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alergia

Higiene do ambiente físico nas doenças alérgicas

04/06/2003

A higiene do ambiente físico é de grande importância nas doenças alérgicas, especialmente por se tratarem de medidas que visam postergar as manifestações clínicas da doença, ou mesmo minimizá-las. Portanto, independente do tratamento medicamentoso, a higiene ambiental na residência de um alérgico deve ser cuidadosa.

Sabemos que principalmente na faixa pediátrica, a maioria dos asmáticos são alérgicos (~85%) principalmente a ácaros da poeira doméstica, alérgenos de animais domésticos e baratas. Os ácaros da poeira domiciliar são animais microscópicos, que vivem dentro dos domicílios, muito próximos ao homem, já que se utilizam das descamações de pele humana como principal fonte alimentar. Durante 1 noite, descamamos 1 a 2 g de pele, e portanto, o ambiente de escolha para proliferação dos ácaros é a nossa cama: em especial o colchão, travesseiro e roupas de cama. Outros locais importantes seriam estofados, cortinas e carpetes. Desta forma, é fácil estabelecermos prioridades no combate a este inimigo, quais sejam:

1. No dormitório

encapar colchões e travesseiros com capa impermeável à passagem de ácaros ou suas excreções. Lavar estas capas a cada 3 ou 4 semanas.

lavar roupas de cama I ou 2 x por semana, deixando-as de molho em água com temperatura > 550 C por 10' ou usar secadora que atinja estes níveis térmicos.

retirada de cortinas

limpeza de piso com pano úmido com desinfetante suave

não utilizar produtos de limpeza com veículo oleoso (ceras, lustra-móveis)

se os carpetes não puderem ser retirados de imediato, limpá-los 2 x por semana com um aspirador de pó tipo doméstico, tomando-se o cuidado de afastar o paciente alérgico do ambiente por aproximadamente 30 minutos

manter as superfícies de móveis livres de objetos

roupas e papéis dentro de armários

2. Nos demais locais da residência

a orientação em relação a carpetes é a mesma que para o dormitório

os estofados devem ser preferencialmente de couro ou revestimento semelhante, passíveis de limpeza com pano úmido

A residência de uma forma geral deve ser bem ventilada, e o dormitório do asmático

deve receber sol.

Em relação à orientação para animais domésticos, o ideal é que o paciente alérgico não tenha contato domiciliar com cães e gatos. Se comprovada sua alergia a animais, através de testes alérgicos e ou exames de laboratório, a única medida realmente eficaz será seu afastamento do convívio. Tratando-se de crianças, devido ao grande apego emocional e à

dificuldade de um afastamento brusco, muitas vezes precisamos lançar mão de medidas alternativas, que apesar de não serem tão eficazes, diminuem a carga de alérgenos no ambiente, quais sejam:

utilização de filtros de ar apropriados nos ambientes (HEPA)

retirada de carpetes e cortinas de toda a residência

revestimento de estofados com couro ou material similar

lavagem semanal do animal (princ. gato), por imersão

As baratas são combatidas com o uso de iscas, evitando-se os aerossóis de ambiente.

Um outro ponto importante na higiene ambiental do paciente alérgico, consiste no afastamento da inalação de fumaça de cigarro. Estão atualmente bem estabelecidos os danos causados pelo fumo no pulmão dos asmáticos, quer seja este um fumante ativo ou passivo (especialmente crianças). Devido às crianças pequenas permanecerem a maior parte do tempo em companhia das mães, solicitamos às mães de asmáticos que se abstenham de fumar dentro do ambiente doméstico.

O hábito oriental da retirada dos sapatos quando se adentram as residências, toma-se de grande interesse quando se trata de paciente asmático, uma vez que, através das solas dos sapatos carreamos bactérias para dentro dos domicílios. Estas bactérias podem liberar substâncias (endotoxinas), que, se inaladas, podem em associação aos alérgenos, levar a uma piora do quadro clínico.

É extremamente importante o conhecimento da importância das medidas de higiene ambiental na evolução da doença alérgica, de uma forma geral. Com a possibilidade deste tipo de informação, é possível traçarmos uma meta, priorizando as medidas a serem tomadas, de modo individualizado a cada paciente.

 Dra. Maria Cândida Rizzo / UNIFESP- ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA

 


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