Kay-Tee Khaw, Médico, Professor de Geriatria na Universidade de Cambridge no Reino Unido apresentou conferência sobre os padrões de envelhecimento no mundo e como essas tendências podem ajudar o clínico a ensinar a mulher como manter a saúde em idade avançada. Estudos populacionais mundiais mostram que a perda da qualidade de vida na mulher idosa deve-se principalmente às doenças degenerativas associadas com as doenças cardiovasculares, às fraturas decorrentes da osteoporose, aos cânceres mais comuns (colo do útero, mama, colorretal, ovário), demência e diminuição das acuidades auditiva e visual. Além de ter percebido tendências seculares e variações geográficas e socio-econômicas, o Dr. Khaw considera e afirma que a maioria destas condições anormais podem ser prevenidas ou retardadas.
Em relação ao câncer e estado nutricional o Dr. Khaw apresentou um estudo acompanhando um grupo grande de mulheres em Norfolk-Inglaterra (Investigação Prospectiva Européia sobre Câncer e Nutrição). Este estudo proposto para 4 anos, incluindo mais de 30.000 homens e mulheres entre 45 e 79 anos, ainda em andamento, está verificando o relacionamento entre dieta/estilo de vida e doenças crônicas e, ainda, como estes fatores afetam o risco de doença na velhice.
O Dr. Khaw relatou que melhor qualidade de vida e diminuição de todas as causas de morte entre as mulheres foram associadas com classe social mais favorável, maior educação e relato de saúde em condição fisiológica boa ou excelente (ie, contagem de leucócitos, função pulmonar, freqüência do pulso e níveis de hemoglobina glicosilada). A análise sobre doenças específicas mostrou existir associação entre um aumento no risco relativo de morte por doença cardiovascular e função pulmonar alterada, diabetes mellitus, maior relação cintura-quadril, maior número de leucócitos, pulso mais rápido, elevação da pressão sistólica e tabagismo.
Os dados relatados antes, nesta população de Norfolk, por Jake e colaboradores confirmam que atividade física de alto impacto está, independentemente, associada com atenuação ultra-sonográfica do osso calcâneo, iguais às mulheres 4 anos mais novas, com redução do risco de fraturas de 12%.
Uma característica importante deste estudo é ser o maior estudo epidemiológico em que dados nutricionais e concentrações de ácido arcórbico no plasma foram obtidos. Auto-relato de saúde boa/excelente entre as mulheres foi associado à melhor condição nutritiva e estilo de vida (concentrações plasmáticas de vitamina C/ausência de tabagismo ou hábito de fumar poucos cigarros no dia, pequena ingesta de álcool e educação maior do que 15 anos). Notou-se, em particular, que a concetração plasmática de ácido ascórbico foi forte e independentemente associada com a redução no risco de morte por todas as causas, doença cardiovascular e câncer. Um aumento de 20mm/L de vit C no plasma, equivalente à ingesta de 50g/dia de frutas ou vegetais foi associado com uma redução na mortalidade de 20%. Nos indivíduos com maior ingesta de vit C (percentual de 70% versus 30%) esta redução alcançou 30%. Conclui-se que um aumento modesto na ingesta de alimentos ricos em vit C (não suplementos vitamínicos) pode oferecer benefícios significantes na saúde.
Os achados do estudo de Norfolk-Inglaterra, são consistentes com os achados de muitos outros estudos, dando suporte aos benefícios de dietas ricas em frutas e vegetais. Considerando-se todas estas informações há um grande potencial em manter ou melhorar a saúde na idade avançada, desde que haja adesão aos hábitos de atividade física regular, não fumar, consumo maior de frutas, vegetais e alimentos frescos. Recomenda-se, ainda, consumo reduzido de alimentos industrializados, sal e gordura saturada.
Sebastião Freitas de Medeiros
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