Neurologia/Neurociências - Paralisia Cerebral
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Neurologia/Neurociências

Paralisia Cerebral

08/08/2003

 

 

 

CONCEITO

A criança com Paralisia Cerebral tem uma perturbação do controlo da postura e movimento, como conseqüência de uma lesão cerebral que atinge o cérebro em período de desenvolvimento Não há dois casos semelhantes.
Algumas crianças têm perturbações ligeiras, quase imperceptíveis, que as tornam desajeitadas a andar, falar ou a usar as mãos. Outras são gravemente afetadas com incapacidade motora grave, impossibilidade de andar e falar, sendo dependentes nas atividades da vida diária. Entre estes dois extremos existem os casos mais variados. De acordo com a localização das lesões e áreas do cérebro afetadas, as manifestações podem ser diferentes. Os tipos mais comuns são:
· Espástico - Caracterizado por paralisia e aumento de tonicidade dos músculos resultante de lesões no córtex ou nas vias daí provenientes. Pode haver um lado do corpo afetado (hemiparesia), os quatro membros (tetraparesia) ou mais os membros inferiores (diplegia).
· Atetose/Distonia - Caracterizada por movimentos involuntários e variações na tonicidade muscular resultantes de lesões dos núcleos situados no interior dos hemisférios cerebrais (Sistema Extra-Piramidal)
· Ataxia - Caracterizada por diminuição da tonicidade muscular, incoordenação dos movimentos e equilíbrio deficiente, devido a lesões no cerebelo ou das vias cerebelosas.
A criança com Paralisia Cerebral pode ter inteligência normal ou até acima do normal, mas também pode ter atraso intelectual, não só devido às lesões cerebrais, mas também pela falta de experiência resultante das suas deficiências. Os esgares da face e deficiência na fala, devido ao descontrolo dos movimentos, podem fazer aparentar um atraso mental que na realidade não existe. Podem aparecer formas mistas com diferentes sintomas, o que torna difícil a avaliação.


CAUSAS

Em cada 1000 bebês que nascem, 2 podem ser afetados por Paralisia Cerebral.
A Paralisia Cerebral não é, geralmente, devida a qualquer deficiência dos pais ou doença hereditária. Pode ser causada por hemorragias, deficiência na circulação cerebral ou falta de oxigênio no cérebro, traumatismo, infecções, nascimento prematuro e icterícia grave neonatal.
Não se sabe exatamente, num grande número de caso, como e porquê a criança foi afetada, mas sabe-se que houve uma lesão, geralmente antes do nascimento, na altura do parto, ou após este, que é responsável pela deficiência.
Causas durante o parto:
- Falta de oxigênio ao nascer (o bebê demora a respirar, lesando parte(s) do cérebro); · Lesões causadas por partos difíceis, principalmente a dos fetos muito grandes de mães pequenas ou muito jovens (a cabeça do bebê pode ser muita comprimida durante a passagem pelo canal vaginal); · Trabalho de parto demorado; · Mau uso do fórceps, manobras obstétricas violentas; · Os bebês que nascem prematuramente (antes dos nove meses e pesando menos de 2 quilos) têm mais chances de apresentar Paralisia Cerebral.
Causas durante o nascimento
- Febre prolongada e muito alta;
- Desidratação, com perda significativa de líquidos;
- Infecções cerebrais causadas por meningite ou encefalite;
- Ferimento ou traumatismo na cabeça;
- Falta de oxigênio por afogamento ou outras causas;
- Envenenamento por gás, por chumbo ( utilizado no esmalte cerâmico, nos pesticidas agrícolas ou outros venenos);
- Sarampo; · Traumatismo crânio - encefálico até os três anos de idade.
Dentro do desenvolvimento normal temos um conjunto de reações e reflexos posturais, que na criança portadora de Paralisia Cerebral podem estar ausentes ou exarcebados, prejudicando o seu desenvolvimento motor. Ou seja:
· Reflexo de Moro: Tem seu início no recém nascido e seu final por volta dos 4 a seis meses. Testa-se deslocando-se o centro de gravidade da criança, ou dando um estímulo visual ou sonoro. Como resposta vai haver uma abdução e extensão dos membros, com extensão e abertura dos dedos, exceto as falanges distais dos indicadores e polegares que permanecem fletidos. Em seguida ocorre a adução e flexão dos membros.
· Placing: Nos membros inferiores tem início com 1 mês de idade e tem seu final por volta dos dois ou três meses. Testa-se levantando a criança e pressionando-se o dorso de um de seus pés contra a borda de uma mesa. Como resposta teremos a flexão dos diferentes segmentos da perna, trazendo o pé acima da mesa e assim que se estabelece o contato ativo ou passivo da sola do pé com a mesa, ocorre a extensão do membro inferior. Nos membros superiores tem início por volta do segundo mês, tornando-se extensão protetora por volta do sexto mês. Criança é segurada pelo examinador e o dorso de uma de suas mãos é pressionada sob a borda de uma mesa. Como resposta os diferentes segmentos do membro superior se fletem trazendo a mão para cima da mesa.
· Reação de Suporte: Tem início entre o primeiro e o terceiro mês, finalizando por volta do oitavo mês. É provocado através de estímulo proprioceptivo, pela dorsiflexão das partes distais dos membros ou por estímulo exteroceptivo provocado pelo contato das plantas dos pés com o solo. Como resposta teremos a contração simultânea de extensores e flexores.
· Reação Cervical de Retificação: Está presente ao nascimento, desaparecendo por volta do segundo mês. É obtida virando-se a cabeça do bebê para um lado, seja ativa ou passivamente, levando a um aumento do tônus do tronco e, o bebê vira para o lado em bloco.
· Reação Labiríntica de Retificação: Está presente no recém nascido e começa a ficar mais presente por volta do quarto mês. Esta reação permite primeiro a elevação da cabeça na posição prono. No início a cabeça pode ser mantida levantada fraca ou intermitentemente, mas, o bebê irá mantê-la bem na linha média, a partir da oitava semana (2 meses). O levantamento da cabeça na posição prono, inicia um processo de extensão geral do tronco e dos membros, contra a gravidade, que começa céfalo-caudal e alcança quadris e joelhos por volta do sexto mês.
· Reação Óptica de Retificação: Quando os olhos se movem, a cabeça e o corpo também giram em direção ao objeto, o qual a atenção foi direcionada. Com a maturação das vias ópticas por volta dos seis meses de idade, é que inicia-se a reação de retificação pela visão.
· Reação de Landau: Esta reação é uma combinação das reações de retificação e dos reflexos tônicos. Ela aparece ao redor de seis meses de idade. Quando se levanta uma criança de bruços da mesa, apoiada apenas com a mão do examinador sob o tórax, a criança primeiro erguerá a cabeça, de maneira que a face esteja numa posição vertical, após esta elevação da cabeça ocorre uma extensão tônica da coluna e membros inferior, que pode ser tão forte que todo o corpo da criança torna-se curvado para trás.
· Reflexo de Galant: Um estímulo doloroso na região lombar do bebê em prono provocará a flexão do tronco para o lado estimulado. Nos primeiros dias de vida a resposta é freqüentemente ausente ou fraca. Este reflexo desaparece com 2 meses de idade.
· Reação de Anfíbio: Esta reação torna o indivíduo capaz de flexionar suas coxas e suas pernas, na preparação para o arrastar, proporcionando a dissociação entre tronco, ombros e pélvis. Esta reação inicia-se no quarto mês e permanece para a vida toda. O teste é realizado levantando-se um lado do quadril, sob a virilha. O membro inferior deste lado flexiona e abduz, enquanto que o membro do lado oposto entra em extensão.
· Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA): É estimulado pela rotação da cabeça e causa a extensão dos membros para o lado em que a cabeça foi rodada e diminuição de tônus extensor com aumento da flexão dos membros para o lado occipital da cabeça. Inicia-se por volta do segundo mês e é integrado no quarto mês.
· Reflexo Tônico Cervical Simétrico (RTCS): Também é uma resposta proprioceptiva dos músculos do pescoço, por um movimento ativo ou passivo. A elevação da cabeça produz um aumento do tônus extensor nos braços e aumento do flexor nas pernas. Abaixando-se a cabeça ocorre a situação inversa. Tem sua fase de origem no segundo mês e integra-se por volta do sexto mês.
· Reflexo Tônico Labiríntico (RTL): É evocado pelas mudanças da posição da cabeça no espaço. Na criança com Paralisia Cerebral provoca um máximo de tônus extensor (hipertonia), na posição supina e um mínimo na posição prona. Está presente no primeiro mês de vida, desaparecendo no sexto mês com o aparecimento do Landau.
· Reação de Extensão Protetora: Também conhecida como reação de pára-quedas ou de precipitação, é a postura assumida por um animal, como se fosse a aterrissagem de um pulo. Esta reação consiste em duas fases e ajuda a manter o bebê sentado. Na primeira fase ocorre a extensão do braço, punho e dedos, para atingir o solo ou, outro apoio. Na segunda fase a criança coloca o peso sobre o braço e a mão levada para o apoio. Esta reação tem início por volta dos 5 meses. Quando a criança está sentada nota-se sua presença aos seis meses para a frente, aos 8 meses para os lados e aos 10 meses para trás.
· Reações de Equilíbrio: Um importante aspecto no desenvolvimento motor normal é a liberação dos braços e das mãos do seu papel primitivo de manutenção do equilíbrio. Com o tempo esta função passa para a alçada do tronco e das pernas. A evolução da postura no homem, necessitou o desenvolvimento de um mecanismo reflexo, servindo para a manutenção e recuperação do equilíbrio, na posição ereta e ao andar. Estas reações são específicas para o homem e seu aparecimento surge numa ordem cronológica sobrepondo-se às reações de retificação
Reflexos Orais
Os reflexos orais podem ser subdivididos didaticamente em reflexos de alimentação e reflexos de proteção a alimentação.
Reflexos de Alimentação:
· Reflexo de Procura: também conhecido por reflexo dos quatro pontos cardeais, quando a mãe vai amamentar o bebê e o bico do seio toca a região próxima a boca do bebê, o bebê vira a cabeça em direção ao seio para poder introduzi-lo em sua boca e iniciar a sucção. Este reflexo está presente ao nascimento e vai diminuindo a partir do quarto mês, quando a criança começa a levar a mão à boca e inicia-se um processo de adequação da sensibilidade oral.
· Reflexo de Sucção: também está presente ao nascimento e por volta dos 4 meses começa a tornar-se voluntário. É uma continuidade do reflexo de procura. Após a criança introduzir o bico do seio em sua cavidade oral, o contato deste com a porção anterior da língua, desencadeia um processo de movimentos rítmicos de sucção.
· Reflexo de Deglutição: Também presente ao nascimento e tornando-se mais voluntário a partir do quarto mês, quando vai se aprimorando um processo mais coordenado com a sucção e a respiração.

Reflexos de Proteção a Alimentação:
· Reflexo de Vômito: Está presente ao nascimento e vai se posteriorizando até o sétimo mês. Este reflexo fica presente na vida adulta. No bebê é elicitado tocando-se na porção anterior da língua. O primeiro sinal do desencadeamento deste reflexo é o arregalar dos olhos.
· Reflexo de Mordida: Presente ao nascimento e suprimido por volta do sétimo mês com o aparecimento da mastigação. pode ser observado fazendo-se uma pressão na região da gengiva superior, um pouco a direita ou a esquerda da linha média. Como resposta teremos um fechar e abrir rítmico de mandíbula.

Condições de estimulação nos portadores de P.C.
- Inibir os padrões patológicos.
- Diminuir os reflexos, aumentar as reações de postura, ganho do equilíbrio
- A criança deve sair diferente à cada sessão de aula/terapia. Se chegar hipertônica deve sair relaxada e vice-versa.
- O diplégico tem controle dos membros inferiores comprometidos, mas os superiores conservam padrões patológicos e isto dificulta o desenvolvimento caudal.
- Ênfase no desenvolvimento abdominal. Importante no controle do CG.
- Trabalhar a simetria porque o RTC é aumentado.
- No atetósico aparecem os reflexos de retração e protração de membros superiores.
- O Moro é acentuado no espástico e atetósico.
- Preensão diminuída ou ausente.
- Ênfase no desenvolvimento do eixo medial

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é baseado na clínica, ou seja, o exame físico. As crianças que não apresentam desenvolvimento motor satisfatório ou não perdem os reflexos primitivos na época esperada, devem ser consideradas de risco, necessitando avaliações freqüentes e na dúvida, iniciar tratamento. Se desenvolverem para padrões normais, a terapia será suspensa e se a paralisia cerebral for confirmada, ganharam tempo e o resultado será melhor a longo prazo.

PRINCIPAIS PROBLEMAS

A Paralisia Cerebral é uma deficiência que vai afetar o desenvolvimento da criança. Deficiência é um termo discutível mas, realmente, quer dizer que uma pequena porção dos milhões de células que existem no cérebro foi destruída e, portanto, não se pode desenvolver. Não há possibilidade de regeneração destas células, pelo que não pode haver cura da lesão.
No entanto as células restantes podem ser estimuladas a funcionar o mais adequadamente possível de modo a compensar a deficiência e desenvolver ao máximo as potencialidades da criança. Não existem medicamentos nem operações que possam curar a Paralisia Cerebral. No entanto, há uma possibilidade de melhorar.
Esta melhoria não se manifesta subitamente mas, progressivamente, graças a um trabalho persistente e constante em que a colaboração dos pais é imprescindível. Sem esta colaboração, nem o melhor especialista pode obter resultados satisfatórios.
O prognóstico nem sempre é fácil de estabelecer. Os médicos, enfermeiros, psicólogos, técnicos de serviço social e terapeutas não são profetas, e o cérebro da criança desenvolve-se, por um lado, de acordo com o seu potencial e, por outro, de acordo com o estímulo que recebe.
A criança inteligente colabora melhor no exercícios e desenvolve mais facilmente as várias funções. A criança com desenvolvimento mental deficiente tem menos possibilidades e sua recuperação poderá ser mais lenta e mais limitada.

A AJUDA NA CRIANÇA COM PARALISIA CEREBRAL

1. A motricidade
A colaboração dos Pais no tratamento é indispensável.
Ao lidarmos com uma criança com Paralisia Cerebral damo-nos conta de uma variedade de problemas, tais como: não segurar a cabeça, não se manter sentada, não andar ou então mover-se de uma maneira descontrolada e insegura.
O Fisioterapeuta, ao longo de várias sessões de tratamento, vai ajudar os Pais a compreender melhor os problemas do seu filho e a lidar com ele de uma forma mais adequada,
Ao manejar e posicionar o seu filho é importante movimentá-lo devagar, dando-lhe oportunidade de se ajustar às mudanças de posição.
Só o tratamento que a criança faz no Centro não chega.

A alimentação
No primeiro ano de vida um dos problemas que se coloca aos pais é a Alimentação.
Ao nascer algumas crianças apresentam uma sucção tão fraca que têm muita dificuldade em chupar o peito ou o biberão, principalmente se estiverem muito tempo com sonda.
Os movimentos dos lábios, língua, palato e mandíbula podem estar afetados dificultando a mastigação e o engolir (deglutição).
Quando é altura de modificar a alimentação o problema torna-se maior, pois a mãe, não sabendo como ultrapassar as dificuldades continua a dar papas em vez de alimentos mais sólidos.

Dê atenção à posição em que se dá de comer ao seu filho
A posição durante a alimentação deverá ter em conta a idade da criança e deve permitir um bom controlo da postura e dos movimentos, impedindo,sobretudo o atirar a cabeça para trás. Tanto ao colo, como numa almofada ou num banco especial é importante que a mãe e o filho se sintam confortáveis, a fim de que a hora da refeição seja agradável para ambos.

Tipos de alimentos
Os Pais devem introduzir, pouco a pouco, alimentos mais sólidos, de acordo com a idade e as possibilidades da criança.
Como dar de comer ao seu filho?
Os Pais serão orientados pelo Terapeuta de Fala quanto ao melhor tipo de colher e copo a utilizar e qual a melhor forma de o fazer.
Quando o seu filho está a aprender a comer sozinho, só lhe sê ajuda naquilo que for mesmo necessário. Manifeste o seu contentamento, quando ele é capaz de fazer qualquer coisa bem. Peça ajuda para saber se é necessário adaptar talheres, pratos, copos, etc. Se a criança se suja ou suja o chão com a comida, ponha-lhe um bibe e um plástico no chão.

2. Os cuidados de higiene e a autonomia
A hora do banho além de ser a oportunidade de a criança ficar limpa, poderá ser também hora de brincadeira. Aproveite esta altura para brincar com o seu filho, peça ao seu terapeuta informações sobre os melhores brinquedos assim como tudo aquilo que existe para sentir que a criança fica em segurança e bem instalada na banheira. Assim irá proporcionar momentos de satisfação e de independência.
Não se esqueça que é importante lavar os dentes, principalmente depois das refeições principais. Evite dar açúcar e doces entre as refeições.
Não é fácil habituar qualquer criança a utilizar o bacio, mas não deixe de o tentar. O seu terapeuta dar-lhe-á indicações sobre que tipos de adaptações existem para que este treino seja bem sucedido.
Estimule o seu filho a vestir-se e a despir-se sozinho e, enquanto o faz, lembre-o das partes do corpo. Converse com ele sobre as peças do vestuário, para que servem e quais as suas cores. Pergunte ao terapeuta qual o tipo de roupa mais adequada e conveniente.

A tecnologia (computadores, comunicadores, cadeiras de rodas elétricas, etc.) pode ajudar as crianças a melhorar a sua autonomia e a terem experiências enriquecedoras. Por exemplo, o computador pode produzir som, música, pinturas coloridas, assim como letras e palavras de diferentes tamanhos ajudando o seu filho a brincar, a comunicar e a escrever, proporcionando-lhe mais possibilidades de realização, de independência e de autoconfiança.

3. Comunicação e linguagem.
Existem várias formas de comunicar: pelo olhar, sorriso, expressão da face, movimentos do corpo, palavra, desenho ou escrita.
Como ajudar a desenvolver a linguagem do seu filho

- Enquanto bebê estimule e participe nos seus jogos vocais (palrar)
- Proporcione-lhe um ambiente estimulante, falando-lhe mesmo que ele não responda.
- Aproveite para lhe falar de tudo o que o rodeia, das pessoas, das coisas, dos animais. Contribui deste modo para aumentar o seu vocabulário.
- Não continue a falar-lhe em linguagem infantil, como se fosse um bebê, dê-lhe a possibilidade de crescer. Se lhe falar normalmente ajuda-o a desenvolver a linguagem.
- não adivinhe os desejos do seu filho. Estimule-o e tente que ele se exprima por sons, palavras, gestos ou por qualquer outro meio, de modo que não se isole, desista ou se acomode no seu silêncio.

4. A educação e o desenvolvimento da criança.
As primeiras relações são muito importantes para o desenvolvimento da criança. O seu bebê pode ter dificuldade em, por si só, chamar a atenção do adulto.
Serão os Pais os primeiros a procurar a melhor forma de interagir com ele.
Os vários técnicos poderão ajudá-los na descoberta do brincar, sorrir, olhar, falar, olhar/comunicar.
A esta primeira interação segue-se toda uma fase de experiências sensoriais, através do brincar por vezes com o recurso a brinquedos adaptados às necessidades de cada criança.
A avaliação contínua irá ajudar a definir as necessidades específicas e capacidades de cada criança, em cada momento, encaminhando-a para várias estruturas de apoio - Escola regular com ou sem apoio, Centros e Escolas de apoio especializado.
A criança deficiente freqüentará sempre que possível o ensino regular, no entanto, por vezes, poderá ter necessidade de freqüentar, por maior ou menor tempo, Centros mais especializados onde equipas transdisciplinares intervindo junto da criança e da família, garantem um melhor desenvolvimento e a continuidade de cuidados específicos do que ela necessita, de forma a tornar possível uma maior autonomia e uma futura integração na escola e sociedade.

Intervenção na vida social/Intervenção na comunidade
Todas as crianças necessitam de contactos sociais, na descoberta da sua própria valorização e aceitação individual.
- Leve o seu filho a passear.
· ao mercado
· à feira
· ao jardim
· à casa dos amigos
· à praia
· ao campo
- Converse com ele sobre estas experiências.
- Leve-o a participar nas atividades de tempos livres.
- Leve-o a conviver com a natureza
Existem apoios na sua comunidade onde pode confiar as suas hesitações, expor e comunicar as suas dificuldades.
Deve recorrer às Instituições da sua área de residência, que lhe poderão dar indicações sobre os seus direitos:
· Sub-sistemas sociais (apoio social laboral)
· Centro Regional de Segurança Social.
· Junta de Freguesia
· Centro de Saúde
· Hospital
· Santa Casa da Misericórdia
· Associações de Pais.
A dinâmica e o empenhamento das famílias na procura de soluções para as necessidades destas crianças é imprescindível.
Família e Instituições, trabalhando em colaboração e em equipa, darão um contributo ativo para o bem estar de todos.

CLASSIFICAÇÃO

Dependendo da localização das lesões e áreas do cérebro que foram afetadas, as manifestações pode ser diferentes. Nas paralisias cerebrais há uma confusão de mensagens entre o cérebro e os músculos. Há três formas (tipos) mais comuns, dependendo de que mensagens foram afetadas. E pode-se classificar um quarto tipo de P.C. que teria uma combinação de 2 ou mais formas. A córtex controla os pensamentos, os movimentos e as sensações. Uma anormalidade nela pode resultar na Paralisia Cerebral do tipo Espástica.
Caracterizado por aumento e paralisia de tonicidade dos músculos. Pode haver um lado do corpo afetado (hemiparesia), os membros inferiores (diplegia), ou os 4 membros.(quadriplegia). Os Gânglios da Base ajudam a organizar os movimentos finos e delicados. Uma anormalidade deles pode resultar na Paralisia tipo Atetóide. Caracterizada por distonia (variações da tonicidade muscular) e movimentos involuntários afetando o Sistema ExtraPiramidal. O cerebelo controla e coordena os movimentos, as posturas e nosso equilíbrio. Uma anormalidade nele pode resultar na P.C. tipo Atáxica. Caracterizada por diminuição da tonicidade muscular, dificuldade para se equilibrar com descoordenação dos movimentos, podendo haver movimentos trêmulos das mãos e fala comprometida.

SAIBA MAIS QUE:

1. A Paralisia Cerebral não é contagiosa.
2. A pessoa portadora de Paralisia Cerebral tem inteligência normal, a não ser que a lesão tenha afetado áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento e pela memória.
3. Se a pessoa portadora de Paralisia Cerebral tiver sua visão ou audição prejudicada pela lesão, terá dificuldades para entender as informações como normalmente são transmitidas; Se os músculos da fala forem atingidos, terá dificuldades para comunicar seus pensamentos ou necessidades. Quando tais fatos não são observados, a pessoa portadora de Paralisia Cerebral pode ser erroneamente classificada como deficiente mental ou não inteligente.
4. Homens e mulheres portadores de Paralisia Cerebral podem ter filhos como qualquer outra pessoa. As características dos óvulos e dos espermatozóides, bem como a estrutura dos órgãos reprodutora não é afetada pela lesão cerebral.


PREVENÇÃO


- Muitos casos de Paralisia Cerebral podem ser evitados através de campanhas educativas, visando os futuros pais e profissionais que lidam com a gestante, a parturiente e o bebê. É importante a presença de um médico pediatra (neo - natologista) na sala de parto.
- Antes de pensar em ter filhos, o casal deve passar por exames médicos para detectar a possibilidade de problemas hereditários e a incompatibilidade sangüínea.
- Ao engravidar, a mulher deve ir periodicamente ao médico, procurar alimentar-se bem, evitar o álcool, o fumo e não tomar remédios sem consultar o médico.
-· Vacinar o bebê e evitar qualquer situação de risco é essencial para uma saúde perfeita.

TRATAMENTO


A espasticidade presente em grande parte de lesões cerebrais é devido à perda de um controle supra segmentar no tronco encefálico. Como não há controle superior a atividade reflexa fica exacerbada, há um reforço de reflexos primitivos, perde-se o controle do tônus e a postura e movimento não mais podem ser realizados em cima de uma base sustentável. Se for uma criança é óbvio que ela não irá passar por todas aquelas fases que deveria na época apropriada, tais como engatinhar, arrastar, preensão, etc. O papel do fisioterapeuta é identificar a idade da criança e o padrão motor esperado para aquela idade e tentar ajustar a criança para que ela desempenhe exatamente aquelas atividades previstas para aquela idade. Veja uma tabela simplificada de desenvolvimento infantil.
Há diversos profissionais que serão necessários na assistência de portadores de paralisias cerebrais, necessitando de uma equipe multiprofissional e interdisciplinar integrada para otimizar este tipo especial de atendimento. Os principais profissionais que prestam atendimento a crianças com PC são:
- Assistentes Sociais
- Terapeutas Ocupacionais (T.O)
- Neuro-Pediatras
- Fonoaudiólogos
- Fisioterapeutas
- Psicopedagogos
- Psiquiatras infantis
- Psicólogos
- Educadores (Professores especializados em Educação Especial e Informática aplicada à Educação)
- Psicomotricistas
- Terapeutas Corporais
- Fisiatras
- Ortopedistas
O tratamento é através de um médico-ortopedista, como procedimento de uma equipe multiprofissional, é imprescindível para a prevenção e correção de possíveis deformidades dos membros superiores e inferiores, já que este profissional poderá interagir para que a criança possa se tornar o mais independente possível, avaliando a necessidade de cirurgias, aparelhos ortopédicos de correção (órteses e próteses), ou adaptações a serem construídas em conjunto com Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.
Algumas das principais deformidades que ocorrem nas crianças com paralisia cerebral são: os pés em eqüinismo, as luxações e sub-luxações dos quadris, as escolioses e lordoses da coluna vertebral, e outras deformidades decorrentes principalmente de quadros espásticos, onde a contratura dos músculos leva alterações de tendões e ligamentos dos membros inferiores e superiores de crianças com Paralisia Cerebral. Todas estas deformidades podem e devem ser acompanhadas e mantidas sob orientação contínua de um ortopedista, este cuidado pode evitar e até adiar a necessidade de tratamentos mais evasivos ou dispendiosos. Neste sentido uma boa orientação aos pais e familiares é parte do processo de acompanhamento da criança, principalmente quanto às suas expectativas e frustrações acerca das capacidades da mesma. Há alguns avanços com relação à marcha de paralisados cerebrais, devendo-se dar ênfase aos recursos tecnológicos de última geração como os LABORATÓRIOS DE ANÁLISE DE MARCHA, o que já pode ser encontrado em grandes centros urbanos de nosso País.

BIBLIOGRAFIA

BOBATH, Karel. Uma base Neurofisiológica para o tratamento da Paralisia Cerebral, São Paulo, Manole, 1990.

FINNIE, Nancie A., O manuseio em Casa da Criança com Paralisia Cerebral, São Paulo, Manole, 1980.

WEIHS, Thomas J., Crianças que Necessitam de Cuidados Especiais, São Paulo, Antroposófica, 1991.

MERRITT, H. Houston, Tratado de Neurologia, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1977.

CHUSID, G. Joseph, Neuroanatomia Correlativa & Neourologia Funcional, Rio de janeiro, Guanabara Koogan, 14ª Edição, 1972.

Na internet:

http://www.zemoleza.com.br/
http://www.portal.ua.pt/bibliotecad/default.asp
http://www.dedosdospes.hpg.ig.com.br/html/portugues/pc.htm
http://www.lycos.com.br/dir/Saude/Doencas/Paralisia_cerebral/

 

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