Num estudo feito por um grupo americano, publicado recentemente no Pediatrics, os autores objetivaram descrever a morbidade atribuída ao crise asmática numa amostra multi-étnica entre crianças de baixa renda menores de 2 anos bem como objetivaram examinar as correlações biológicas, ambientais e psicossociais dos índices de morbidade.
Crianças de 9 a 24 meses de idade, consideradas em risco para o desenvolvimento de asma por terem tido 3 ou mais visitas ao médico com registro de crise de chiado foram avaliadas num estudo de intervenção ambiental. As avaliações iniciais com as crianças, familiares e ambientes domésticos focalizaram-se nos fatores biológicos, ambientais e psicossociais que potencialmente aumentariam o risco de asma nas crianças. No começo do estudo, a morbidade prévia atribuível ao quadro asmático foi avaliada através dos registros dos que cuidavam da criança, da freqüência do sintomas e gravidade bem como do uso de medicações, qualidade de vida do cuidador da criança e registro do prontuário das hospitalizações e passagens pelo pronto socorro.
Quarenta e seis por cento das crianças apresentavam 1 ou mais hospitalizações e 59% tiveram 2 ou mais passagens pelo pronto socorro desde o nascimento por causa das crises de chiado. Crianças de famílias hispânicas nascidas fora dos Estados Unidos tiveram significativamente mais passagens pelo pronto socorro por crises de chiado do que as crianças de famílias hispânicas nascidas nos Estados Unidos, brancas ou de raça negra, embora utilizassem menores quantidades de medicações de controle e relatassem menor gravidade da doença.
A análise multivariada mostrou que os 3 fatores biológicos como o vírus sincicial respiratório, elevado nível de IgE na criança e alérgeno de barata no domicílio estiveram associados independentemente com as hospitalizações dentro desta amostra. Análises similares mostraram que as passagens pelo pronto socorro não se associavam às variáveis biológicas, porém, relacionavam-se muito com o fato do responsável pela criança ser solteiro(a) e tabagista . Os relatos da gravidade das crises de chiado pelos familiares estiveram relacionados com as passagens pelo pronto socorro, porém não com as hospitalizações. As taxas de gravidade foram maiores para as crianças com asma e para aquelas cujos responsáveis tinham maior grau de ansiedade e estresse.
Os autores concluíram que a condição étnica e imigrante foi um fator importante na morbidade atribuível ao quadro asmático na infância. Além da infecção respiratória, os processos alérgicos e as variáveis sociais estiveram associados à morbidade quando medida pela utilização do serviço de saúde. Os relatos dos familiares da gravidade da doença estiveram significativamente relacionados com os fatores psicossociais.
Morbidity Patterns Among Low-Income Wheezing Infants - Pediatrics