Níveis de álcool e suspensão da carta de habilitação
Para finalidades médicas, a determinação da concentração do álcool pode ser feita no sangue, no ar exalado ou na urina. Respeitando as tolerâncias individuais, a regularidade e a quantidade de ingestão alcoólica, tem-se que:
- níveis baixos (50-150 mg%) provocam leves sintomas de intoxicação, com desinibição, euforia, incoordenação motora leve a moderada — estes níveis, geralmente, não exigem a intervenção do médico;
- níveis moderados (150 a 300 mg%) acometem o sistema límbico e o cerebelo, originando sonolência, instabilidade emocional, fala arrastada, ataxia e diminuição das respostas motoras;
- níveis acima de 300 mg% acompanham-se de depressão mais acentuada. Aumentam as disfunções motoras e cognitivas; há diminuição progressiva do estado de consciência, com letargia, estupor e coma.
- Com níveis muito altos (em torno de 500 mg%), predominam o acometimento bulbar com aprofundamento do coma, hipotermia, hipotensão e depressão respiratória. A morte ocorre raramente, estando associada à ingestão concomitante de outros depressores e aos comas prolongados (8-10 h); ao ocorrer, geralmente sobrevém a morte por parada respiratória.
P.R.Marques e colaboradores submeteram 2.134 pessoas, da cidade de Alberta, no Canadá, que tiveram a sua carta de motorista apreendida, num período de 5 a 30 meses, por terem dirigido embriagados, a realizarem 9,9 exames, em dias aleatórios, através do bafômetro, medindo o teor de álcool. Apesar de 69% desses motoristas terem, pelo menos, um teste positivo, nos 5 primeiros meses depois da reciclagem e do programa de prevenção, somente 4% teve uma recidiva após 4 anos da primeira punição.
(J Stud Alcohol 2003 Jan;64(1):83-92)