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O que se pode fazer para melhorar o aspecto das pálpebras, antes mascarado pelos óculos

04/06/2003

Os olhos são o espelho da alma e as pálpebras sua moldura. Existem vários meios de manter as pálpebras mais jovens e retardar a cirurgia plástica. Por isso, o tratamento deve ter início por volta dos 30 anos. Nessa idade, é comum os pacientes deixarem de usar óculos após cirurgia a laser e observarem, com mais detalhes, as pequenas rugas, os pés-de-galinha, o excesso de pele nas pálpebras superiores e as famosas bolsas de gordura nas inferiores. Este conjunto é bastante incômodo e marca o começo do envelhecimento facial.

Plástica Ocular

Não desanime! Hoje é possível acompanhar as alterações com um especialista que entenda de olhos e de rejuvenescimento óculo-facial ao mesmo tempo. É isso mesmo! Existem oftalmologistas que cuidam de problemas palpebrais e, no meio médico, a especialidade é conhecida como Plástica Ocular.

Trata-se de uma área da oftalmologia bastante especial, pois as pálpebras não são uma extensão da pele sobre os olhos e sim um tecido extremamente fino e delicado, contendo estruturas nobres, com a função principal de proteger o globo ocular. Logo abaixo da pele das pálpebras existem músculos responsáveis pela abertura e fechamento palpebral. Mais profundamente, estão os olhos e seus músculos extra-oculares, responsáveis pela visão e pelos movimentos oculares. Portanto, é imprescindível que nenhum paciente corra riscos ao submeter-se a um tratamento estético de uma região tão nobre e conhecida da face. Uma complicação ocular freqüente, após tratamentos abusivos na região das pálpebras e que pode ser evitada, é o olho seco. Os sintomas são irritação ocular, ardor, sensação de areia nos olhos, dificuldade de exposição à luz, sol e vento. A soma desses fatores provoca um lacrimejamento reflexo pela irritação ocular e até mesmo uma leve turvação visual. Apesar de paradoxal, observamos este tipo de queixa no consultório e devemos estar alertas aos problemas oculares que poderão surgir ao longo de um tratamento cosmetriátrico.

Após uma cirurgia refrativa com laser para correção da miopia ou hipermetropia e astigmatismo, os olhos tendem, temporariamente, a se tornarem mais ressecados e as córneas, mais sensíveis. Porém, passado o pós-operatório de 6 meses, os pacientes podem procurar um especialista para avaliação e orientação da condição óculo-palpebral para início do rejuvenescimento.

É importante ressaltar que, ao iniciar qualquer tipo de tratamento estético na região das pálpebras, a preocupação maior deve ser sempre em relação à saúde ocular. Aos médicos é obrigatório medir a visão antes de qualquer procedimento, realizar um exame por microscopia na lâmpada de fenda, analisar quantidade e qualidade de lágrima, avaliar a real quantidade de pele que poderá ser retirada, se o problema é pelo excesso de pele nas pálpebras superiores ou também é devido à queda dos supercílios. Finalmente, avaliar a real necessidade de remoção das bolsas de gordura e pele das pálpebras inferiores. Ao realizar estes exames com detalhes, o profissional indicará o melhor tratamento para cada caso. A prevenção de complicações oculares ainda é a melhor maneira de atingir o resultado desejado. Nota-se que o exame pré-operatório é tão importante quanto o próprio procedimento a ser realizado.

Qual o melhor procedimento?

Depende de cada caso. Na última década, houve avanços fantásticos na área de cosmeatria através de excelentes cremes anti-rugas, anti-oxidantes e anti-olheiras. Além disso, é possível atingir o rejuvenescimento com tratamentos periódicos, como a toxina botulínica (botox) que promove o relaxamento das rugas dinâmicas, e aplicações de ácido hialurônico, que preenche os sulcos faciais mais profundos, atenuando ou eliminando algumas marcas da pele. Por fim, sob orientação dermatológica, dependendo do caso e do tipo de pele, indica-se, um peeling na região periocular a ser tratada com resultados rejuvenescedores fantásticos.

Quando é indicada a cirurgia plástica das pálpebras?

Nos casos em que há excesso de pele na região palpebral e/ou bolsas de gordura bastante proeminentes. A quantidade de pele a ser ressecada deve ser precisa e simétrica bilateralmente para que, após o procedimento, os olhos, além de bonitos, possam ser ocluídos normalmente.

A novidade mais difundida e utilizada pelos plásticos oculares é a técnica cirúrgica em que os bolsões de gordura são removidos pela via interna das pálpebras inferiores sob anestesia local e sedação. Neste procedimento é utilizado um material cirúrgico que cauteriza os vasos sangrantes, ao mesmo tempo em que as bolsas de gordura são removidas. A vantagem é que não há necessidade de pontos e não há incisão na pele. Estes fatores contribuem para que os hematomas sejam pequenos e o volume do inchaço no pós-operatório seja menor, com um tempo de recuperação mais rápido.

Vale a pena enfatizar que cada caso deve ser acompanhado de forma personalizada. Como envolve uma região nobre do corpo humano, estes pacientes devem ser assessorados em todos os momentos, lembrando que a meta principal, além da beleza, é a de manter a integridade do globo ocular e de suas funções.

* Dr. André Luís Borba é doutorando em Oftalmologia/Plástica Ocular pela USP, Chefe do Serviço de Plástica Ocular da UNISA, Especialista em Plástica Ocular e Rejuvenescimento Óculo-Facial pela Universidade da Califórnia em Los Angeles – UCLA e Membro da Sociedade Brasileira de Plástica

 

 


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