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Autor :: Dra Elaine Azevedo- Reumatologista- Hospital dos Servidores Públicos
A associação da osteoporose e nefrolitíase é algo bastante comum na prática reumatológica. Tendo em vista a prevalência de ambos, inicialmente sugiro uma investigação do metabolismo ósseo bem simples e acessível - dosagem do cálcio sérico e urinário, fosfatase alcalina, creatinina, pH + concentração urinários. Confirmando-se a presença de níveis séricos normais de cálcio e hipercalciúria (cerca de 50% dos pacientes com cálculos de oxalato de cálcio apresentam hipercalciúria), sugiro afastar causas desta alteração como: sarcoidose, hipertireoidismo, intoxicação por vit. D, doença de Paget, etc. Feito isso, estamos frente a um paciente com hipercalciúria "idiopática", cálculo de oxalato de cálcio e osteoporose. Uma das hipóteses para este estado é a hiperabsorção de cálcio pelo intestino (provavelmente por níveis excessivos de calcitriol) porém com perdas renais superiores à ingesta, ou seja, há um balanço negativo do cálcio com prejuízo do conteúdo mineral ósseo. Outra possibilidade para explicar a hipercalciúria seria um "defeito" do túbulo renal o qual seria incompetente na função de reabsorver o cálcio. De qualquer forma, sabe-se que esse balanço negativo pode piorar a perda óssea. Sendo assim (finalmente!), NÃO recomendo dietas restritivas de cálcio para estes casos e, para aqueles com uma dieta muito insuficiente, acredito que a complementação com cálcio via oral deve ser indicada na tentativa de manter o balanço positivo. Sempre associo diurético tiazídico e oriento a ingesta de líquidos em abundância (para aumentar o volume urinário e reduzir as concentrações de cristais). Para complementar o tratamento da osteoporose, sugiro a associação de um fármaco antirreabsortivo - bisfosfonatos (alendronato ou risendronato) ou raloxifeno- dependendo da faixa etária e de outras co-morbidades associadas. Quanto à presença de bursite calcárea no ombro ou outras calcificações/ calcinose, o uso de bisfosfonatos mostrou-se, a meu ver, frustrante. Não encontrei evidências de que o uso do cálcio via oral poderia agravar tal estado. De fato, vemos freqüentemente, pacientes com calcificações assintomáticas (achados de radiografias) em uso de cálcio por longos períodos.
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