Gastroenterologia/Proctologia/Fígado - Esofagite de Refluxo
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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Esofagite de Refluxo

01/08/2003

A esofagite de refluxo, melhor denominada Doença do Refluxo Gastro-esofágico (DRGE), tem sido cada vez diagnosticada em todo mundo.

De forma bastante simplificada podemos dizer que ocorre a entrada no esôfago de material proveniente do estômago, e, como o esôfago não possui mucosa apropriada para contato com material ácido, surgem os sintomas. Naturalmente a mucosa do esôfago dispõe de mecanismos protetores, visto que todos

Atualmente sabemos que os sintomas da DRGE devem-se ao desequilíbrio entre os fatores protetores da mucosa e os fatores agressivos.

Fatores protetores da mucosa esofagiana:

  • Salivação - pH alcalino
  • Deglutição
  • Peristaltismo
  • Secreção de muco e bicarbonato pelas glândulas submucosas
  • Gravidade - que ajuda a diminuir o tempo de exposição da mucosa esofagiana ao material refluído.
  • Esfíncter Esofagiano Inferior que funciona como uma barreira ao refluxo; devemos estar atentos ao uso de drogas (ex. teofilina, bloqueadores de canal de cálcio, agentes alfa adrenérgicos, progesterona, diazepam, etc), alimentos (gorduras, chocolate, hortelã, café) que interferem na pressão do EEI, como também o fumo e bebidas alcoólicas.

Fatores agressivos: Secreção cloridro-péptica (Síndrome de Zollinger-Ellison) e secreção bilio-pancreática - na doença do refluxo gastroesofágico a não ser em condições especiais não há um aumento destes fatores agressivos.

O grande interesse que a DRGE vem despertando há décadas é justificado quando notamos que sua incidência está sempre aumentando, em ambos os sexos e em todas as faixas etárias. Estudo realizado pelo Instituto Gallup nos Estados Unidos da América mostrou que 65% dos adultos já apresentaram pirose retroesternal; 24% tinham este sintoma por mais de 10 anos. Entre as gestantes a queixa de pirose retroesternal varia de 30 a 80%.

A associação entre refluxo gastroesofágico e asma é tema de grande atualidade, havendo uma interrelação entre estas doenças que levam a um ciclo vicioso. O reconhecimento de DRGE entre os asmáticos é maior do que a incidência na população geral. Portanto a compreensão dos mecanismos pelos quais a DRGE pode piorar a asma e vice-versa tem sido objeto de inúmeras publicações. Como referimos anteriormente alguns medicamentos utilizados no tratamento da asma brônquica constituem fatores agravantes para a DRGE, como a teofilina e os beta agonistas sistêmicos.

Por outro lado o refluxo pode exacerbar os sintomas da asma, sendo que os possíveis mecanismos para que isto ocorra são: aspiração do conteúdo gástrico para o trato respiratório; aspiração até a faringe, levando a estímulo de receptores irritantes; bronconstrição secundária a reflexo vagal. Durante a crise asmática o broncoespasmo leva a uma horizontalização do diafragma o que pode diminuir a pressão da junção esôfago-gástrica

QUADRO CLÍNICO:
entre os sinais e sintomas mais comuns na DRGE destacamos:

Sinal / Sintoma

Percentual (%)

Pirose retroesternal

70 - 85

Regurgitação

60

Disfagia (sugere estenose)

15 - 20

Dor "tipo" anginosa

33

Broncoespasmo

15 - 20

Laringite, disfonia

 

Tosse crônica

 

Sensação de bolo

 

Em crianças observamos vômitos recorrentes, desenvolvimento prejudicado, síndrome de apnéia.

DIAGNÓSTICO
Quando um paciente cuja queixa principal esteja entre os sinais e sintomas acima relacionados, sabemos que estamos diante de um paciente com DRGE porém devemos ter em mente as condições clínicas que podem causar tais sintomas, como o uso de medicamentos, esclerodermia, pós-operatório de miotomia, neoplasias.

Nos casos típicos nos quais a história não sugere patologias associadas, estamos autorizados a iniciar o tratamento sem proceder a exames especializados, porém se em cerca de 4 semanas não houver melhora apreciável dos sintomas, os exames complementares devem ser criteriosamente iniciados.

Para esclarecimento nos casos atípicos podemos utilizar alguns outros exames.

TRATAMENTO
Podemos dividi-lo em:

1.      Modificações de hábitos de vida:
- Evitar alimentos irritantes - gorduras, frituras, bebidas alcoólicas, hortelã, chocolates, sucos cítricos, café.
- Fazer refeições fracionadas.
- Controle do peso corporal.
- Não deitar ou recostar após as refeições.
- Elevar a cabeceira da cama em 15cm.

2.      Medicamentos que devem ser utilizados com orientação médica.

3.      Cirurgia - alguns pacientes apesar da terapêutica medicamentosa adequada, mantêm DRGE sintomática ou apresentam complicações, portanto devem ser encaminhados para tratamento cirúrgico. Não esquecendo que estes pacientes devem ser estudados por esofagomanometria pré e pós-operatória.

Muitos pacientes após o correto tratamento da sua doença do refluxo experimentam grande alívio do quadro asmático, pois eliminam um fator desencadeante de grande importância. Não raro podem diminuir a medicação utilizada para asma.

 

Dra Vera L. França Corrêa
Gastroenterologista

 

www.asmaticos.org.br


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