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As principais causas de mortalidade da criança e do adolescente têm mudado nas últimas décadas no nosso país. Vários motivos concorrem para isso: ações políticas de infra-estrutura mais efetivas, ações educativas voltadas para as populações mais carentes, ações preventivas de saúde, tratamentos médicos e de reabilitação mais avançados, além das mudanças comportamentais decorrentes da globalização. Assim, as “causas externas” como causas de morte da criança e do adolescente têm sido uma constante, especialmente nas grandes cidades.
Por outro lado, sabe-se que a sobrevida de pacientes com ferimentos ou doenças agudas graves é diretamente influenciada pela facilidade de acesso aos recursos médicos, bem como pela qualidade do primeiro atendimento. E a linha de frente no atendimento do paciente pediátrico hoje está nos pronto atendimentos e nos setores de emergência dos hospitais.
Levando em conta tais considerações e em sintonia com uma das grandes bandeiras da Sociedade Brasileira de Pediatria - a prevenção de acidentes, o corpo editorial do Jornal de Pediatria quis trazer à comunidade pediátrica um suplemento que informasse e atualizasse o leitor sobre o atendimento das emergências na criança e no adolescente. Após o êxito obtido com a publicação dos dois suplementos anteriores, onde se apresentaram revisões de dois outros grandes temas de interesse para o pediatra brasileiro, temos certeza que a aceitação do suplemento de Emergências confirmará este caminho escolhido pelo Jornal de Pediatria. O critério de seleção dos 16 temas foi feito através de dados epidemiológicos de prevalência e importância pela gravidade. Na escolha dos autores, numa entidade com mais de 14.000 sócios, fica muito difícil não omitir nomes de profissionais com bom embasamento científico e qualificada experiência profissional. A certeza de que o presente suplemento será utilizado como fonte de consulta durante a atividade profissional levou-nos a distribuir os temas por sistemas: respiratório (abordagem na disfunção respiratória aguda, obstrução das vias aéreas superiores), cardiovascular (choque), neurológico (crise convulsiva), renal (crise hipertensiva), metabólico-endócrino (distúrbios hidroeletrolítico e ácido-básico), bem como por acidentes comuns (intoxicações, picadas de animais peçonhentos, trauma cranioencefálico e politraumatismo). Era mandatório que se incluísse uma atualização sobre reanimação cardiopulmonar, da mesma forma que, uma revisão sobre a febre sem sinais localizatórios, este, um dos principais motivos de consulta no pronto atendimento. Com 10% da população padecendo de situações alérgicas, sentimos a necessidade de incluir uma revisão sobre anafilaxia e reações alérgicas. E, também, num momento em que a humanização da Medicina vem reencontrando a sua posição no final deste século demasiadamente “tecnicalizado”, os assuntos sedação e analgesia, bem como aspectos éticos e legais na emergência completam o rol de artigos que compõem este suplemento. Esperamos ter correspondido à expectativa e à necessidade dos leitores para com as revisões, que têm sido uma justa reivindicação dos pediatras do nosso país. |