MENOPAUSA
Prof. Dr. MAURO SANCOVSKI
A perspectiva de vida de uma mulher no Império Romano era de 25 anos. No século XV, atingiu os 30 anos. Na época Vitoriana, subiu para 45 anos. No começo do século XX, era de 50 anos. Neste século, está entre 60 e 70 anos.
Antigamente, poucas mulheres viveram além da menopausa. Mas, as mulheres neste novo milênio poderão viver mais tantos anos após a parada da menstruação, quantos ela viveu menstruando.
O termo menopausa refere-se à última menstruação, que marca o final da vida reprodutiva, havendo várias alterações hormonais, bioquímicas e emocionais. Solidão, depressão e outros males são os mitos que se criam a respeito deste período.
A menopausa não é uma doença, mas uma condição natural do ser feminino, como foi a adolescência e a menarca (primeira menstruação), ou mesmo a gestação, que poderá, ou não, potencializar problemas de saúde.
O ovário humano tem uma vida funcional de mais ou menos 35 anos. Na vida fetal, possuía o número máximo de óvulos durante o quinto mês. A partir daí, o número de óvulos vai declinando e já ao nascimento está reduzido a um milhão. Na menopausa, permanecem apenas 25 mil.
Os hormônios próprios dos ovários, principalmente o estrógeno e a progesterona, começam a ser produzidos na puberdade e permanecem de forma cíclica, justificando os ciclos menstruais, até o climatério, período que circunda a menopausa (última menstruação) que na maioria das mulheres ocorre entre 45 e 55 anos.
Um dos primeiros sinais desta provável falência ovariana é o aparecimento de ciclos menstruais irregulares. Nesta fase pode haver grandes alterações na vida das mulheres. A própria idade faz com que o corpo se modifique, o ganho de peso é quase inevitável e as rugas aceleram o processo. Essas alterações causam repercussões psíquicas que talvez sejam as mais importantes nesta fase. Muitas vezes o companheiro se aposentando, as dificuldades profissionais, ou filhos se casando e saindo de casa, contribuem para as alterações emocionais desta fase.
Como o estrogênio é o hormônio básico da mulher com sua produção desde a adolescência, quando determina os caracteres sexuais secundários, e que atua ciclicamente até a menopausa, na sua falta pode causar as ondas de calor, ou fogachos, em aproximadamente 75 a 80% das mulheres. O estrogênio também é responsável pela textura da pele feminina e pela distribuição de gordura no corpo. Sua falta causará a diminuição do brilho da pele e uma distribuição de gordura nos moldes masculinos, ou seja, na barriga.
A falta de estrogênio causa também secura vaginal, que pode afetar o desejo sexual, pois transforma as relações em algo desagradável e doloroso. O estrogênio também é relacionado ao equilíbrio entre as gorduras no sangue, colesterol e a hdl-colesterol. Isso explica o porquê de uma chance muito maior de ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares após a menopausa.
Uma outra alteração importante na saúde da mulher, em virtude da de estrogênio, é a irritabilidade e a depressão. O estrogênio está associado a sentimentos de auto-estima e a falta dele pode causar depressão em graus variados.
Por último, o estrogênio é responsável pela fixação do cálcio nos ossos. Após a menopausa, grande parte das mulheres passará a perder o cálcio dos ossos podendo caminhar para uma doença chamada osteoporose. Estudos recentes têm associado também a falta de estrogênio à doença de Alzheimer.
Em função de tudo que foi comentado, existe uma nova fase na vida da mulher, que está se tornando mais longa com o aumento da expectativa de vida, onde a deficiência dos hormônios, principalmente, dos estrogênios, poderia determinar uma série de alterações, como as ósseas, de pele, ressecamento vaginal, alterações metabólicas, e também as psíquicas, o que tem determinado uma divulgação grande da Terapia de Reposição Hormonal (TRH).
A reposição estrogênica, sem dúvida nenhuma melhora uma grande parte dos sintomas e previne uma série de complicações, porém, pode acarretar em algumas mulheres complicações pela sua utilização. Cabe a mulher e ao médico discutir cada situação individualizada avaliando as condições sociais, físicas e psíquicas, os prós e contras da sua utilização.
Na mulher com diabetes, o comportamento não irá diferir. Ela passa pelos mesmos processos fisiológicos e merece uma atenção mais apurada, em virtude de eventuais riscos aumentados de vasculopatias e de alterações metabólicas. Estas poderão ser melhoradas pela TRH ou agravadas pela mesma terapia. Eventualmente, em mulheres com vasculopatias e que não se compensaram adequadamente, a menopausa poderá ser mais precoce.
As formas de se tratar, de repor os hormônios, se através de cremes, de implantes, de comprimidos, adesivos ou injeções, não significam tão somente uma preferência pela via de administração, mas sim, passam por uma indicação médica, principalmente, em se tratando de mulheres com diabetes, ou de pacientes com colesterol alterado, pois a via de absorção interfere nos aspectos metabólicos. Cabe então à mulher e ao ginecologista discutir não só se deve-se ou não fazer a reposição, mas também a forma de como repor.
Terapias alternativas têm surgido, porém o fato de parecerem menos arriscadas no seu uso, poderá acarretar eventualmente, os desajustes de um não tratamento que deveria ser aplicado em algumas situações.
Cada mulher precisa sentar com seu médico e calmamente definir o que se chama hoje, Terapia de Qualidade de Vida, que é uma somatória de condutas que irão, contribuir significativamente para que a mulher que tem diabetes passe seus anos de menopausa numa tranqüilidade maior.
DICAS PARA UMA VIDA SAUDÁVEL
Para diminuir os impactos da menopausa, existem algumas idéias simples que podem ser seguidas para mudar sua vida para melhor. Veja:
- Encare a menopausa como um evento natural e como uma nova fase da vida.
- Tenha um acompanhamento rotineiro de sua saúde.
- Amplie seu círculo de amizades.
- Tenha uma alimentação saudável, rica em leite e seus derivados, soja, fibras. Evite carne vermelha e ovos.
- Faça exercícios físicos com freqüência. Dê preferência a exercícios de baixo impacto, como caminhadas e natação ou hidroginástica.
- Reserve uma hora ao dia para relaxar e alongar os músculos.
- Beba, pelo menos, 2 litros de água por dia.
- Reestruture sua vida familiar e conjugal. Crie novas oportunidades para desfrutar da companhia de seus filhos e de seu marido.
- Tente diminuir os níveis de stress e mantenha uma atitude de encarar a vida positivamente.
- Presenteie-se constantemente.
- Distraia-se: vá ao cinema, ao teatro, a um concerto, passeie no shopping ou no parque.
- Ame, trate-se bem.
Você deve assumir os cuidados com sua própria saúde, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de atitudes preventivas. Porém, o mais importante de tudo é tentar viver a meia-idade intensamente, permitindo-se enxergar e desfrutar a vida com todo o seu colorido.
Prof Dr MAURO SANCOVSKI
é Professor de Ginecologia e Obstetrícia
da Faculdade de Medicina do ABC