Psiquiatria e Psicologia - Deficiencia Mental
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Psiquiatria e Psicologia

Deficiencia Mental

15/09/2003

 
A Deficiência Mental corresponde a um conjunto de doenças que tem como principal ponto comum a diminuição da inteligência.

 

A Deficiência Mental é descrita desde a Antigüidade como uma diminuição da inteligência com prejuízo do comportamento adaptativo, ocorrendo antes dos 18 anos de idade. Para tanto, ao considerarmos inteligência como uma função adaptativa que permite ao ser humano resolver problemas novos sem necessidade de modelos, temos que pensar no deficiente mental como um indivíduo que, pela diminuição de inteligência, é incapaz de competir, em termos de igualdade, com indivíduos da mesma idade, sexo e grupo social.

Assim, ocasiona comprometimentos a nível pessoal - como diminuição da autonomia, da independência, da capacidade de trabalho e de lazer , bem como a nível familiar, constituindo-se num fator de comprometimento das relações intrafamiliares e numa carga econômica, além de demandar cuidados e investimento econômico sob o ponto de vista social.

Por se constituir num conjunto de doenças de etiologias (causas) diferentes, compreende quadros de base genética até de caráter predominantemente ambiental e, como tal, passíveis de intervenção. Dessa maneira, deve-se pensar seu diagnóstico de forma multifacetada, de maneira a que tenha que se estabelecer um nível de desempenho caracterizado pelo nível intelectual, os comprometimentos associados sob o ponto de vista psicológico e emocional, a etiologia provável e o ambiente sócio familiar na qual se insere. Dessa conjunção de elementos, ou seja, da avaliação concomitante de fatores biológicos e individuais representados pelo desempenho e pela etiologia, e dos fatores sociais, constituído pelo ambiente sócio-familiar, é que devem se estruturar os mecanismos de suporte que se constituirão no processo de habilitação que essa população necessita.

INTELIGÊNCIA

O que é?

De acordo com o citado por Kanner (1982), podemos tentar conceber a noção de inteligência de diferentes maneiras:

1. Capacidade do organismo para se adaptar convenientemente a situações novas (Stern, 1914).

2. Conjunto de processos de pensamento que constituem a adaptação mental (Binet, 1916).

3. Propriedade de combinar de outro modo normas de conduta, para poder atuar melhor em situações novas (Wells, 1917).

4. Faculdade de produzir reações satisfatórias, sob o ponto de vista da verdade ou da realidade (Thorndike, 1921).

5. Capacidade de realizar atividades caracterizadas por serem:

a) difíceis; b) complexas; c) abstratas; d) econômicas;

e) adaptáveis a um certo objetivo; f) de valor social;

g) carentes de modelos; e para mantê-las em circunstâncias que requeiram concentração de energias e resistência às forças afetivas (Stoddar, 1943).

6. O grau de eficácia que tem nossa experiência para solucionar nossos problemas presentes e prevenir futuros (Goddard, 1945).

7 O total de todos os dons mentais, talentos e perícias úteis nas adaptações às tarefas da vida (Jaspers, 1945).

Ou, ainda, conforme o levantamento de Bayley (1976):

1. Capacidade agregada ou global (... ) para agir intencionalmente, para pensar racionalmente e para lidar de modo eficaz com o meio ambiente (Wechsler, 1958).

2. Acumulação de fatos e habilidades aprendidos ( ... ) o potencial intelectual inato consiste em tendências para engajar-se em atividades que conduzem à aprendizagem, mais do que a capacidades hereditárias como tais (Hayes, 1962).

No entanto, por mais variadas que sejam as definições de inteligência, elas têm, em geral, um ponto comum: todas elas falam em o indivíduo se adaptar ou agir de modo satisfatório frente a situações novas, para que, assim, possa lidar com o meio ambiente. Para tanto, faz-se necessário que ele consiga resolver os problemas que se lhe apresentem de forma satisfatória.

Na verdade, mais do que um conceito teórico, se constitui numa capacidade de solução de problemas, capacidade essa que efetua a solução a partir de operações mentais, de pensamento, de maneira rápida, eficiente e com o menor gasto de energia possível, sem que seja necessário um modelo prévio. Essa solução, obrigatoriamente, passa por uma adaptação social uma vez que é essa adaptação que permite ao homem que se insira em seu ambiente. Durante o processo de solução do problema, ela ainda permite que o indivíduo controle seus impulsos afetivos para que esses não fujam a seu controle de maneira que a solução seja a mais eficaz possível dentro do contexto do problema proposto.

 

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