biologia molecular - Proteína obtida em laboratório é letal contra fungos e bactérias
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biologia molecular

Proteína obtida em laboratório é letal contra fungos e bactérias

10/09/2003

 

Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) demonstram que um fragmento (peptídeo) de proteína processado quimicamente se revelou eficaz em tratamentos mais avançados contra infecções causadas pela bactéria Staphylococcus aureus e pelo fungo Candida albicans. Embora ambos os microrganismos sejam considerados parte da flora normal do organismo humano, a bactéria e o fungo são também patogênicos e virulentos, podendo causar respectivamente doenças como septicemia (infecção generalizada) e candidíase.

O resultado dos estudos, que será apresentado como tese de doutorado na Uenf ainda este mês, surpreendeu totalmente o orientador da pesquisa, professor Enrique Medina-Acosta, do Laboratório de Biotecnologia. Trabalhando há seis anos com a bactéria S. aureus, ele relutou, dois anos atrás, em aceitar a sugestão de sua aluna de doutorado, Patrícia Damasceno Ribeiro, de testar a substância também contra fungos.

"Ainda não conhecemos o mecanismo pelo qual o peptídeo mata o fungo. A literatura indica que os peptídeos microbicidas são formados por seqüências de 20 a 40 aminoácidos, o que lhes confere extensão suficiente para perfurar a membrana do fungo. Mas este não é o caso em questão, pois o peptídeo que sintetizamos tem apenas seis aminoácidos. De qualquer forma, o resultado dos testes foi fantástico", diz o pesquisador.

O peptídeo obtido em laboratório resulta do tratamento químico de um similar natural, produzido pela própria bactéria S. aureus. A substância original tem de sete a nove aminoácidos, mas após o tratamento químico a seqüência é reduzida para seis. Os aminoácidos são as partes mais elementares das proteínas.

A substância obtida a partir do tratamento é eficaz contra a bactéria e o fungo, mas atua de forma diferente em cada caso. Com relação a bactéria Staphylococcus aureus, o peptídeo apenas inibe sua ação virulenta, sem matá-la. Diferentemente, a substância destrói o fungo causador da candidíase, assim como outros fungos do mesmo gênero.

Resumo da pesquisa foi aceito para apresentação no Congresso da Sociedade Americana de Microbiologia, marcado para outubro, em Nevada, Estados Unidos. Os estudos são desenvolvidos em cooperação entre a Uenf e a norte-americana Tufts University, de Massachusets.

Os resultados do estudo foram positivos não apenas in vitro, mas também em experimentos com camundongos. Entre 30% e 50% dos animais infectados com doses letais da bactéria e do fungo foram curados. Os resultados disponíveis indicam que o peptídeo não é tóxico, embora as experiências tenham sido feitas em grupos pequenos de dez e de 20 animais.

Dada a eficácia contra a bactéria e contra diferentes espécies de fungo, Medina-Acosta acredita que o peptídeo poderá ser o protótipo para a síntese de terápicos alternativos aos antibióticos, úteis no tratamento contra a ameaça de múltiplos agentes patogênicos.

Em estado natural, os peptídeos em questão (chamados quorum-sensoriais) cumprem a curiosa função de mecanismos de sinalização de uma bactéria para as demais da mesma espécie ou de espécies distintas. Dependendo das condições de população e de oferta de nutrientes, a bactéria sinaliza para as demais de sua espécie se é ou não momento de proliferar. Por meio do mesmo mecanismo, utilizado em sentido contrário, as bactérias interferem na proliferação de outras espécies, num caso típico de contra-informação.

 

Agência Brasil - ABr Online


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