A artrite reumatóide juvenil é uma doença relativamente rara. Na Inglaterra a incidência varia de 0,06% a 0,1%; e nos Estados Unidos de 0,01% a 0,11%, entre a população infantil até 15 anos. Seis a oito casos novos, para uma população de 100.000 crianças, abaixo de 15 anos, aparecem, anualmente, na Finlândia. Os picos de maior incidência pela idade estão entre 1 a 5 e de 10 a 14 anos. O sexo feminino tem uma maior incidência, que varia de 1,5 meninas para 1 menino à 3 meninas para 1 menino, quando a artrite se restringe às juntas. Nos casos em que a doença é mais grave, chama-se síndrome de Felty (consiste da tríade de esplenomegalia - aumenta o baço, artrite reumatóide e leucopenia e diminui os glóbulos brancos do sangue), agride os órgãos internos, passando a ser uma doença sistêmica, ataca as articulações e os órgãos internos. Há um equilíbrio entre os sexos nos casos de forma sistêmica.
A artrite reumatóide juvenil tem um padrão de dores e sintomas clínicos variáveis, devido a influência de fatores psicológicos, que podem confundir os pais e os médicos dessas crianças com os períodos de dores e remissões da doença.
Laura E. Schanberg e colaboradores, reumatologistas, da Duke University, E. Unidos, analisaram os padrões de dor diária, rigidez e fadiga associados à artrite juvenil e a relação dos ajustamentos psicológicos e as atividades escolares e sociais por parte destas crianças. Durante um período de 2 meses, 41 crianças, com artrite reumatóide juvenil (o resumo não informa a idade dessas crianças) completaram um auto-relato diário de como estavam as dores, sintomas e função articular. Nesse período de 2 meses as crianças foram submetidas a 4 avaliações médicas, além de uma avaliação inicial, que incluía exame clínico, contagem de articulações afetadas e doloridas, testes de sangue e questionários avaliando o funcionamento físico e psicossocial. Os autores constataram que as crianças tinham dores em média, em 73% dos dias, sendo que a maioria das crianças disse que quando a dor existia em mais de 60% dos dias considerados, ocorria durante o dia inteiro, sem parar. Em média, as crianças descreveram a intensidade diária da dor como sendo de média a moderada; mas, um subgrupo de 15 (31%) crianças relatou dor de forte intensidade. Os autores compararam esses dois grupos e constataram, que quanto mais altos os índices de avaliação dos médicos, em relação a incapacidade funcional das articulações e o aumento da ansiedade, sob o ponto de vista estatístico, há, significativamente, um aumento da dor diária e outros sintomas, tais como, a rigidez articular (ao acordar de manhã) e a fadiga. E também vice-versa, a rigidez matinal e a fadiga quando aumentavam, foram preditores significativos da participação reduzida nas atividades sociais e escolares.
Os autores concluíram que os médicos deveriam considerar o tratamento da dor e da ansiedade dessas crianças de maneira mais agressiva, a fim de preservar a função física e permitir a participação social e escolar dessas crianças.
Arthritis Rheum. 2003 May;48(5):1390-7.uol
Fonte:
http://ram.uol.com.br/materia.asp?id=263