Pesquisadores de Hong Kong publicaram, recentemente, no British Medical Journal, uma análise das características demográficas, clínicas e laboratoriais em pacientes com Síndrome do Estresse Respiratório Agudo (SARS), procurando identificar as alterações hematológicas nestes indivíduos.
Foram incluídos no estudo todos os pacientes admitidos no Prince of Wales Hospital, de Hong Kong, com diagnóstico de SARS, entre os dias 11 e 29 de Março de 2003, sem alterações hematológicas pré-existentes. Os desfechos clínicos incluíram a necessidade de admissão em unidades de terapia intensiva e morte.
As alterações hematológicas mais comuns foram: linfopenia, presente em 153 (98%) dos 157 pacientes que participaram do estudo, seguida por neutrofilia em 129 (82%), trombocitopenia em 87 (5%), trombocitose em 77 (49%), aumento do tempo de tromboplastina parcial ativada em 96 (63%) indivíduos. A contagem de hemoglobina diminuiu mais de 20 g/L, a partir do valor basal, em 95 (61%) pacientes. Quatro indivíduos (2,5%) desenvolveram coagulação intravascular disseminada. Linfopenia foi evidenciada nos órgãos hemato-linfóides à necrópsia. A análise multivariada mostrou que idade avançada e alta concentração de DHL ao início do quadro de SARS eram preditores independentes de evolução desfavorável. Em 31 pacientes, as contagens de células T positivas para CD4 e CD8 diminuíram no início da doença, relacionando-se à evolução adversa.
Portanto, os pesquisadores concluíram que alterações hematológicas foram comuns em pacientes com SARS, havendo relação entre linfopenia e depleção de subgrupos de linfócitos T à atividade da SARS.
Haematological manifestations in patients with severe acute respiratory syndrome: retrospective analysis - British Medical Journal