Pesquisadores ligados à Universidade da Califórnia (Estados Unidos) publicaram, recentemente, no Anesthesiology, um estudo em que testaram a hipótese de que a anemia isovolêmica aguda grave retarda o tráfego elétrico em aferências neurais centrais e periféricas.
Foi realizada estimulação do nervo mediano no punho de sete voluntários saudáveis, sem uso de medicações, antes e após indução de anemia isovolêmica aguda, atingindo-se um nadir de concentração de hemoglobina igual a 5,1 + 0,3 g/dL. O tempo necessário para os impulsos nervosos percorrerem a distância entre o local de estímulo e o plexo braquial, raízes nervosas da medula espinhal cervical e córtex cerebral foram medidos através da utilização de potenciais evocados somatosensoriais. Os testes foram repetidos na vigência de anemia aguda, com o paciente respirando oxigênio. Para obtenção de valores controle, os testes foram repetidos em um dia no qual a anemia não foi induzida como no dia do experimento.
Os resultados mostraram que a anemia isovolêmica aguda grave diminuiu o período de latência de condução nervosa do punho para o córtex cerebral contra-lateral em 2,3 + 1,6%, comparado a valores obtidos com concentração média de hemoglobina igual a 12,7 g/dL (p<0,01). A diminuição do período de latência deveu-se ao aumento da velocidade de condução periférica do punho ao plexo braquial (p<0,05), não sendo alterada quando os pacientes respiravam oxigênio. A velocidade de condução do plexo braquial ou da raiz medular espinhal ao córtex cerebral não sofreu alteração com a anemia aguda. Não houve diferenças quanto aos períodos de latência no dia de obtenção dos valores controle.
Portanto, os pesquisadores concluíram que as latências dos potenciais evocados somatosensoriais não aumentaram na vigência de anemia isovolêmica aguda grave, tornando improvável que a porção aferente do sistema nervoso seja responsável pela lentificação das respostas cognitivas observadas, previamente, durante a anemia aguda.
"Acute Isovolemic Anemia Does Not Impair Peripheral or Central Nerve Conduction" - Anesthesiology 2003; 99(3):546-551