Pediatria/Criança - Febre aguda sem sinais de localização
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Pediatria/Criança

Febre aguda sem sinais de localização

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Febre aguda sem sinais de localização
em crianças menores de 36 meses de idade

Eliana de Andrade Trotta, Alfredo Elias Gilio
J pediatr (Rio J) 1999; 75 (Supl 2): S214-S222

Introdução

A Febre é uma das causas mais comuns de consulta em pediatria em serviços de emergência, ambulatórios ou consultórios particulares. Aproximadamente 25% de todas as consultas na emergência se devem à febre(1). Após história clínica e exame físico completos, na maioria dos casos, é possível identificar o foco e instituir as orientações terapêuticas adequadas. Entretanto, em aproximadamente 20% dos casos, a identificação do foco não é possível após a avaliação inicial(2). A grande maioria dessas crianças tem doença infecciosa aguda auto-limitada ou está em fase prodrômica de uma doença infecciosa benigna(3,4). Poucas têm bacteremia, ou doença infecciosa grave ou potencialmente grave(5). Esses casos apresentam um grande desafio para o pediatra e serão objeto desta revisão.

Definições

Febre

Febre é definida como elevação da temperatura corpórea em resposta a um estímulo patológico. A medida mais confiável da temperatura corpórea é aquela tomada por via oral ou retal(6). Não há consenso absoluto entre os vários autores a respeito da definição exata de febre em crianças. A maioria classifica como febre a temperatura retal acima de 38ºC(1,3), mas alguns consideram febre temperatura retal acima de 37,7ºC ou 38,3ºC(6,7). A medida da temperatura axilar, timpânica ou por palpação são consideradas menos confiáveis(8,9). Apesar disso, em nosso meio, a medida axilar com termômetro de mercúrio em vidro é a mais usada. A temperatura axilar é 0,3 a 0,4ºC menor do que a temperatura retal(10).

Febre sem sinais de localização

Febre sem sinais de localização (FSSL) corresponde à ocorrência de febre numa criança em que história e exame físico cuidadosos não revelam a causa da febre. Conceitualmente, essa febre deve ter menos de 7 dias de duração(4), mas, na prática, a grande maioria dos casos tem febre há menos de 2 a 3 dias.

Interessante observar que o exame físico pode ser absolutamente normal, mas a definição da causa da febre pode estar na história, como numa criança com disenteria e febre. Nesse caso, o exame físico pode ser normal, mas há uma razão óbvia para a febre, e o quadro não deve ser considerado como febre sem sinais de localização(4).

Bacteremia oculta

Bacteremia oculta (BO) refere-se à presença de bactéria em hemocultura numa criança com febre, sem um foco identificável, e que esteja clinicamente bem o suficiente para ser tratada em ambulatório(3,4). Vale a pena ressaltar que a hemocultura positiva, numa criança febril com doença focal que comumente associa-se com bacteremia, como pneumonia ou pielonefrite, não deve ser considerada como bacteremia oculta(4).

Bacteremia oculta pode ser causada por vários microrganismos. Os agentes mais comuns são Streptococcus pneumoniae (70%), Haemophilus influenzae tipo b (20%), Neisseria meningitidis (5%) e Salmonella sp (5%). Menos freqüentemente surgem Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes (11-15). Nos lactentes até 60 dias também são encontrados Streptococcus agalactie e Escherichia coli (16).

A prevalência global de BO nas crianças com FSSL varia de 1,6 a 11%(11,12,14,17,18), mas em média situa-se ao redor de 3 a 5%(2,19). A maioria das crianças com BO apresenta resolução espontânea de sua doença(20); entretanto, algumas crianças podem evoluir com bacteremia persistente, que pode levar a doenças graves e potencialmente fatais(21,22). De forma global, nas crianças até 3 anos de idade com BO não tratada, o risco de bacteremia persistente é de 30%, de infecção bacteriana localizada é de 10% e de meningite é de 5 a 10%(12,19,21,23,24).

A evolução da BO não tratada varia muito em função do agente etiológico. Dessa forma, o risco de meningite na bacteremia por pneumcoco é de 6%, no caso do hemófilo o risco é de 25%, e na bacteremia por meningococo o risco de meningite é 85 vezes maior do que na bacteremia por pneumococo(22,25).

Doença bacteriana grave

O conceito de doença bacteriana grave inclui bacteremia, meningite bacteriana, diarréia aguda bacteriana, pneumonia, artrite séptica, osteomielite e celulite(3). Todas essas doenças são consideradas graves porque atrasos no seu diagnóstico podem acarretar morbidade ou até mortalidade. Por esse motivo, a bacteremia está incluída no conceito de doença bacteriana grave.

Avaliação diagnóstica

Avaliação clínica

Idade

Vários estudos mostram risco aumentado de doença bacteriana grave ou bacteremia nos lactentes menores que 3 meses de idade, que são chamados por alguns autores de lactentes jovens(3,26,27). Os recém-nascidos têm risco maior do que as crianças de 1 a 3 meses de idade, que, por sua vez, têm risco maior do que as crianças de 3 a 36 meses. Entre 3 a 36 meses de idade, as taxas de bacteremia oculta são, de forma geral, comparáveis. Acima de 3 anos de idade, a importância da bacteremia oculta é menor(28-30).

Temperatura

Muitos autores examinaram a relação entre a magnitude da febre e o risco de infecção. Embora alguns não tenham encontrado correlação(14), de maneira geral, o risco de BO aumenta proporcionalmente com a temperatura(9,12,24). Assim, com temperatura retal abaixo de 38,9ºC a taxa de bacteremia é de 1%; com temperatura de 38,9 a 39,4ºC é de 4%; com temperatura entre 39,4 a 40,5ºC é de 8%; e atinge 10,5% com temperatura retal maior ou igual a 40,5ºC (12,19,26). Fazem exceção a essa regra as crianças abaixo de 3 meses de idade, nas quais não há correlação nítida entre magnitude de febre e infecção(1). Sabe-se também que no período neonatal hipotermia pode ter maior significado do que febre(31).

A resposta aos antitérmicos é bastante utilizada na prática clínica pelos pediatras. Entretanto, muitos estudos não conseguiram demonstrar sua utilidade para diferenciar causas de febre(32), separar doença viral de doença bacteriana(33) ou distinguir crianças bacterêmicas de não-bacterêmicas(32). Em apenas um estudo, em que foram avaliadas crianças de 2 meses a 6 anos de idade, houve associação estatisticamente significante entre ausência de resposta a acetaminofen e presença de bacteremia. Nesse estudo, a resposta a acetaminofen foi definida como queda na febre de 0,8ºC após 2 horas(34).

Estado geral

A relação entre toxemia e presença de doença bacteriana grave está bem estabelecida. Dessa forma, qualquer criança com febre que se apresente com evidências de alteração de perfusão de orgãos com má-perfusão periférica, alteração do estado de consciência, taquipnéia, taquicardia, hipotensão, oligúria ou evidência de coagulopatia deve receber o diagnóstico presuntivo de sepse e ser tratada como tal. Esse tratamento inclui, além das medidas de suporte, coleta de hemocultura, urocultura, líquor e introdução de antibioticoterapia empírica inicial(35). Entretanto, a maioria das crianças com FSSL não está toxemiada e, para auxiliar o pediatra e tornar a avaliação mais objetiva, foram criadas várias escalas de observação clínica, que procuram identificar as crianças com doença bacteriana grave. A mais conhecida é a Escala de Observação de Yale, composta por 6 itens: qualidade do choro, reação ao estímulo dos pais, cor, estado de hidratação, resposta social e estado de consciência. Para cada item é atribuído 1 ponto se normal, 3 pontos se moderadamente alterado e 5 pontos se gravemente alterado. Escore maior ou igual a 16 indica doença grave, e menor ou igual a 10, baixa probabilidade de doença grave(36). Essa escala mostrou sensibilidade de 77%, especificidade de 88% e valor preditivo positivo de apenas 56%(36). Além disso, não identifica adequadamente as crianças de maior risco que são aquelas abaixo de 8 semanas de vida(16). Uma outra escala foi desenvolvida especialmente para as crianças dessa faixa etária e leva em conta esforço respiratório, perfusão periférica e comportamento. Apresenta sensibilidade de 76%, especificidade de 75% e valor preditivo negativo de 96%(37).

Na prática clínica diária, as escalas não têm muita utilidade, e a grande questão é saber se o pediatra consegue identificar, através de sua avaliação clínica, as crianças com bacteremia. Vários estudos analisaram especificamente essa questão. Os resultados mostram que, embora a avaliação clínica seja um bom instrumento, isoladamente não consegue identificar todas as crianças com bacteremia oculta, mesmo quando essa avaliação é feita por pediatras experientes(38-41). Uma vez que apenas a avaliação clínica não é suficiente, foram avaliados diversos exames laboratoriais inespecíficos como triagem para identificação das crianças febris com doença bacteriana grave ou bacteremia.

Avaliação laboratorial

Contagem total de leucócitos e diferencial

A contagem total de leucócitos é o exame mais utilizado, tanto para orientações sobre necessidade de novos exames quanto para decisões terapêuticas(41). De fato, há uma forte correlação entre elevação do número total de leucócitos e prevalência de bacteremia(12,24). De maneira geral, quando o número total de leucócitos é menor que 10.000/ mm3, a taxa de bacteremia é de 1,2%, enquanto nas leucocitoses acima de 20.000/mm3, essa taxa sobe para 11,5%(42).

O número total de leucócitos de 15.000/mm3 é considerado útil para separar crianças com FSSL em dois grupos: alto risco e baixo risco(4). Dessa forma, nas crianças com temperatura retal maior ou igual a 38,8ºC, o risco de bacteremia é 4 vezes maior naquelas com contagem total de leucócitos maior ou igual a 15.000/ mm3 (12); e, nas crianças com temperatura de 40ºC ou mais, as taxas de bacteremia são 3 vezes maiores se o número total de leucócitos for maior que 15.000/mm3 (43). A contagem total de leucócitos fornece informações mais precisas do que a análise da temperatura(14,30). O número total de leucócitos menor que 5.000/mm3 também é considerado fator de risco para doença bacteriana grave, principalmente no recém-nascido e lactente jovem(13).

A contagem total de leucócitos não tem grande sensibilidade nem especificidade; entretanto, apresenta valor preditivo negativo de 97% para bacteremia. Em outras palavras, numa criança com FSSL e contagem total de leucócitos entre 5.000 e 15.000/mm3, a probabilidade de realmente não haver bacteremia é de 97%(3,14).

Contagem total de neutrófilos maior que 10.000/mm3 ou neutrófilos jovens maior que 500/mm3 também se associam com doença bacteriana(14,44). Alguns autores valorizam a relação neutrófilos imaturos/neutrófilos totais maior que 0,12 ou 0,2 (16,45). Não há demonstração da superioridade de qualquer desses itens sobre a contagem total de leucócitos(30).

Provas de fase aguda

A velocidade de hemossedimentação (VHS), na verdade, mede indiretamente o fibrinogênio, que é um reagente de fase aguda do soro. Valores de VHS acima de 25 mm/h ou 30 mm/h foram correlacionados com a presença de bacteremia oculta(15). Entretanto, o VHS não é mais útil do que a contagem total de leucócitos(4).

A proteína C-reativa quantitativa tem sido bastante estudada. Níveis acima de 40 mg/l são sugestivos de bacteremia(46), mas o seu papel na detecção de bacteremia oculta, na criança com FSSL, não está estabelecido(4).

As citocinas também já foram estudadas como marcadores de doença bacteriana grave. Num pequeno estudo com crianças acima do período neonatal a detecção de interleucina 6 apresentou sensibilidade de 91% e especificidade de 98%(47).

Hemocultura

O diagnóstico de bacteremia oculta baseia-se na hemocultura. Quando indicada, deve ser obtida apenas uma amostra com técnica de coleta adequada. Mais de uma amostra não é necessário(3). Hemocultura falso-negativa pode ser encontrada em crianças que estejam recebendo antibioticoterapia prévia(1).

Provas de pesquisa de antígeno

As provas do látex para H. influenzae, S. pneumoniae, N. meningitidis ou S. agalactie têm baixa sensibilidade para detectar bacteremia em ausência de meningite e, por essa razão, não são utilizadas(48).

Exame de urina

Infecção urinária ocorre em 7% dos meninos abaixo de 6 meses de idade e 8% das meninas abaixo de 1 ano de idade com FSSL. No lactente abaixo de 3 meses de idade essas taxas variam de 2 a 13,8 % em ambos os sexos(24,29).

Além disso, nessa faixa etária, a infecção urinária é a infecção bacteriana mais comum como causa de febre, respondendo por aproximadamente 30% de todas as infecções bacterianas(27).

No exame de urina, a presença de cinco ou mais leucócitos por campo de grande aumento em urina centrifugada tem sensibilidade e especificidade de 80 a 85% e valor preditivo negativo de 91 a 99%. Outra possibilidade é a utilização de métodos de triagem, utilizando-se fitas reativas para pesquisa de esterase leucocitária e nitritos, que apresentam grande grau de concordância com o sedimento urinário(50). Entretanto, o padrão-ouro para o diagnóstico é a urocultura. Vale ressaltar que o método e a técnica de coleta são muito importantes. Uroculturas obtidas por saco coletor, especialmente em crianças abaixo de 1 ano de idade, têm altas taxas de falso-positivo, mas apresentam valor preditivo negativo elevado, ou seja, quando são negativas, praticamente excluem infecção urinária(51).

Raio X de tórax

De maneira geral, considera-se que não é necessária a realização de raio X de tórax na avaliação de todas as crianças com FSSL, porque muitos estudos encontraram baixa incidência de pneumonia em crianças com febre e sem sinais e/ou sintomas de doença respiratória(52). Por outro lado, alguns estudos recentes relatam taxas relativamente elevadas de pneumonia oculta em crianças sem sinais e sintomas respiratórios quando a contagem total de leucócitos é maior que 20.000/mm3 (53). Na presença de taquipnéia e outros sinais ou sintomas respiratórios, ou na criança toxemiada, o raio X de tórax é obrigatório. Freqüência respiratória maior que 50 por minuto em menores de 6 meses de idade ou maior que 42 por minuto em crianças de 6 meses a 2 anos é considerada uma boa indicação(54).

Manejo da criança febril

A associação de critérios clínicos com achados laboratoriais resultou na elaboração de critérios de gravidade e protocolos de manejo de crianças febris em diferentes faixas etárias até 36 meses. Os protocolos têm, como finalidade, auxiliar o pediatra em várias decisões difíceis: quando colher exames laboratoriais; quais exames colher; iniciar ou não antibioticoterapia expectante; observar o paciente dentro ou fora do hospital.

Os critérios mais divulgados são o de Rochester, para crianças menores de 60 dias de idade(55) (Tabela 1) e o protocolo de Baraff e cols, como resultado de ampla meta-análise de publicações de 1977 a 1991(11) (Figuras 1 e 2).

Figura 1

Figura 1 - Algoritmo para o manejo de lactentes febris sem foco identificado, previamente sadio, de baixo risco, de 29 dias a 3 meses de idade
J pediatr (Rio J) 1999; 75 (Supl.2): S214-S222


Algoritmo para o manejo de lactentes febris sem foco identificado, previamente sadio, de baixo risco, de 29 dias a 3 meses de idade

Figura 2

Figura 1 - Algoritmo para o manejo de lactentes febris sem foco identificado, previamente sadio, de baixo risco, de 29 dias a 3 meses de idade
J pediatr (Rio J) 1999; 75 (Supl.2): S214-S222


Algoritmo para o manejo de lactente febril sem foco identificado, previamente sadio e não-toxêmico, de 3 a 36 meses de idade

O critério de Rochester procura separar os lactentes jovens em dois grupos: alto risco e baixo risco para presença de doença bacteriana grave na vigência de FSSL. A criança abaixo de 60 dias de vida, para ser considerada de baixo risco, deve preencher todos os critérios. Se a criança não preencher apenas um desses critérios já será considerada de alto risco.

Tabela 1

Tabela 1 - Critério de Rochester para avaliação de risco em crianças febris < 60 dias
Um lactente febril < 60 dias é de baixo risco para infecção bacteriana grave se corresponde aos seguintes critérios:

- Aparenta estar bem

- Estava previamente sadio, definido como
  nasceu a termo (> 37 semanas de gestação)
  não recebeu antibioticoterapia perinatal
  não ficou hospitalizado além de sua mãe
  não foi tratado para hiperbilirrubinemia inexplicada
  não recebeu, nem está recebendo antibiótico
  não esteve previamente hospitalizado
  não tem doença crônica ou subjacente

- Não tem evidência de infecção em pele, partes moles, ossos,   articulações ou ouvido, no exame físico

- Tem os seguintes valores laboratoriais:
  contagem de leucócitos periféricos entre 5.000 e 15.000 cél/mm3
  contagem absoluta de bastonados < 1.500/ mm3
  < 10 leucócitos por campo de grande aumento (X40) à   microscopia de sedimento de urina
  < 5 leucócitos por campo de grande aumento (X40) à   microscopia de fezes, em crianças com diarréia
J pediatr (Rio J) 1999; 75 (Supl 2): S214-S222


Critério de Rochester para avaliação de risco em crianças febris < 60 dias

Em um grande estudo prospectivo de lactentes febris, <60 dias, o valor preditivo negativo do Critério de Rochester foi de 99,1%, (IC 95% - 97,6% a 99,7%)(56). Acrescentando a esse critério líquor com menos de 8 leucócitos/mm3, raios X de tórax normal e relação bastonados:neutrófilos totais < 0,2, Baker e cols. encontraram sensibilidade de 92% e valor preditivo negativo de 100% (IC 95%)(16).

O protocolo de Baraff e cols. estratifica as crianças em < 28 dias, de 29 a 90 dias e de 3 a 36 meses e, ainda, dentro de cada faixa etária, em baixo-risco e não-baixo risco, por critérios clínicos (por exemplo, Rochester abaixo de 90 dias)(11).
Crianças toxêmicas: o protocolo de Baraff e cols., como os demais, recomenda que toda a criança febril <36 meses e com aspecto toxêmico deva ser hospitalizada, investigada para sepse e tratada com antibióticos para possível sepse ou meningite. O aspecto toxêmico é definido como o quadro clínico de síndrome séptica (letargia,
má-perfusão, hipo ou hiperventilação, ou cianose). A investigação para sepse compreende hemocultura, urocultura e punção lombar(11,18,77).

Lactentes febris menores de 28 dias de idade: a maioria dos autores postula que todo o lactente febril <28 dias, mesmo de baixo risco, deve ser hospitalizado, submetido à investigação para sepse e receber antibioticoterapia até o resultado das culturas(11). Uma alternativa é manter o recém-nascido hospitalizado, em observação e sem antibióticos até o recebimento das culturas(11).

Lactentes febris entre 28 e 90 dias de idade: nessa faixa etária, Baraff e cols. consideram os mesmos critérios de Rochester para detecção de baixo risco, com exceção da contagem de leucócitos na urina. Segundo Baraff, a contagem normal seria <5 leucócitos por campo de grande aumento (ao invés de 10), podendo-se usar também, como triagem, fitas reativas de urina para detecção de nitritos e esterase leucocitária.

O lactente febril dessa faixa etária que não está toxêmico, mas que não é baixo risco, ou seja, não satisfaz um ou mais dos critérios de Rochester, necessita investigação para sepse, hospitalização e antibioticoterapia empírica inicial. O algoritmo de manejo sugerido nessa faixa de idade é apresentado na Figura 1(11,18).

No lactente menor que 3 meses de baixo risco, uma terceira opção, recomendada por Baker e cols., é realizar investigação para sepse (semelhante à opção 1), mas observar a domicílio sem antibioticoterapia(16). Em qualquer das opções, o antibiótico recomendado para tratamento expectante é o ceftriaxone, em dose única diária de 50 mg/kg, IM(57).

A opção de observar esses pacientes a domicílio somente poderá ser considerada se os pais ou responsáveis tiverem condições sócio-culturais para tal: maturidade, termômetro e telefone em casa, carro disponível, moradia a uma distância do hospital percorrível em no máximo 30 minutos, e possibilidade de retorno em até 24 horas(58). Nessas circunstâncias, Oppenheim e cols. sugerem que os pais, devidamente informados sobre os riscos e benefícios de cada alternativa, participem da decisão de observar a domicílio ou no hospital(59).

A criança deverá ser reavaliada em 18 a 24 horas, quando será aplicada a segunda dose de ceftriaxone. A recomendação, para lactentes com hemocultura ou líquor positivos na reavaliação ou a qualquer momento, é hospitalização, investigação para sepse e antibioticoterapia parenteral de acordo com as culturas. Se apenas a urocultura estiver positiva, e a criança clinicamente bem e afebril, recomenda-se antibioticoterapia ambulatorial. Caso ainda esteja febril, sugere-se hospitalização, investigação para sepse e antibioticoterapia parenteral de acordo com as culturas. Caso seja diagnosticada bacteremia oculta por Streptococcus pneumoniae, em lactentes já afebris e clinicamente bem na reavaliação, a terapia poderá ser modificada para amoxicilina ou penicilina por via oral até o final do tratamento, sob supervisão cuidadosa(11).

Crianças febris entre 3 e 36 meses de idade: nessa faixa etária, Baraff e cols. dividem as crianças de acordo com a temperatura retal. A triagem laboratorial é recomendada para crianças não-toxêmicas, com temperatura retal >39°C e sem foco definido. Essa triagem é apresentada como algoritmo, na Figura 2.

Nessa faixa etária, a decisão de realizar punção lombar deve basear-se exclusivamente na suspeita clínica. Nenhum exame (e.g. leucograma) é preditivo de meningite. Se há suspeita suficiente para indicar punção lombar, é recomendada a realização concomitante de hemocultura. Os familiares ou responsáveis devem ser bem esclarecidos, tanto verbalmente quanto por escrito, de quais sintomas e sinais buscar nas crianças durante a observação domiciliar, e como contactar ou buscar atenção médica, se necessário. O médico, ou sistema de saúde, deve ter meios de chamar o paciente, caso alguma das culturas se torne positiva(11).

Na reavaliação desse paciente, em 24 a 48 horas, se houver crescimento de S. pneumoniae na hemocultura, e a criança estiver bem e afebril, está indicada uma segunda dose de ceftriaxone IM e o restante do tratamento com penicilina ou amoxicilina por via oral. Em um estudo, a ausência de febre, na reavaliação de pacientes bacterêmicos que receberam antibiótico, foi 100% sensível para a resolução da bacteremia(60). Se apenas a urocultura for positiva, e a criança estiver afebril e bem, o tratamento antibiótico adequado poderá ser feito por via oral, a domicílio(11,13).

Se a criança ainda estiver febril, não estiver clinicamente bem, ou houver crescimento de N. meningitidis, H. influenzae, ou de qualquer outro germe que não S. pneumoniae, estão indicadas hospitalização, nova coleta de culturas e antibioticoterapia ditada pelas culturas.

Discussão

O protocolo de Baraff e cols. aqui apresentado é de fato a orientação para abordagem da FSSL na criança de até 36 meses de idade mais aceita na literatura(54). Entretanto, não pode ser considerado a única opção, há muitos questionamentos a seu respeito, não necessariamente é adequado à nossa realidade e existem várias outras recomendações que propõe condutas diferentes(1,3,4,61). Kramer e Shapiro, por exemplo, propõe apenas a realização de sedimento urinário e urocultura na criança com FSSL, sem a realização de nenhum outro exame e também não indica antibioticoterapia expectante(61).

O assunto é bastante complexo, os resultados dos vários estudos são muitas vezes conflitantes e a realidade do atendimento das crianças com FSSL pode ser muito diversa. Por exemplo, a recomendação de observar o lactente jovem no domicílio se houver telefone em casa, automóvel e possibilidade de chegar ao hospital em 30 minutos seguramente não é a realidade da maioria das crianças nessa faixa etária atendidas pelos pediatras brasileiros, principalmente nos serviços públicos. Nesse sentido, Mukai e cols. publicaram, nesta mesma revista, um interessante estudo no qual, em hospital público, deixava-se todo lactente jovem febril pelo menos 24 horas na retaguarda do Pronto Atendimento, para observação. Concluíram que esse período foi suficiente e adequado para o encaminhamento de todos os casos(27).

Há várias razões para essas discrepâncias. Em primeiro lugar, o protocolo de Baraff e cols. originou-se de meta-análise de estudos realizados de 1977 a 1991. Muitos deles realizados em grandes hospitais terciários, que não necessariamente refletem a realidade de todas as crianças com FSSL(3). Alguns com importantes questões metodológicas(61), e a grande maioria realizada na era pré-vacinação para Haemophilus influenzae tipo b. Estudos após a introdução da vacinação para esse agente etiológico já encontraram taxas menores de bacteremia oculta por hemófilo(62). Reduzindo-se a possibilidade de bacteremia oculta por H. influenzae, fica questionável a necessidade de antibioticoterapia expectante, pois o agente esperado seria o S. pneumoniae, que provoca poucas complicações(63).

Outro questionamento é o custo e o desconforto dos exames e hospitalização(64). Vários estudos mostram claramente que, na prática diária, a maioria dos pediatras e dos médicos de família não seguem adequadamente esse protocolo, especialmente nas crianças acima de 3 meses de idade(65). De maneira geral, os médicos que trabalham em pronto socorro tendem a ser mais agressivos na investigação da criança febril que os pediatras de consultório(65), possivelmente porque estes últimos, conhecendo melhor sua clientela e sabendo do grau de confiança que podem ter nos pais, optem mais por critérios clínicos e condutas expectantes a domicílio(66).

Um aspecto importante e que preocupa é a utilização de antibioticoterapia expectante. Por um lado, existe o argumento de que a antibioticoterapia expectante por via parenteral é eficaz na prevenção de infecções graves nas crianças com BO(11,23). Antibioticoterapia parenteral é mais eficaz do que antibioticoterapia oral(5,30,67,68). Por outro lado, a utilização exagerada de antimicrobianos, incluindo as penicilinas e cefalosporinas pode ter um impacto no aumento das taxas de resistência para alguns agentes, como para o S. pneumoniae(17).

O emprego de métodos diagnósticos virais, como imunoensaio ou imunofluorescência, de resultado muito mais rápido que as culturas, poderiam elucidar mais precocemente a causa da febre, reduzindo a utilização da antibioticoterapia e a hospitalização. Apesar de não estarem citados nos protocolos de manejo de lactentes com febre, alguns autores defendem seu emprego(69).

Infelizmente, não há um aspecto clínico, exame laboratorial, ou conjunto de dados que nos dê com certeza a identificação das crianças com FSSL que estejam com bacteremia e, portanto, com risco de evolução para doença bacteriana grave(3). Um certo grau de incerteza e risco sempre existe e é difícil atingir o equilíbrio entre realizar exames e até iniciar tratamento muitas vezes desnecessariamente ou deixar escapar crianças com bacteremia. Um bom exemplo desse dilema é a análise da contagem total de leucócitos. Utilizando o ponto de corte de 20.000 leucócitos/mm3 para coletar culturas ou indicar ceftriaxone, Browne e cols.(17) verificaram que o número de pacientes tratados para abranger os casos de BO foi de 3:1, semelhante à proporção citada por outros autores(70). Se o ponto de corte fosse reduzido para 18.000 leucócitos/mm3, a proporção subiria para 11:1, e se fosse < 15.000 leucócitos/mm3 seria de 36:1. Portanto, esse autor sugere que 20.000 leucócitos/mm3 seja o melhor valor da contagem total de leucócitos, para evitar o uso abusivo de exames e antibióticos. Esse ponto de corte, no entanto, talvez não seja adequado nos locais onde o H. influenzae ainda seja prevalente, considerando que esse germe provoca menor leucocitose do que S. pneumoniae(62). Nessas regiões, é preferível usar o ponto de corte de 15.000 leucócitos/mm3 (11). Uma pesquisa realizada em Boston, já na era pós-vacinação contra H. influenzae, mostrou que, utilizando o ponto de corte de 15.000 leucócitos/mm3, a proporção de casos tratados para abranger os casos de BO foi de 19:1(62). Acreditamos que esses valores sejam adequados para o nosso meio.

Num aspecto todos os autores concordam. É a necessidade absoluta de reavaliação de toda criança com FSSL em 18 a 24 horas, mesmo que nenhum exame de laboratório tenha sido realizado(1,3,4,25,54,61). Nessa reavaliação, muitas vezes é possível identificar o foco, ou os achados clínicos podem orientar para uma investigação mais apropriada, por exemplo, se houver o surgimento de sinais e sintomas respiratórios realizar raio X de tórax.

Em resumo, existem várias opções de manejo das crianças com FSSL. Nenhum esquema, protocolo ou algoritimo é perfeito, eliminará todos os riscos ou restringirá a antibioticoterapia apenas aos pacientes realmente bacterêmicos. A avaliação clínica cuidadosa e a reavaliação em 18 a 24 horas são insubstituíveis e devem sempre ser realizadas. A conduta do pediatra também vai depender da condição sócio-cultural da família, da sua disponibilidade para trazer a criança para reavaliação e da sua compreensão dos riscos. Cada profissional ou serviço de saúde deve procurar adaptar a conduta ao perfil de seus profissionais e de sua clientela.

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Título do artigo: "Febre aguda sem sinais de localização em crianças menores de 36 meses de idade"
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