Medicina Esportiva/Atividade Física - Hipermobilidade e exercício
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Medicina Esportiva/Atividade Física

Hipermobilidade e exercício

04/06/2003

Hipermobilidade e exercício

 

Existem pessoas que têm a facilidade de movimentar as articulações além do limite normal considerando a maioria das crianças e adultos. Elas têm uma grande elasticidade das articulações conseguindo fazer muitas contorções do corpo (incluindo articulações com limitações da coluna, das pernas e das mãos), sem dores, entusiasmando muito os professores de educação física e os treinadores esportivos. Essas pessoas têm uma alteração no tecido conjuntivo (tecido que forma músculos, ossos, articulações, ligamentos e tendões), de origem genética, que pode variar de intensidade, que são medidas pela Escala de Baton, que varia de 1 a 10.
Quando é leve esse distúrbio é chamado de hipermobilidade articular ou hiperlassidão articular, quando é mais grave, nesse caso a facilidade de contorção é mais ampla e a pele fica mais elástica chama-se sindrome de Elos-Danlus, ambas podem estar associada à dor músculo-esquelética, no grupo de pacientes mais idosos. A hipermobilidade articular é de origem genética e está na base dos seguintes distúrbios, pés chatos (chamado de pé plano postural), joanetes, síndrome da plica do joelho, escoliose idiopática do adolescente, cifose postural, luxações recidivantes de várias articulações, principalmente ombro, coxa, tornozelo, etc.
Mais de 90% das crianças, abaixo dos três anos de idade, ainda não têm a formação completa da "curva" dos pés, o pé sem curva é chamado de pé chato, nessa idade é considerado uma fase normal do desenvolvimento das crianças. Ocorre devido à imaturidade e elasticidade excessiva dos ligamentos da planta do pé, que ainda não são fortes o suficiente para manter o arco plantar ("curva" do pé) quando a criança fica de pé,começa a andar e sustenta seu próprio peso. Entre 3 e 4 anos de idade, naturalmente, esses ligamentos vão se fortalecendo, o arco plantar fica mais evidente e o pé vai gradualmente deixando de ser plano. Cerca de 65% dos adolescentes com pé chato serão assintomáticos, isto é, não apresentam dor nem qualquer alteração na forma de caminhar, e praticam esportes normalmente. Porém os demais podem apresentar queixas de dor, deformação excessiva dos sapatos ou sensação de cansaço nas pernas,
principalmente aos esforços.
A GBelenkii e colaboradores, da cidade de Moscou, Rússia, examinaram 572 pessoas (266 mulheres e 306 homens) divididos nos seguintes grupos etários: 16-20 anos, 21-30, 31-40 e 41-50 anos. A hipermobilidade articular foi medida pela Escala de Baton, que foi mais frequente na população jovem e nas mulheres. Os escores de 4 a 6 na Escala, foram encontrados em 50% das mulheres de 16-30 anos de idade e em 58% dos homens de 16-20 anos. Os autores concluem que esses padrões são semelhantes aos outros países europeus.
 

 

Fonte :: Ter Arkh. 2002;74(5):15-9


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