidores e passou a ter importância econômica para o Brasil colônia. Tornou-se moeda corrente no tráfico negreiro com a África. Era trocada em maior proporção que o fumo Alguns engenhos passam a dividir a atenção entre o açúcar e a cachaça. Era costume oferecê-la aos escravos na primeira refeição do dia, a fim de que pudessem suportar melhor o trabalho árduo dos canaviais. Dos meados do Século 17 até metade do Século 18, as "casas de cozer méis", como estão registradas, se multiplicam nos engenhos. A descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande população, vinda de todos os cantos do país, que constrói cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinhaço. A cachaça ameniza a temperatura.
Outra lapada
Em 1743, D. Maria I volta a investir contra a produção de cachaça na colônia, culpando-a pela baixa produção escrava. Porém, nas veias dos brasileiros já corria sangue venenoso levando a coroa à derrota mais uma vez. A produção da "marrvada", então, só cresceu e nos fins do século XVII já era exportada para Angola. No período de 1798 a 1890, a Bahia exportava, para a África, 46 mil litros da famosa bebida. Em 1756 a Aguardente de Cana de Açúcar foi um dos gêneros que mais contribuíram com impostos voltados para a reconstrução de Lisboa, abatida por um grande terremoto em 1755. Como símbolo dos ideais de liberdade, a cachaça percorre as bocas dos inconfidentes e da população que apoia a Conjuração Mineira. A aguardente da terra se transforma no símbolo de resistência à dominação portuguesa. Com o passar dos tempos melhoram-se as técnicas de produção. A cachaça passa a ser apreciada por todos. Hoje, várias marcas de alta qualidade figuram no comércio nacional e internacional e estão presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo. É com muito orgulho que o Divina Gula mantém viva em seus barris toda a essência da história do povo brasileiro.
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