Otorrinolaringologia/ORL/Fono - Perda auditiva por ruído
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Otorrinolaringologia/ORL/Fono

Perda auditiva por ruído

09/08/2003

Introdução

Ruído é uma palavra derivada do latim rugitu que significa estrondo. Acusticamente é constituído por várias ondas sonoras com relação de amplitude e fase distribuídas anarquicamente, provocando uma sensação desagradável, diferente da música. O ruído pode ser contínuo, ou seja, não há variação do nível de pressão sonora nem do espectro sonoro; de impacto ou impulsivo que são ruídos de alta energia e que duram menos de 1 segundo (ISO 1973a)2.
A perda auditiva típica observada com as pessoas que possuem uma longa história de exposição a ruído no trabalho é caracterizada por perda de audição na faixa entre 3000 e 6000 Hz . Na fase precoce à exposição uma perda de audição temporária é observada ao fim de um período de trabalho, mas desaparece após várias horas. A exposição contínua ao ruído resultará em perda auditiva permanente que será de natureza progressiva e se tornará notável subjetivamente ao trabalhador no decorrer do tempo.

 

Perda Auditiva Induzida por Ruído (P.A.I.R.)

Os termos som e ruído são freqüentemente utilizados indiferenciadamente, mas, geralmente, som é utilizado para as sensações prazerosas como música ou fala, ao passo que ruído é usado para descrever um som indesejável como buzina, barulho de transito, explosão e máquinas.

Exposição contínua a altos níveis de ruído pode causar deficiência auditiva em algumas pessoas. Há variação considerável de indivíduo para indivíduo relativa à susceptibilidade ao barulho. Entretanto, padrões têm sido estabelecidos que indicam o quanto de som, em média, uma pessoa pode tolerar sem experimentar dano em seus ouvidos. Apesar desses níveis permanecerem controversos, tem-se orientado às pessoas para não experimentar níveis de ruído que excedam 85 a 90 dB.

A OSHA - Occupational Safety and Health Act - um órgão dos Estados Unidos, estabeleceu critérios de exposição a ruídos baseados sobretudo em 8 horas de duração de exposição a 90 dBA de ruído contínuo. Observou-se que esse critério protegeria aproximadamente 90% das pessoas expostas a níveis 90 dBA por um tempo significativo de horas diárias. Para durações menores à exposição, níveis de ruído mais altos são permitidos sob esse controle. Não há níveis de ruído publicados que sejam conhecidos para especificar o aparecimento do zumbido.

Legislação Brasileira
(portaria 3.214/78)
Tempo de exposição diária máxima
85 dB
8 h
90 dB
4 h
95 dB
2 h
100 dB
1 h
105 dB
30 min
110 dB
15 min


Fonte: SANTOS, 1999

Uma pesquisa feita pela OSHA (Occupational Safety and Heath Administration) deixou claro que o nível abaixo de 80dB era relativamente seguro à audição e os acima de 85dB seriam prejudiciais principalmente se exposto freqüentemente. Quanto maior o nível de ruído, mais rápido se instala a perda.
Os efeitos do ruído sobre a audição podem ser divididos em três categorias: mudança temporária de limiar, mudança permanente de limiar e trauma acústico. O trauma acústico acontece quando o indivíduo é exposto uma vez e por pouco tempo a níveis sonoros muito elevados. A perda auditiva é em grande parte permanente.
O tipo de ruído pode ser contínuo, que pode ser descrito como exposições diárias contínuas nas quais os níveis totais não variam mais do que 5dB. Flutuante , onde o ruído é contínuo porém o nível aumenta e diminui em mais de 5dB durante um período de tempo em particular. Intermitente, o ruído é descontínuo , o nível de ruído pode cair para níveis baixos entre período de exposição a ruídos lesivos. Impulsivo, pode ser descrito como sendo de um ou mais eventos acústicos curtos, transitórios com menos de 0,5 segundos.

Nível de Intensidade Sonora (dB)
Exemplos de Fontes Emissoras
180
-
170
Avião a jato com turbina
160
Avião a jato
150
Navio acionado por hélice
140
Navio a turbo propulsão
130
Orquestra
120
Mecânicas
110
Piano
100
Rádio alto volume; grito
90
Automóvel
80
-
70
Nível habitual de conversação
60
-
50
-
40
-
30
Murmúrio ou cochicho
20
-
10
-
0
Limiar de audibilidade


Fonte: SANTOS, 1999

Embora a causa exata de zumbido seja desconhecida, muitos pacientes que têm história de exposição a ruído apresentam zumbidos. O ruído está muito longe de ser a causa mais provável do zumbido e este pode ou não ocorrer simultaneamente com perda auditiva. A maior parte dos pacientes que apresenta zumbido também tem problemas auditivos, mas uma pequena porcentagem (menos de 10%) tem audição dentro dos limites da normalidade. Uma vez que muitos pacientes apresentam perdas auditivas sem zumbido, não é surpreendente que algumas pessoas com zumbido não tenham deficiência auditiva.

É razoável assumir que qualquer um dos cinco sintomas associados com patologias do ouvido - perda auditiva, zumbido, tontura, dor ou sensação de ouvido cheio - possa ocorrer isoladamente ou sem a presença de outros sintomas.

Zumbido como resultado de exposição a ruído pode ocorrer subitamente ou muito gradativamente. Quando ocorre subitamente, é freqüentemente percebido a uma intensidade razoavelmente alta e pode persistir nesse nível permanentemente. Entretanto, para outros, o zumbido é temporário e não retorna mais.

Mais comumente, o aparecimento do zumbido induzido por ruído é gradual e intermitente em seus estágios precoces. Os pacientes referem escutar um padrão médio de zumbido por um curto período de tempo após uma exposição prolongada a sons intensos. Uma vez que o paciente deixa de escutar a fonte do ruído, o zumbido desaparece rapidamente e se torna inaudível até a próxima exposição. Este padrão intermitente freqüentemente continua por meses ou anos com períodos de zumbido se tornando cada vez mais longos. Se a exposição ao barulho continua, o zumbido freqüentemente aumenta de volume e torna-se constante.

A maioria dos pacientes que tem uma longa história de exposição a ruído refere um zumbido que é tonal em qualidade e de alta freqüência, que se assemelha aos tons externos acima de 3000 Hz.

A perda auditiva induzida por ruído é a doença que mais atinge o sistema auditivo, podendo provocar lesões irreversíveis na cóclea.

Exposição a ruído de intensidade forte pode resultar em uma perda auditiva temporária ou permanente. A probabilidade de que um ruído possa danificar a audição está relacionada com o nível de pressão sonora global, com o espectro de freqüência e com o parâmetro temporal de um ruído versus duração da exposição.

Perdas e Sintomas

As lesões auditivas produzidas pelo ruído podem ser agudas ou crônicas, sendo que o mais freqüente é a crônica que tem uma instalação lente e insidiosa. A pessoa só se dá conta quando os zumbidos se tornam incômodos a ponto de chamar atenção para o problema.
Perda e zumbidos são as queixas mais comuns dos atingidos pela PAIR, os que são obrigados a permanecer por várias horas em ambientes ruidosos( 90dB ou mais).
A perda auditiva e zumbidos ocorrem inicialmente em 3000Hz e 6000Hz, tendo máxima em 4000Hz.
Uma observação universal de todas as pesquisas sobre os efeitos do ruído na audição é a importante variação da susceptibilidade das pessoas aos efeitos do ruído. Existem pessoas que suportam mais tempo de ruído que outras. Pessoas muito susceptíveis não podem ficar expostas por muito tempo ao ruído sem proteção auricular. A susceptibilidade de uma pessoa ao dano auditivo por ruído pode ser influenciada por doença, idade, fatores hereditários e exposição a outros agentes como drogas.

Evolução clinica

O aparecimento da PAIR é insidioso. O quadro clínico é inicialmente caracterizado por uma perda temporária da audição, que pode ser acompanhada por um tinnitus de pich alto, uma sensação de plenitude dentro do ouvido e uma sensação de audição abafada.
Nos estágios iniciais da PAIR, a perda auditiva temporária recupera-se dentro de um espaço de poucas horas ou poucos dias. Mas se a exposição ao ruído de risco continuar pode ocorrer uma perda auditiva neurosensorial permanente.

Mecanismos da PAIR

Na PAIR as alterações podem ser mecânicas e metabólicas e existem várias fases:
1. Ocorre morte das células ciliadas com formação de escoras ou estomas na freqüência de 4000Hz, ao nível máximo de 40-50dB. Para Hungria, o nível não ultrapassa 30dB. Mais de 50% das células apicais podem desaparecer sem elevar os limiares de tons puros para baixas freqüências. O indivíduo não observa ainda a perda.
2. Após semanas ou poucos anos de exposição, dependendo do nível da perda começa a se detectar na audiometria uma queda ao redor de 4Hz numa faixa que vai de 3000Hz a 6000Hz. Sempre precocemente a audiometria mostra um entalho em pacientes expostos a ruídos por longo tempo, o dano ocorre no primeiro terço da cóclea ou a 10mm da base por ser a área mais sensível. Esta fase raramente é detectada sem audiometria por não afetar a área da fala.
3. Após décadas de exposição à perda em 4Hz se acumula em menor quantidade espalhando-se até as baixas freqüências atingindo a área de compreensão da fala. Nesta fase o paciente torna-se consciente do problema. Pode acontecer de desaparecer o registro audiométrico nas freqüências agudas, dando a ausência de resposta no limite máximo do aparelho naquela freqüência, sendo este déficit acompanhado pela condução óssea.

Padrão audiológico geral

Encontramos na audiometria tonal uma perda neurosensorial simétrica bilateral. A curva é descendente, queda maior nas freqüências altas. No estágio inicial na maioria das vezes, queda leve somente nas freqüências de 4000Hz, depois 3000 e 6000Hz ficam comprometidas. Com a continuidade desse ruído podemos encontrar uma piora dessas freqüências e um comprometimento das outras freqüências também , inclusive as baixas.
Na audiometria vocal encontramos resultados compatíveis com os resultados encontrados na avaliação tonal.
A imitanciometria caracteristicamente mostra timpanogramas normais, tipo A e presença de reflexos estapédicos em níveis normais.


Manifestações da PAIR


As manifestações da PAIR são ainda pouco conhecidas e além disso é grande a dificuldade dos profissionais da área para avaliar esse tipo de prejuízo.
Essas manifestações a partir da perda auditiva foram denominadas de incapacidade auditiva e handicap.
A incapacidade auditiva refere-se a restrição ou impedimento na habilidade ou performance considerada normal para aquele indivíduo.
O handicap é resultante de uma perda ou incapacidade que limitam ou impedem o desempenho das funções normais do indivíduo, de acordo com o sexo, idade, fatores sociais e culturais, também pode estar envolvidos com a interação e adaptação do indivíduo e seu meio ambiente.
O estudo da incapacidade auditiva e do handicap em trabalhadores com PAIR constitui uma maneira de avaliação e possibilita uma descrição mais adequada dessas manifestações no trabalhador, auxiliando também em um posterior processo de reabilitação desse indivíduo.
Alguns autores relacionam as seguintes dificuldades dentro dos aspectos da incapacidade auditiva experienciados por seus pacientes com PAIR:

  • Quanto a incapacidade auditiva

    Percepção ambiental - sons de alarme, sons domésticos, alto volume de televisão, dificuldade de compreender fala em grandes salas;
    Problemas de comunicação - em grupos, lugares ruidosos, no carro, telefone e qualquer situação desfavorável para o ouvinte.

  • Quanto ao handicap

    Esforços e fadiga - atenção e concentração excessiva durante a conversação e dificuldade para compreender leitura oral;
    Stress e ansiedade - irritação e aborrecimento causados pelo zumbido, irritação e intolerância a lugares ruidosos, intolerância em interações sociais, cansaço pelos efeitos do trabalho em local ruidoso e aborrecimento pela consciência da deterioração da audição.
    Dificuldades nas relações familiares - confusões pelas dificuldades de comunicação, pelo auto volume da televisão, impaciência para atividades ruidosas e com relação a reação das pessoas pela sua dificuldade auditiva;
    Isolamento - recusa a encontros, grupos de conversação, festas, deixando de freqüentar esses lugares;
    Auto imagem negativa - incômodo por não compreender as pessoas, por estas terem de repetir freqüentemente a mensagem, com o indivíduo sentindo-se surdo, velho ou incapaz.
    A adaptação do handicap ocorre também por parte da pessoa que convive com o indivíduo.

Autora: Gercélia Ramos
Desenvolvido durante o sétimo período da UNIPÊ - Centro Universitário de João Pessoa

www.fonoaudiologia.com


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