Atuação do Brasil no Mercado Internacional de Uvas e Vinhos
Loiva Maria Ribeiro de Mello
Pesquisadora - Embrapa Uva e Vinho
No mercado internacional vitivinícola, o Brasil se caracteriza como um país importador, especialmente de vinhos finos e uvas passas. Até meados da década de 80, as exportações eram insignificantes, embora já a partir da década de 1970 o suco de uvas brasileiro passasse a ingressar no mercado externo, com participação, sempre crescente.
Como se observa na Tabela 1, no qüinqüênio 85/89 as exportações brasileiras somavam 9,8 milhões de dólares anuais, evoluindo para 30 milhões anuais no qüinqüênio 95/99. Entretanto a evolução das exportações deste período foram contrastadas por um aumento proporcionalmente superior ao verificado nas importações que evoluíram de 22,6 milhões de dólares anuais no período para 94,3 no segundo acentuando o déficit deste balança que atingiu 64,3 milhões de dólares.
Tabela 1. Balanço das Exportações e Importações de uvas, sucos de uvas, vinhos e derivados : Valor em U$ 1,000.00 (FOB) – BRASIL – médias de 1970/74 à 1995/99.
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Qüinqüênio |
70/74 |
75/79 |
80/84 |
85/89 |
90/94 |
95/99 |
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Exportações |
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Uva de Mesa |
6 |
40 |
707 |
2.191 |
7.812 |
7.248 |
|
Suco de Uva |
994 |
1.206 |
2.858 |
5.514 |
9.122 |
11.437 |
|
Vinhos de Mesa |
121 |
831 |
642 |
1.737 |
8.606 |
10.297 |
|
Vermutes |
26 |
97 |
93 |
245 |
66 |
574 |
|
Vinagre de Vinho |
7 |
79 |
221 |
206 |
431 |
476 |
|
Total export. (US/FOB) |
951 |
2.253 |
4.521 |
9.844 |
26.038 |
30.034 |
|
Importações |
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Uvas Frescas |
1.657 |
2.912 |
1.787 |
3.727 |
7.719 |
19.960 |
|
Uvas Passas |
2.267 |
5.268 |
5.559 |
8.752 |
11.604 |
18.650 |
|
Vinhos de Mesa |
1.824 |
6.624 |
4.744 |
8.353 |
18.714 |
46.264 |
|
Vinhos Espumantes |
210 |
215 |
404 |
575 |
1.370 |
7.715 |
|
Suco de Uva* |
3 |
3 |
|
1.474 |
443 |
2.075 |
|
Total import. (US/FOB) |
5.959 |
15.021 |
12.494 |
22.586 |
39.850 |
94.334 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Exp. Menos Imp.(US/FOB) |
-5.090 |
-12.768 |
-7.973 |
-12.742 |
-13.812 |
-64.300 |
* Procedentes da Argentina
Fontes : DECEX/C.T.I.C.
No item uva passa, o Brasil é totalmente dependente do mercado externo o que representa, parcela significativa na composição deste balanço. Vale destacar também as crescentes importações de uvas frescas e de vinhos finos de mesa agravadas pela abertura do mercado. A participação dos vinhos importados em relação aos vinhos de viníferas comercializados no país representou 46,1%, em 2000. O equilíbrio no balanço internacional da cadeia vitivinícola tem grandes perspectivas de ocorrer a médio prazo, através dos investimentos que estão sendo realizados na obtenção de uvas sem semente, a serem produzidas especialmente em regiões tropicais, onde é possível se produzir em qualquer época do ano, com grande potencial de colocação no mercado externo e pelos novos plantios de uvas para vinho tanto na região tradicional, quanto em pólos emergentes em regiões não tradicionais, que deverão reduzir significativamente as importações de vinhos finos.
Em 2000, o déficit do balanço comercial de uvas, vinhos e derivados somou 70,1 milhões de dólares (Tabela 2).
Tabela 2. Balanço das Exportações e Importações de uvas, sucos de uvas, vinhos e derivados : Valor em U$ 1,000.00 (FOB) – BRASIL - 1998/2000.
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1998 |
1999 |
2000 |
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Quant. |
Valor |
Quant. |
Valor |
Quant. |
Valor |
|
Exportações |
|
|
|
|
|
|
|
Uvas Frescas (t) |
4.405 |
5.823 |
8.083 |
8.614 |
14.343 |
14.605 |
|
Suco de uva (t) |
6.479 |
12.373 |
7.815 |
15.108 |
8.784 |
13.811 |
|
Vinhos de mesa (1.000l)) |
7.750 |
5.513 |
6.766 |
4.074 |
6.289 |
3.463 |
|
Vinhos Espumantes (1.000 l) |
3 |
6 |
773 |
316 |
266 |
238 |
|
Total Export. (US/FOB) |
|
23.715 |
|
28.112 |
|
32.117 |
| |
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|
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|
Importações |
|
|
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|
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|
Uvas Frescas (t) |
26.492 |
28.733 |
8.599 |
8.461 |
9.903 |
9.066 |
|
Uvas Passas (t) |
15.447 |
20.764 |
16.016 |
20.084 |
14.929 |
16.230 |
|
Vinhos de Mesa (1.000 l) |
22.765 |
54.453 |
26.415 |
62.287 |
29.288 |
65.333 |
|
Vinhos Espumantes (1.000 l) |
1.379 |
11.416 |
2.033 |
14.816 |
1.843 |
11.411 |
|
Suco de Uva (t)* |
4.410 |
3.197 |
2.465 |
2.078 |
2.053 |
169 |
|
Total Import. (US/FOB) |
|
118.563 |
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107.726 |
|
102.209 |
| |
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|
Exp.menos Imp.(US/FOB) |
|
(94.848 |
|
(79.614 |
|
(70.092 |
* Procedentes da Argentina
A produção do vinho brasileiro deu um salto enorme nos últimos 10 ou 15 anos, alguns alcançando o nível de muitos estrangeiros famosos e reverenciados. A elite do vinho brasileiro fica numa faixa que vai de razoável a muito bom. Ainda não temos vinhos excelentes, mas alguns da safra de 1991 chegaram muito perto. Em termos de qualidade e quantidade, predominam os brancos, que se beneficiam da tecnologia avançada das vinícolas.
A partir de setembro de 1995 o Brasil passou a ser membro da OIV (Office International de la Vigne e du Vin ou, simplesmente, Organização Internacional do Vinho), organismo que regula as normas internacionais de produção do vinho. Uma das normas que em breve, será implantada é criação a implementação das Denominações de Origem Controlada, como as existentes nos países europeus.
Na serra gaúcha, a uva americana Isabel (não indicada para produção de vinho) ganhou seu espaço, sendo apreciada até pelos italianos mais tradicionais. Com o tempo, o vinho feito da Isabel conquistou o paladar do brasileiro. Mas foi com a chegada das vitis vinifera (tipo mais indicado para produção de vinho) que a produção de vinhos no Rio Grande do Sul prosperou. Hoje em dia essa região é a mais adiantada do país. Vale a pena uma visita a Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Garibaldi para conferir nossa produção nacional de vinhos.
O Brasil produz bons vinhos varietais (elaborados com um tipo predominante de uva) brancos (das uvas Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, etc.) e tintos (das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, etc.) e muitos deles têm recebido prêmios em concursos internacionais sérios, a maiora deles supervisionados pela O.I.V.

No Rio Grande do Sul concentra-se mais de 90% da produção vinícola do país e lá estão as melhores vinícolas brasileiras. A maior parte destas vinícolas está localizada na Serra Gaúcha região de montanha ao norte no estado, destacando se as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul, seguidas de Flores da Cunha, Farroupilha e Canela, e o restante em Erexim, no noroeste do estado; Jaguari, no sudoeste; Viamão e São Jerônimo, no centro-leste; Bagé, Don Pedrito, Pinheiro Machado e Santana do Livramento, no extremo sul.
Uma pequena parte restante dos vinhos brasileiros é proveniente de diminutas regiões vitivinícolas situadas nos estados de Minas Gerais (municípios de Andradas, Caldas, Poços de Caldas e Santa Rita de Caldas), Paraná , Pernambuco (Santa Maria da Boa Vista e Santo Antão), Santa Catarina (Urussanga) e São Paulo (Jundiaí e São Roque). No entanto, essas regiões cultivam quase que exclusivamente uvas americanas (Isabel, Niagara, etc.) que originam apenas vinhos de categoria inferior. Algumas vinícolas começaram a produzir vinhos elaborados com uvas européias, mas até agora não convenceram. Esperamos que, com seriedade, trabalho e tecnologia, essas regiões possam, pelo menos a longo prazo, oferecer vinhos de boa qualidade.
No quadro vinícola descrito para as regiões fora do Rio Grande do Sul, existe uma feliz exceção situada no Nordeste brasileiro. É o promissor Vale do rio São Francisco, no nordeste brasileiro, especialmente na cidade de Santa Maria da Boa Vista, próxima de Petrolina e Juazeiro, na fronteira de Pernambuco e Bahia.
www.academiadovinho.com.br
www.cnpuv.embrapa.br